Paulo Cesar Paschoalini 15 de agosto de 2021

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Ser poeta é, por sua vez,
questionar os inúmeros ‘porquês’;
é roubar do tempo a rapidez
e querer o que a vida desfez.

É expressar os gritos da mudez
e fazer ouvir ruídos na surdez;
é ver no translúcido a nitidez
e saborear o doce da acridez.

É tatear o morno da tepidez
e transformar a frieza em calidez;
é despir de pudor toda nudez
e despertar a libido da frigidez.

É desembaraçar-se diante da timidez
e agigantar-se em pequenez;
é fartar-se em plena escassez
e permitir inquietação à placidez.

É tratar com suavidade a rispidez
e converter indelicadeza em polidez;
é fazer da aspereza, maciez
e revelar humildade à altivez.

É propor prudência à insensatez
e buscar a cura para a morbidez;
é estar sóbrio de embriaguez
e mostrar-se demente de lucidez.

É dotar a estagnação de fluidez,
e extrair as cores da palidez;
é dar às vontades humanas solidez
e aos corações empedernidos, flacidez.

E nas linhas, que no papel se fez,
rascunhar, com leveza e avidez,
os desalinhos da alma, de vez,
com todas as certezas de um ‘talvez’!

– Poesia classificada como 10ª colocada no “5º Concurso Nacional de Poesia”, da cidade de Descalvado-SP, e publicado na coletânea “Marcas do Tempo VIII”, no ano de 2006.

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 IMAGEM SUGERIDA: (enviada pelo autor)

Site: https://pixabay.com

Obs: Paulo Cesar Paschoalini nasceu em 20 de março de 1960 em Piracicaba-SP. É graduado  em  Licenciatura  em  Filosofia,  escritor  de  poesias  e  contos,  com  premiações em Concursos nacionais e internacionais, tendo, inclusive, textos  de ambos os  gêneros  publicados  no  exterior. No ano de 2003 publicou o  livro “Arcos e Frestas”, “3º Concurso Blocos de Poesias”. Também já foi  premiado  na  categoria  crônicas, sendo  que algumas  delas  foram  publicadas  no  Jornal  de  Piracicaba  em  2001, 2002  e  2005. É compositor (letrista) de vinte músicas de diversos estilos. É Acadêmico da “CLIP – Confraria da Liberdade e Independência Poética”, onde ocupa a cadeira nº 32, tendo como patrono o poeta Mário Quintana. Escreveu os originais de “Mar adentro, mundo afora” (poesias) e “Paredes e tons” (contos), aguardando patrocínio para lançamento.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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