INTRODUÇÃO

A bela e poderosa meditação cantada (Mantra Yoga e Nãda Yoga), aqui apresentada, foi construída com contribuições budistas, hinduístas e judaico-cristãs e pode ser praticada por qualquer um, independentemente das crenças religiosas pessoais (ou não crenças).

Ela é composta de saudações reverenciais iogues, alguns mudras (budistas e hinduístas), meditações embasadas em mantras/cânticos de diferentes tradições e uso da tigela cantante tibetana (sino tibetano).

Os mudras são gestos feitos com as mãos que, para o Hinduísmo, ajudam a sincronizar “terapeuticamente” o nosso corpo (e suas energias) com as principais energias do Universo. Já no Budismo eles seriam mais simbólicos e relacionados com pensamentos, palavras e ações.  Em relação aos mantras, podemos afirmar que são sons e dizeres plenos de significado (algum dos quais serão relatados nesse texto) e que também ajudam a proporcionar um estado meditativo.

A prática é de fácil execução e o tempo gasto (em média 30 minutos) pode ser aumentado ou abreviado. Por exemplo, ao invés de cantar os mantras três vezes (mínimo ideal) você poderá fazê-lo apenas uma vez (exceto com o mantra OM), encurtando o tempo gasto para 15-20 min. Ou quantas vezes você desejar para prolongá-la um pouco mais, de preferência, em múltiplos de três ou sete.

Entretanto, aconselha-se, principalmente para os neófitos, que os momentos-mantras, apresentados a seguir, sejam vivenciados e apreciados gradativamente. Por exemplo: no primeiro dia, o praticante realiza a preparação, o momento-mantra 1 e o encerramento. Em outro dia, faz a preparação, o momento-mantra 2 e o encerramento. Segue, assim por diante, até sentir-se seguro e confortável  para começar a juntar todos os momentos-mantras.

É extremamente relevante frisar que, em momento algum, apesar do que é sugerido adiante, você deve se preocupar com quantitativos fixos ou qualquer tipo de rigidez. Nessa prática, intenção e qualidade são muito mais importantes do que quantidade e disciplina. Portanto, siga seu ritmo, desfrutando e celebrando, diariamente se possível, em paz e sem cobranças, o prazer de um momento tão especial e de significado tão sublime.

Todos os mantras aqui compartilhados podem ser encontrados na internet e você deve se sentir totalmente livre para alterar a musicalidade e entoá-los da maneira que mais lhe agrade, sem mudar, entretanto, o som de cada sílaba para que o significado não mude. Mas, repito: não se preocupe com pequenos detalhes, pois a intenção é, de longe, o aspecto mais importante em qualquer etapa.

ETAPAS E MANTRAS

Antes de irmos adiante, é importante ressaltar que existem dezenas de mudras,  vocábulo que pode ser pronunciado de maneira tônica (mudrá), assim como inúmeras interpretações de seus significados. Para os 10 mudras que compõem a Yoga do Sol de Ouro, compartilho as explanações que acredito serem as mais coerentes com o “espírito” que embasa e conecta todas as diferentes tradições aqui compiladas e, também, direta e indiretamente, com a Ciência, não exaltando nem fazendo culto a personalidades ou deidades, de forma particular ou especial.

 Preparação

Assuma a posição/postura que se sentir mais confortável ou familiarizado, podendo utilizar tanto o chão, com ou sem almofadas, cadeira, poltrona, etc, de preferência, mas não obrigatoriamente, com a coluna ereta;

A seguir, adote o gestual Dhyana Mudra, que simboliza o “estado meditativo” e/ou “estado de contemplação”, com os polegares se tocando e formando o “Ovo Primordial”, o “Ovo Cósmico”, o “Universo Manifestado”, indicando, alegoricamente, o cuidado e o acolhimento, não só a si e ao seu Eu Interior, mas também com a Humanidade, a Biosfera e com o Planeta.

Para algumas correntes esse mudra também indica a importância, o prazer e a felicidade de se estar buscando a Sabedoria Plena e a intenção de se utilizar o Conhecimento para ajudar a evolução e o bem-estar de todos os seres. Sugiro que, durante a adoção do mudra, você “mentalize” esse “compromisso”.

Com os olhos fechados, mas que podem permanecer abertos ou semicerrados (nesses dois casos, de preferência, com uma inclinação de 45 graus), realizar, pelo menos, sete respirações profundas e plenas de atenção, tanto no inspirar quanto no expirar. E aqueles/as que assim o desejarem, podem realizar, nesse momento, uma meditação silenciosa, com maior duração, podendo utilizar qualquer técnica que já tenha alguma experiência prévia ou afinidade, ou apenas continuar se concentrando na respiração, sem se importar com qualquer pensamento que venha a mente. Foque no ato de inspirar e expirar, e no próprio ar entrando e saindo de seu nariz, traqueia, brônquios e pulmões.

Vale lembrar que o silêncio é considerado, não só um remédio para a “agitação” do dia-a-dia, mas também um “portal” que nos conduz ao “sagrado” que está “dentro” de cada um de nós.

 Quando se sentir um pouco mais tranquilo/a (ou “desacelerado/a”) realizar uma saudação/reverência iogue/budista tradicional (anjali mudra) uma única vez, de forma tripla, isto é, 1º saudando a Luz Infinita, a Iluminação, a Espiritualidade (chacra coronal, o chacra das mil pétalas, no ápice do crânio). Em 2º lugar, saudando a Clareza Mental, a Lucidez, o Discernimento, a Sabedoria (chacra frontal, o “terceiro olho”, no centro da testa) e, em 3º, saudando a Compaixão, a empatia e a capacidade de amar a todos os Seres e também a si mesmo (chacra cardíaco, no centro da caixa torácica).

A seguir, adotar a Svadhisthana Mudra, que simboliza a solicitação, ao Universo, ao Absoluto, ao Eterno, por proteção, bem-estar e saúde, em todas as dimensões, principalmente enquanto estiver na Senda e servindo à Humanidade e à Biosfera.

Soar a tigela cantante (sino tibetano) três vezes. Após cada batida, retorne ao Svadhisthana Mudra e “mentalize” o pedido enquanto a tigela estiver reverberando, e/ou se concentre na respiração, deixando o som emitido “interagir” com seu corpo, com sua mente e com o ambiente.

Atenção: após cada batida, espere a total dispersão do som emitido pela tigela antes de soá-la novamente, continuando a realizar, quantas vezes achar necessário, inspirações e expirações, plenas de atenção, e/ou a “mentalização” do seu desejo por um bem-estar físico, emocional, social e existencial.

Momento-mantra 1:

 Após essa preparação (ou introdução ritualística), esperar a dispersão do som emitido pela terceira batida na tigela, fazer uma inspiração profunda e entoar, três vezes, o mantra OM, que é considerado o mais importante de todos os mantras e a síntese de todos os sons, além de ser o mais “identificado” com a Unidade Universal. Ele é também “interpretado”, por muitas tradições, como sendo o “corpo sonoro” do Universo, equivalente ao Aum e ao Amém.

Quando entoá-lo, com tom grave, “mentalize” que você está, através dele, em total sintonia, “intimidade” e se “integrando” com o Universo. Se sinta “infinito”, experimentando “ser”, realmente, o que você já “é”. Vale a pena lembrar que, sim, cientificamente, você verdadeiramente é “constituído” da mesma energia do Big Bang, causado pelo “Ponto de Energia”, pela “Singularidade”, pelo “Átomo Primordial”, que possui diferentes “denominações” nas diferentes tradições.

 Depois, voltar ao Dhyana Mudra e entoar, três vezes, o mantra “Sutra do Lótus”, da tradição budista japonesa Nichiren/Nitiren, o Nam-myoho-renge-kyo, que deve ser considerado como uma “declaração de consciência” e/ou “testemunho público” da intenção de se dedicar à maravilhosa busca do despertar da Sabedoria, simbolizada pela Flor de Lótus que existe em todos nós. Esse mantra também expressa a consciência da Lei de Causa e Efeito e um compromisso com o Princípio da Responsabilidade Ilimitada, que reforça nossa corresponsabilidade por tudo e por todos, através de uma interminável sucessão de causas e efeitos, que nos interliga e interconecta, desde o Big Bang.

 Nam-myoho-renge-kyo
Nam-myoho renge-kyo
Nam-myoho-renge-kyo

Uma possível tradução/interpretação literal do japonês pode ser: nam = devoção/dedicar a vida; myo = maravilhoso/místico/essencial; ho = lei ou manifestação da vida; renge = flor de lótus, sabedoria, compaixão universal, semente e manifestação, causa e efeito, ação e reação; kyo = resultado do ensinamento, caminho, fio, sutra.

Em suma, a frase inteira pode ser entendida como sendo a seguinte mensagem: vivo consciente e em consonância com a maravilhosa e universal Lei de Causa e Efeito, praticando sábias ações.

 Momento-mantra 2

Saudação iogue tripla, seguida do gestual Bhumisparsha Mudra  que expressa um pedido de apoio e suporte ao planeta Terra, a Gaia e a Biosfera durante a sua caminhada na Senda do Autoconhecimento, do Despertar, da Iluminação, para que sejam “testemunhas empáticas” desse trilhar.

Soar a tigela cantante (uma única vez) e esperar o fim da reverberação da tigela, enquanto realiza respirações plenas de atenção e/ou “mentaliza” o pedido de apoio. Quando se achar “pronto”, inspirar profundamente e pronunciar três vezes o mantra OM.

Voltar ao Dhyana Mudra e entoar três vezes o Mantra da Plenitude ou Mantra da Paz, que é um “jogo de palavras” em torno do vocábulo purna ou purnam que significa pleno. Essa palavra sânscrita é acompanhada, nas quatro linhas que compõe o mantra, por dois pronomes, três verbos e uma partícula de realce.

Apesar de sua aparente simplicidade, esses versos são tão profundos, tão ricos de ensinamentos e permitem tantas inspirações e insights, que Gandhi teria dito: “Se todos os Upaniṣhads (textos religiosos-filosóficos do Hinduísmo) desaparecerem da face da terra eu não me importaria, desde que esta estrofe permanecesse.

purnam-adah purnam-idam
purnat purnam-udachyate
purnasya purnam-adaya
purnam-eva-avashisyate
om

 

As mais aceitas traduções/interpretações literais do sânscrito original (que não possui letras maiúsculas) são: “isto é Pleno, aquilo é Pleno; o que vem do Pleno é Pleno; o que fica depois do Pleno é Pleno; é Pleno o que for retirado do Pleno”. E também: “este Pleno é Pleno; esse Pleno é produzido do Pleno; do Pleno, tendo tirado o Pleno, realmente resta o Pleno”. E ainda: “se tudo é o Pleno, tudo que vem do Pleno só pode ser Pleno”.

Numa livre analogia, poderíamos dizer que esse mantra nos relembra, ou tenta despertar algo que está “adormecido” dentro de todos nós, “esperando”, quietinho, num “cantinho bem íntimo”: Somos apenas uma gota de água no oceano cósmico. Entretanto, ela tem dentro de si todo o oceano cósmico. Ou, ainda, que somos um grão de areia no Universo, mas que todo o Universo está dentro desse grão de areia.

Momento-mantra 3

Saudação iogue tripla. A seguir, adotar o gestual Abhaya Mudra , que significa “destemor/coragem durante a caminhada na Senda da Iluminação”.

Soar a tigela cantante. Ao fim do ressoar da tigela, enquanto realiza respirações plenas de atenção e/ou mentaliza “o compromisso com o destemor”, pronunciar três vezes o mantra OM, sempre inspirando profundamente antes de emitir o som para, inclusive, “empoderá-lo” aumentando o seu alcance e difusão.

Voltar ao Dhyana Mudra e entoar, por três vezes, o Moola Mantra hari om tat sat que é, ao mesmo tempo, uma evocação e um reconhecimento da Unicidade de todas as coisas, independente do “apelido” que você preferir utilizar. Ele é um dos mantras mais antigos da Tradição Védica, considerado como sendo o Mantra Raiz/Fonte/Básico.

om sat-chit ananda parabrahma
purushotama, paramatma
sri bhagavathi sametha
sri bhagavathe namaha
hari om tat sat

Uma possível tradução/interpretação literal do sânscrito original pode ser a seguinte: Om, o som original/criador do Universo; Sat, existência, realidade; Chit, consciência; Ananda, beatitude ou bem-aventurança (no Vedanta) e/ou êxtase, felicidade suprema ou ainda, infinita. Entretanto, os vocábulos juntos (satchitananda) podem significar “consciência da felicidade/existência eterna/absoluta” ou, até mesmo, um dos “nomes” do Eterno; Parabrahma, o “Maior de Todos”, o “Sem Forma”, aquele que está além do espaço e do tempo; Purushotama, o Divino manifestado; Paramatma, o Divino em nosso coração; Sri, palavra que designa tratamento cerimonioso a uma alta consciência; Bhagavathi, o aspecto feminino do Divino; Sametha, em conexão com; Bhagavethe, aspecto masculino do Divino; Namaha, eu me entrego, respeito e reverencio; Hari Om Tat Sat, Salve Grande Espírito/Suprema Personalidade, não há separação entre mim e Ti. Ou, ainda, “não há separação entre o manifestado e o não manifestado ou entre o visível e o invisível”.

Momento-mantra 4

Saudação iogue tripla e, em seguida, adotar o gestual Varada Mudra, expressando compaixão e compromisso de servir à Humanidade e a todos os Seres.

Soar a tigela cantante e, durante a reverberação, realizar respirações plenas de atenção e/ou reafirmar, “mentalmente”, seu compromisso de dedicação. Quando se sentir “pronto”, pronunciar três vezes o mantra OM. Retornar ao Dhyana Mudra e entoar três vezes o mantra om mani padme hum, o mais entoado pelos budistas de todas as denominações.

Ele é conhecido como o Mantra da Compaixão e da Misericórdia ou, ainda, o Mantra da Louvação à Sabedoria Universal, atemporal e perene, que pode “brotar/florir” até nos mais difíceis contextos. Também conhecido como o Mantra das Seis Letras (om, ma, ni, pad, me, hum);

om mani padme hum
om mani padme hum
om mani padme hum
om mani padme hum

Esse mantra pode ter a seguinte tradução/interpretação literal do sânscrito original: Om, o som divino, como já dito anteriormente, e que também pode significar corpo, fala e mente pura; Mani, joia; Padme (pronuncia-se, em Tibetano, pême), lótus, sabedoria, iluminação, lucidez; Hum, indivisibilidade.

Em conjunto, esse mantra pode ter a seguinte interpretação: “Ó, Joia do Lótus” ou ainda “Salve a indivisível Joia do Lótus” ou “Salve a indivisível Sabedoria Universal”.

Momento-mantra 5

Saudação iogue tripla, seguida do gestual Karana Mudra (predisposição ou atitude de rechaço a tudo o que é oposto à Sabedoria, à Iluminação e à Compaixão, isto é, resistência e repulsa à ignorância e seus “produtos” negativos como o fanatismo, a intolerância, o egoísmo, a ganância e a indiferença com a sorte dos outros Seres, da Biosfera e do Planeta.

Soar o sino tibetano. Esperar o fim do ressoar, enquanto realiza respirações plenas de atenção e/ou mentaliza o compromisso com o que esse gestual representa. Então, após uma inspiração profunda, pronunciar três vezes o mantra OM.

Voltar ao Dhyana Mudra e entoar três vezes o Mantra Dourado ou Mantra da Iluminação, também conhecido como o Mantra do Guru Rinponche/Padmasambhava;

om ah hung benza/vajra guru pema/padma siddhi hum

 Uma possível tradução/interpretação do sânscrito original é: solicito a benção da “Sabedoria do Lótus” e os poderes espirituais, a lucidez e os instrumentos/dons da Iluminação e do Despertar.

 Momento-mantra 6

Saudação iogue tripla, seguida da adoção do gestual Dharmachakra Mudra  que, entre muitas possibilidades, pode ser interpretado como reconhecimento e importância das Leis Universais/Dharma, do fluxo contínuo da Energia Universal, e de que todos nós  somos parte dessa Energia, num continuo e interminável processo de transformação qualiquantitativa.

Soar a tigela cantante. Esperar o fim do ressoar da tigela, enquanto realiza respirações plenas de atenção e, novamente, pronunciar três vezes o mantra OM. Voltar ao Dhyana Mudra e entoar três vezes o Mantra do Coração que é um convite para que todos trilhem o Caminho/Senda da Iluminação.

om gate gate paragate parasamgate bodhi svaha

 Dentre as possíveis traduções/interpretações do sânscrito original, destacamos: “para a outra margem, para a outra margem, para a outra margem do rio, todos para a margem onde está a Sabedoria/Luz, Viva/Aleluia/Salve!” ou “atravessar, atravessar, vamos atravessar, vamos todos fazer a travessia para a Iluminação/o Despertar, Viva, Aleluia, Salve!”.

Momento-mantra7

Fazer a saudação iogue tripla e depois adotar o Vitarka Mudra  que simboliza o compromisso de compartilhar a Sabedoria com todos e todas.

Soar a tigela cantante e esperar o fim do ressoar, enquanto realiza respirações plenas de atenção e/ou mentaliza o compromisso de ser, o tempo todo, um aprendiz, mas também um “educador”.

Quando se sentir “satisfeito”, entoar três vezes o mantra OM. A seguir, voltar ao Dhyana Mudra e entoar três vezes o mantra Que Florezca la Luz, cuja tradução do espanhol é “que a Luz floresça”.

Altissimo corazón
Altissimo corazón
Altissimo corazón, que florezca
Que florezca la Luz
Que florezca la Luz
Que florezca la Luz
Que florezca…

Encerramento

Saudação iogue tripla, seguida da adoção do Padma Mudra (Mudra da Flor de Lótus, ou Mudra do Amor, da Compaixão e da Sabedoria). Enquanto estiver “encenando” este mudra,“mentalizar” que está acolhendo, dentro da flor, a Humanidade, o Planeta, a Biosfera e, até mesmo, o próprio Universo.

Realizar as três últimas batidas na tigela cantante Tibetana, com inspirações e expirações plenas de atenção entre elas. Após a última batida, esperar o fim do ressoar e entoar, derradeiramente, três vezes o mantra OM. A seguir, desfaça o Padma Mudra e realize a saudação Iogue tripla, encerrando a Yoga do Sol de Ouro.

Aconselha-se, fortemente, continuar em meditação silenciosa por pelo menos três minutos, acompanhada ou não do gestual de meditação/contemplação, isto é, o Dhyana Mudra.

REFLEXÕES FINAIS:

Yoga é uma palavra sânscrita, com muitos significados, singulares e coletivos. A aqui compartilhada seria melhor definida como “unir, religar, juntar, integrar”. É uma ferramenta para o autoconhecimento (o “mergulho” em si mesmo) que ajuda o praticante a harmonizar-se e alinhar-se com o seu “Eu Interior”, o “Observador Silencioso”,  reconectando-o com o “Eu Exterior”, subsidiando a busca por um sentido existencial aqui nesse lindo, frágil e especial “Planeta Azul”, nossa morada nesse incomensurável e arrebatador Universo.

Além disso, ela colabora, como uma prática de concentração, para aquietar a mente e melhorar a “atenção plena”, isto é, estar conscientemente “inteiro” a cada momento, assim como para diminuir o estresse e a ansiedade do dia a dia, através de um “relaxar” físico e mental, atributos esses que, em conjunto, podem contribuir para a saúde pessoal (em todas as dimensões) e uma melhor qualidade de vida.

E, acima de tudo, ela é um presente, como uma Flor de Lótus, para aqueles que desejam entrar ou permanecer na Senda ou Caminho/Tao da Iluminação que, entre muitas definições, pode ser entendida como um “estado de consciência”, onde você, “desperto”, se reconecta/religa (yoga) com a Biosfera, com o Universo, com o Eterno Uno, a Totalidade Infinita, o Absoluto, quando então termina a “Heresia da Separatividade”, reconhecendo a “Unidade da Multiplicidade” e o Sutratmã, “fio” que nos liga a tudo, a todos e ao Eterno, valorando a importância de todos os “outros” e de um pluralismo universal, o que iniciará (ou irá ajudar) o processo de extinção gradativa do egoísmo, na mesma proporção que aumentará sua preocupação, compromisso e dedicação com o bem-comum e o bem-estar de todos os seres.

Termino com votos de Paz, Amor e Sabedoria para todos e todas.

Obs: O autor é educador, Livre-Pensador, profissional de saúde, professor universitário, pesquisador, escritor, gestor de Políticas Públicas e militante/ativista da Bioética, do Humanismo e Da Inclusão Científica.
Formado pela UFRJ, é Ph.D pela Universidade de Leeds-Inglaterra, e membro das Academias Pernambucanas de Ciências e de Medicina.
Foi Secretário Executivo de C&T e Ensino Superior do Estado de Pernambuco e Secretário Executivo de Desenvolvimento da Educação de Pernambuco.

É autor dos livros Ética, Bioética e Humanismo na Pesquisa Científica; Contribuição ao Conhecimento; Iniciação em Pesquisa Científica; Flunático: fluminense fanático e lunático, Um Outro Mundo é Possível (2021) e criador da aula espetáculo Somos Todos Cientistas.

Atualmente é Coordenador do Curso de Medicina da UPE e membro da Câmara de Bioética do CREMEPE.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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