Taciana Valença 1 de setembro de 2021

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Da janela vejo a vida passar. Vejo o senhor, diariamente vender seu mungazá. Faça chuva, faça sol. Queres? Assim ele passa, e os dias passam.
O vendedor de vassouras que grita algo que não consigo entender, o de ovos: trinta ovos por R$ 11,99, compre economizando e economize comprando.

Cada um a vender o que lhe cabe, às vezes a si mesmos. É assim o mundo que anda debaixo da minha janela. O vendedor de flores, de gás, de água, de verduras.

Eu gosto disso, gosto de poder comprar aos pequenos, aos que diariamente saem para seu sustento. E fico feliz por poder fazê-lo. Penso em toda a cadeia nesse processo difícil que é viver.

E o tempo passa, para mim, para ele.

Olho meu rosto, já mais velho pelo passar e começo a aceitar o fim, que já não assusta. Passo a confiar em um projeto de Universo que não me cabe conter. É se deixar ir na onda. Em algum lugar haveremos de descansar, nem que seja no nada.

Acho que a idade faz isso. Há um ser sábio comandando o espetáculo. Ou não há?
Deus, me dá um olá!

Sim, sim, ele nos cumprimenta todos os dias. Ele ou ela?

Ah! Deusa minha, como és perfeita em tudo.
Nos faz pisar na grama, no barro, na lama, vez por outra um tapetinho vermelho ruborizado.
Deusa que habita minhas noites em claro, me diz, onde Deus foi coroado? Ele me espera do outro lado?

Perdoe questionamentos sem fim, ando um tanto isolada do mundo. É, é sim, estamos em treinamento. Acredito em um propósito. Existe algo que temos que aprender.

E a vida passa pela minha janela, as rugas surgem e já não me assusta o que vem depois do céu, aberto e infinito.

E a vida passa rápida pela janela e todos os dias eu pego carona com ela.

Obs: A autora é poeta, administradora e editora da Revista Perto de Casa.
http://pertodecasa.rec.br/

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Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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