Ivone Gebara

Trindade: palavra sobre coisas velhas e novas. Uma perspectiva ecofeminista – Edições Paulinas, 1994

Teologia ecofeminista: Ensaio para repensar o Conhecimento e a Religião, 1997

Rompendo o silêncio: Uma Fenomenologia feminista do Mal – Vozes. O livro tenta abrir novos caminhos para uma reflexão mais ampla sobre o sempre atual enigma do mal humano. Rompe o silêncio em relação à experiência do mal vivido pelas mulheres. A análise utiliza o método fenomenológico em sentido lato e a categoria de gênero como instrumental hermenêutico.

– Mobilidade na Senzala Feminina- Edições Paulinas, 2000. O livro nasceu do convívio e da observação da vida de mulheres da periferia da Zona da Mata pernambucana. Tenta mostrar como a mobilidade, entendida como uma saída quase constante de um lugar para outro, revela a luta cotidiana dessas mulheres por “uma vida melhor”.

As águas do meu poço. Reflexões sobre experiências de liberdade – Edições Brasiliense,2005. Em busca de uma verdadeira liberdade para si e para todos, uma mulher, Ivone Gebara, debruça-se à beira de seu poço para escutar suas águas profundas. Ela procura e descreve esse caminho, onde se esfuma a fronteira entre ciência e emoção. Levando em conta o eco de sua própria história, ela vai aos poucos desenhando, com impressionante lucidez, as novas faces da liberdade. Mergulhar em sua interioridade para enfrentar os conflitos, mesmo aqueles aparentemente sem saída, constitui, na visão da autora, um dos caminhos que podem levar à liberdade. Em um mundo de crescentes desigualdades, no qual o pensamento se vê ameaçado pela cultura “global”, beber As águas do meu poço é um convite à descoberta da aventura singular de cada um.

O que é Teologia- Coleção Primeiros Passos, Edições Brasiliense, 2006. Ivone Gebara nos proporciona uma visão contemporânea e atual do conceito de teologia. Partindo do conceito convencional – o estudo de Deus, dos deuses e da nossa compreensão da divindade – ela amplia esse entendimento, buscando relacionar as concepções aprendidas com a nossa experiência pessoal e com a dinâmica histórica da humanidade. descreve marcos históricos da teologia cristã, bem como algumas situações específicas, como a Teologia da Libertação, além de analisar a necessidade ou não de uma teologia institucionalizada. Ivone enfatiza a possibilidade de uma teologia pessoal, decorrente da liberdade de escolha do ser humano.

– O que é Teologia Feminista – Coleção Primeiros Passos, Edições Brasiliense, 2007. O livro procura inicialmente analisar por que Deus, o misterioso ser, o criador de tudo, o justiceiro, o misericordioso, o transcendente, a energia cósmica que nos sustenta, foi afirmado nas diferentes culturas e religiões, e igualmente no cristianismo, como prioritariamente masculino. Por que o feminino foi tornado secundário nessa experiência humana? Por que os símbolos da doação da vida, do heroísmo, do sacrifício com reconhecimento público tiveram uma marca distintiva predominantemente masculina? A autora levanta a explicação de que possivelmente esta prioridade masculina tenha a ver com a dominação masculina nas culturas religiosas monoteístas e indaga se haveria caminhos alternativos a serem buscados. Trata-se de um convite ao pensamento contemporâneo como busca de novas relações entre feminino e masculino.

O que é Cristianismo– Coleção Primeiros Passos, Edições Brasiliense, 2008.  Depois de se debruçar sobre temas como O que é Teologia (2006) e O que é Teologia Feminista (2007), ambos publicados pela Editora Brasiliense, Ivone Gebara nos traz uma reflexão instigante sobre o Cristianismo. “Quis abrir a possibilidade de repensarmos a religião cristã como um humanismo ou como criação da arte humana, expressão de nossas necessidades e desejos profundos”. O que é cristianismo, da coleção Primeiros Passos, é dirigido, segundo a autora, não “aos fiéis bem situados e contentes dentro de uma tradição religiosa cristã, mas aos inquietos, aos marginalizados da religião, àqueles que de forma não institucional buscam encontrar valores nas velhas tradições religiosas e humanistas para nutrir o sentido de seu presente”. O livro é dividido em duas partes. A primeira situa o cristianismo historicamente e se atém às interpretações mais correntes de Jesus Cristo, dadas pela tradição de instituições cristãs, particularmente pela Igreja Católica Romana. E, mesmo descrevendo a doutrina oficial, a autora conclui que “aquilo que chamamos de cristianismo na realidade são cristianismos”, na medida em que “novas interpretações do cristianismo continuam a surgir a cada dia mostrando o quanto este fenômeno religioso, cultural, político e social continua vivo e misturado às mais diferentes histórias e situações”. Na segunda parte, o cristianismo é apresentado a partir de outras referências, notadamente de uma reflexão existencial, que permite à autora reler algumas afirmações dogmáticas cristãs no contexto dos dias atuais, incorporando outras correntes do pensamento contemporâneo, a fim de “resgatar os valores cristãos como expressões de uma afirmação positiva de nossa humanidade, inscrevendo alguns aspectos da experiência cristã como uma busca renovada de sentido para a vida, no interior mesmo das contradições que nos habitam”. O livro é um convite à reflexão, guiado por uma pensadora e escritora que não perde a clareza ao tratar de forma tão inovadora e atual um tema complexo como o cristianismo.

Compartir los panes y los peces, teologia y teología feminista, 2008

– Teologia ecofeminista – Editora Olho D’Água. Ecofeminismo tem a ver com mulheres e com a natureza. Seu desafio é captar como ambas estiveram sob o domínio patriarcal masculino. A separação entre a natureza e o espírito científico (este considerado especialidade masculina) tornou-se uma chave interpretativa da civilização ocidental. Grupos humanos mais próximos do pólo natural foram classificados como primitivos e inferiores, o que justificava a dominação sobre eles.

O que é Saudade – Coleção Primeiros Passos, Edições Brasiliense. Tema tão presente e arraigado em nossa cultura, e tão familiar dentro de todos nós, a saudade tem merecido, até o momento, pouca reflexão em língua portuguesa. Contradição que se explica, em parte, pela dificuldade conceitual e grande complexidade que impõe. A presente obra, transitando com maestria entre o poético e o teórico, aborda a saudade em suas mais diversas manifestações e possibilidades. Sua leitura proporciona um raro momento de iluminação de alguns dos espaços mais recônditos do ser.

Vulnerabilidade, Justiça e Feminismos: Antologia de Textos,  Editora Nhanduti, São Bernardo do Campo, 2010.

Ivone Gebara me surpreendeu vivamente desde uma reportagem publicada na grande imprensa, nos anos noventa, em que, numa atitude de grande rebeldia, pronunciava-se em relação ao aborto, defendendo o direito das mulheres ao próprio corpo. Algum tempo depois, em outras notícias da mídia, descobri-a dando palestras em instituições norte-americanas e, ao mesmo tempo, vivendo em Camaragibe, nos arredores do Recife, em meio à população carente. Mas creio que o que mais me impressionou na figura dessa paulistana de origem libanesa, filósofa de formação, foi a defesa acirrada dos direitos femininos. Afinal, não é nada frequente encontrarmos freiras de esquerda, ademais feministas e com sólida formação filosófica. Não demorou muito para que eu a procurasse, propondo um trabalho de pesquisa sobre ela mesma e seu pensamento.
A descoberta tem sido progressiva desde então, e o contato com os seus livros fascinou-me pela lucidez e ousadia na abordagem de temas cruciais.
De modo geral, se Ivone aborda um grande elenco de temas e conceitos, como o cristianismo, a tolerância, a amizade, a felicidade, a teologia, a “pessoa humana”, o Estado laico, o fundamentalismo, as relações sociais e o ecofeminismo, nessa coletânea, alguns se destacam pela importância que assumem em suas preocupações, especialmente marcadas pela crítica feminista, em suas múltiplas dimensões. Pois não se trata apenas da denúncia da violência misógina que leva à exclusão das mulheres, no passado ou no presente, assim como à desqualificação da própria cultura feminina. O feminismo que Ivone defende visa a construção de novos sentidos e olhares para a interpretação do passado, para o resgate da atuação das mulheres em múltiplos espaços e momentos, e também busca abrir novas possibilidades de existência na atualidade, a partir de relações mais solidárias entre as classes, os gêneros e as etnias. É de saídas para o nosso presente que se trata, em todas as suas reflexões.
Margareth Rago

Em mais que 30 textos escritos entre 2001 e 2010 encontramos a voz singular de Ivone Gebara. Ela nos envolve num diálogo direto, convida-nos a pensar e conversar. Formula com cuidado para não ferir, mas questiona situações e pensamentos “evidentes”. Estão presentes o Nordeste – tão querido a Ivone –, a fome, as pessoas pobres, a dominação e a violência, mas também o prazer, a misericórdia e a paixão das relações de amizade, tudo de uma maneira surpreendente que ajuda a lidar com coisas difíceis.
Assim encontramos de novo sua teologia que não fica só com o mal ou só com o bem, mas que mostra um panorama que desafia nosso olhar, que provoca nosso próprio discernimento. As criticas à sociedade e à Igreja estão cheias de amor, ternura, serenidade e clareza – são uma busca por um pluralismo relacionado. Quem lê este livro não encontrará muitas respostas prontas, mas, no tecido dos sentidos, será levada/o ao anseio de um mundo novo, aqui e agora, como um horizonte que nos desafia.
Lieve Troch

Uma antologia mostra o vigor do pensamento de um autor e sua relevância para nosso tempo. Assim é prazeroso ter diante dos olhos, da mente e do coração o pensamento de Ivone Gebara, uma teóloga feminista inserida na vida dos pobres que usa sua inteligência como facho clareador do cotidiano. Atenta àquilo que é não-dito, porque silenciado e ocultado, ela nos revela como irrompe o novo em experiências de fronteira, na liminaridade vivida por mulheres e pobres. É uma amostra da resistência a uma história forjada e contada de forma privilegiada pelo viés masculino, machista e patriarcal.
Ivone, com olhar atento, coração aberto e despojado, ouvido dedicado, língua afiada e mãos hábeis, viabiliza-nos a desconstrução da linearidade machista para enunciar a heterogeneidade como condição propriamente humana, precioso bem de povos e culturas. Assim, rompe com as barreiras epistemológicas do pensamento hegemônico e partilha sua busca cotidiana que é espiritualidade geracriadora de libertação.
Antonio de Lisboa Lustosa Lopes

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