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No sertão solar
vidas são destroços –
semeiam-se ossos
nesse seco mar

Ossos que enxadas
misturam à terra –
a essas ossadas
já não se faz guerra

Ossos, brancos ossos,
grande cemitério –
a esses, nos fossos,
não se leva a sério

Só vocês restaram,
ossos, duros ossos –
por que tais esforços
contra a sina avara?

Sua permanência,
infindáveis ossos,
à indiferença
não causa remorsos

Sua teimosia,
ossos testemunhas,
à morte fria
não a acabrunha.

Obs: Texto retirado do livro do autor – É Lenta a Palavra Tempo

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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