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O que sinto é que quanto mais corajosos e fiéis a nós mesmos somos, mais se abre um mundo criativo e potente a partir da nossa individualidade.

Temos medo de ter medo. Mas também tememos aonde a nossa coragem pode nos levar. Aliás, coragem nada tem a ver com a ausência do medo e, sim, sobre a forma como lidamos com o que nos amedronta. Dependendo da situação, tanto o medo como a coragem podem preservar a nossa vida.

Em nossa trajetória nem sempre é fácil discernir se estamos sendo corajosos ou apenas irresponsáveis frente à realidade apresentada. É muito tênue a linha que separa a coragem da insanidade. Por isso a importância de se conhecer minimamente, e uma boa psicanálise pode contribuir para essa busca de se haver consigo mesmo.

Outro fator consiste do fato de que a coragem é sempre subjetiva. A mesma pessoa que desce sorrindo em uma montanha-russa altíssima, pode no próximo instante chorar por ver uma barata. O mesmo indivíduo que corajosamente decide abandonar sua profissão para começar outra carreira, pode não ter a mesma coragem em assumir uma falha quando percebe que errou. Por isso, julgar a coragem e o medo do outro é dar um tiro no próprio pé.

Temos medo de aonde a nossa coragem pode nos levar porque ela abre um caminho até então desconhecido e sem “garantias” nesse novo trajeto. Por isso nos acostumamos com o medo “paralisante”, porque parados, temos a fantasia de que não nos acontecerá nada de diferente, nem de nocivo. É um lugar costumeiro, que pode gerar dor, porém, é uma dor conhecida.

Em nome de uma suposta zona de “conforto”, preferimos ficar sentados no sofá da sala, pela incapacidade de prever se o sol lá fora se porá da forma bonita como esperamos. Pelo medo de sentir frio, não dançamos na chuva.

Temos medo de aonde a nossa coragem pode nos levar porque determinados posicionamentos e ideias que fazem sentido para nós, podem causar o afastamento de pessoas que convivem com a gente. Inclusive daquelas que amamos.

Devido as perdas que experienciamos ou aquelas que tememos vivenciar, acabamos por nos trair aceitando calados determinados comportamentos e discursos que não nos representam. Adaptando a composição de Renato Russo, trair a si mesmo é sempre a pior traição.

O que sinto é que quanto mais corajosos e fiéis a nós mesmos somos, mais se abre um mundo criativo e potente a partir da nossa individualidade. Essa abertura interna pode se transformar em ações coletivas e éticas muito além do que imaginamos. Como belamente escreveu o poeta Paulo Leminski: “Isso de ser exatamente o que se é ainda vai nos levar além”.

Obs: O autor é Psicólogo, palestrante, terapeuta de família casal.
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Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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