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Hoje é dia de protesto dos povos indígenas, pois a sociedade brasileira e seus governantes lhes tiraram a alegria de todo dia ser dia de índio. Eles são muitos entre milhões de outros amazônidas, tratados ainda hoje como descartáveis pelas elites civis, militares e políticas deste país tão miscigenado, mas de mentes atrasadas, elites do atraso, como descreve o sociólogo Jessé de Sousa.

Nestes dias chega informação de mais uma desgraça sócio ecológica lá de Itacoatiara Estado do Amazonas. Sábado passado dezenas de famílias daquela cidade saíram correndo de suas casas, por causa de um derrame de gasolina transbordando da Empresa Terminal Fluvial do Brasil S/A. Lá chegaram funcionários da empresa, apenas orientando os moradores a saírem da área, sem prestar nenhum outro socorro. Alto teor de veneno se espalhou pelo bairro, mas até agora não lhes falaram de indenizar os prejuízos.

Tais agressões ambientais e a moradores pobres das cidades amazônicas se repetem constantemente. Em Santarém, além de mais um porto graneleiros dentro da área urbana da cidade, atualmente está sendo construído mais um terminal de armazenamento de combustível, num bairro periférico de Santarém. Depois de implantar 97 % da tal desgraça, sem licença ambiental, a empresa, denunciada por organizações sociais, tenta barganhar um termo de ajuste de conduta, oferecendo pagar um milhão de reais aos moradores prejudicados.

A justiça até agora, está aceitando a continuidade do empreendimento, mesmo sabendo do grande risco de acidentes como o de Itacoatiara. E assim, certamente está ocorrendo em tantas cidades da Amazônia. O progresso capitalista tem vez e voz, a justiça e os políticos se submetem e os que saem discriminados são os indígenas, os ribeirinhos, os moradores de periferias. Afinal, até quando o lucro prevalecerá sobre as vidas humanas na Amazônia?

Uma hora é violação de rios com empreendimentos de risco, outra hora são madeiras extraídas ilegalmente e apoiadas pelo ministro do meio ambiente e assim vai a destruição dos povos e da biodiversidade de nossa Casa Comum. Até quando? Editorial para RNA 19.04.2021

Obs: O autor é membro da organização da Caravana 2016
Coordenador da Comissão Justiça e Paz da Diocese de Santarém (PA) e membro do Movimento Tapajós Vivo.
Autor dos livros: Amazônia: o que será amanhã? (Vol I e II) e Uma revolução que ainda não aconteceu.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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