Lug Costa 15 de setembro de 2021

Lembro-me da história de um menino que pensou em garantir a sua total privacidade para ter mais tempo para dedicar aos seus interesses. Pediu ao seu pai que construísse uma torre toda equipada, de tal forma a evitar a entrada de qualquer pessoa que pudesse importuná-lo. Tão logo foi concluída a torre, ele mudou-se para lá, e ali transcorria semanas e meses sem que ninguém o disturbasse. Estava contente porque era dono de sua vida e do seu mundo. Ninguém tinha nada a dizer da sua vida. Da torre, as vezes olhava da janela, contemplava a vida das outras pessoas. Brincavam, discutiam, trabalhavam juntas, plantavam, partilhavam os sofrimentos e sonhos. Mas nada daquilo lhe tocava a alma. Sentia-se seguro dentro de sua torre. E ali passou muitos anos de sua vida sentindo-se completamente livre. Jamais permitiu que nem mesmo sua mãe “invadisse” a sua torre. De vez em quando mandava um bilhetinho para ela. Um dia, sentindo que a morte estava se aproximando, quis que sua mãe estivesse na cabeceira do seu leito. A mãe tomando um pedaço de papel escreveu ao filho: “Filho, não posso entrar na tua torre. Escolheste viver a tua liberdade, o teu mundo, sem a interferência de ninguém. Tu eras o único a te considerar livre, porque todos nós que jamais pudemos te visitar na tua torre. Para nós tu és um escravo. Quantas vezes mandei dizer que sentia tua falta, que te amava mais que tudo. E a tua resposta foi sempre a mesma: “Não preciso do amor e nem do carinho de ninguém. Não estou fazendo nada de errado!”. Filho, vai até o fim na tua escolha, não podemos infligir a tua sagrada liberdade, e nem muito menos, invadir a tua impenetrável torre”.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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