Djanira Silva 18 de outubro de 2021

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Cercados de flores por todos os lados os ponteiros giram em sentido contrário levando-me de volta. No tapete mágico viajo. Viajo como quem vai para não mais voltar. Buquês coloridos, margaridas, sempre-vivas, flores dos campos. As notícias? Num envelope, semeado de flores, as palavras da fada madrinha resgatam lembranças.

No pequeno quarto de uma casa antiga, quando mudava de idade, me encantava com os presentes ganhos. Coisas simples, carregadas de encanto e inocência. E, agora, quando já me pensava esquecida de tudo, chega-me, num passe de mágica, um doce apelo, o apelo da saudade. Sentada no chão do quintal estou de volta.

Na janela de uma caderneta debruada de flores debruço-me e olho para dentro e lá me encontro, novamente criança, sonhando, sonhando apenas. Fada-menina, misturo-me ás rosas, aos, beija-flores, aos girassóis. Nunca vou poder me despedir. O lenço veio para segurar os meus sorrisos. Não é lenço de dizer adeus. Voltarei.

Pequenos quadrados de papel, despertam-me o desejo de escrever coisas simples, coisas breves coisas leves, sussurros, versos simples, trovas de amor.

Os dias estão ali, contados nos cartões, numerados. Anunciam o que vem e o que vai. Já vou.

No tapete mágico volto e volto sorrindo porque alguém descobriu nas cores e nas flores, os meus segredos, os caminhos de voltar para a menina que não me esquece nunca.

Obs: A autora é poetisa, escritora contista, cronista, ensaísta brasileira.

Faz parte da Academia de Artes e Letras de Pernambuco, Academia de Letras e Artes do Nordeste, Academia Recifense de Letras, Academia de Artes, Letras e Ciências de Olinda, Academia Pesqueirense de Letras e Artes , União Brasileira de Escritores – UBE – Seção Pernambuco
Autora dos livros: Em ponto morto (1980); A magia da serra (1996); Maldição do serviço doméstico e outras maldições (1998); A grande saga audaliana (1998); Olho do girassol (1999); Reescrevendo contos de fadas (2001); Memórias do vento (2003); Pecados de areia (2005); Deixe de ser besta (2006); A morte cega (2009). Saudade presa (2014)
Recebeu vários prêmios, entre os quais:

Prêmio Gervasio Fioravanti, da Academia Pernambucana de Letras, 1979
Prêmio Leda Carvalho, da Academia Pernambucana de Letras, 1981
Menção honrosa da Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1990
Prêmio Antônio de Brito Alves da Academia Pernambucana de Letras, 1998 e 1999 
Prêmio Vânia Souto de Carvalho da Academia Pernambucana de Letras, 2000
Prêmio Vânia Souto de Carvalho da Academia Pernambucana de Letras, 2010
Prêmio Edmir Domingues da Academia Pernambucana de Letras, 2014

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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