Santíssima Trindade (Mt 28, 16-20)

Domingo da Santíssima Trindade, oportunidade preciosa para melhor conhecermos o Deus que adoramos. Trata-se de um mistério para nós, pois só podemos conhecer realidades finitas, mas um mistério que se revela em vista da nossa salvação. Repito, Deus se revela como Pai, Filho e Espírito Santo para que possamos nos salvar, a saber, viver a felicidade de Deus por toda a eternidade.

Para que pudéssemos conhecer porque existimos era necessário que Deus nos revelasse de modo acessível à nossa condição humana seu projeto para a humanidade. Daí o sentido da encarnação do Filho eterno de Deus na pessoa de Jesus Cristo, também homem como nós, falando e agindo como ser humano, para assim nos revelar o Deus inacessível. E isto ele o faz em suas palavras e em suas ações, que nos demonstram ser Deus um Pai misericordioso, que nos ama infinitamente, que nos quer felizes. É o que nos ensinam as parábolas de Jesus (Lc 15, 3-32), bem como seu comportamento com relação aos pecadores (Lc 19, 1-10) e aos mais sofridos de seu tempo (Lc 7, 11-17). As palavras e as ações de Jesus são as palavras e as ações do próprio Deus, como ele tantas vezes repetiu (Jo 8, 19; 14, 9)

Mas Jesus Cristo não apenas nos revela quem é Deus, mas também quem somos nós. Pois correspondendo plenamente à vontade do Pai, ele nos revela o sentido último de nossa existência: sermos filhos do Pai como ele, sermos irmãos de nossos semelhantes, sermos membros da família de Deus, Pai de todos, sermos construtores de uma nova sociedade. Portanto ele não só nos revela Deus, mas também como podemos corresponder a seu desígnio quando nos chamou à vida. Nesse sentido Jesus Cristo é realmente caminho para Deus (Jo 14, 6), é luz (Jo 1, 9) que ilumina nossos passos nesta aventura que é a vida humana, pois não suportamos viver nas trevas ignorando porque existimos.

Apesar dos conflitos permanentes durante sua vida pública, Jesus não se intimidou e levou sua missão de anunciar o Reino de Deus, a saber, a humanidade querida pelo Pai, até o fim de seus dias, numa corajosa e heroica coerência de vida. Sua ressurreição confirma que viver o amor fraterno nos conduz a uma vida plena e feliz em Deus. Portanto toda a vida de Jesus Cristo foi mais um gesto de Deus a nosso favor.

Entretanto os contemporâneos de Jesus o viam como alguém diferente, dotado de uma forte personalidade, coerente com o que pregava e de enorme sensibilidade pelos mais sofridos daquela sociedade. Viam nele um profeta dotado da força de Deus, que se manifestava em suas palavras (Mt 7, 28s) e em suas ações (Jo 5, 36; Mt 11, 2-6). Esta força de Deus, já no passado de Israel era comparada a um vento, responsável pelas boas colheitas ao trazer chuva, portanto sentido em seus efeitos, mas inacessível aos humanos. Vento, em grego pneuma, ao qual corresponde o termo latino espírito.

Daí a comunidade primitiva ver Jesus como alguém dotado do Espírito de Deus, Espírito este que o acompanhou durante toda a sua vida (Mc 1, 10-12; 6, 46) e que ele nos envia também para nos acompanhar em nossa caminhada (Jo 14, 26; 20, 22). Se Jesus Cristo é Deus que entra em nossa história como um de nós, o Espírito Santo é Deus que vem ao nosso coração, aconselhando-nos em nossas decisões e fortalecendo-nos para executá-las. É o maior dom que Deus nos faz: leva-nos a Jesus Cristo (1Cor 12, 3), incentiva nossa caridade (Gl 5, 22s), nos fornece consolação, paz e alegria (1 Ts 1, 5).

Somos cristãos porque caminhamos para o Pai no seguimento de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo. É toda a Trindade debruçada sobre nós para que possamos nos salvar e viver uma felicidade sem fim. Deveríamos agradecer cada dia a Deus Pai que nos chamou à existência, a Deus Filho que revelou o sentido de nossa vida e a Deus Espírito Santo que ilumina e fortifica nossa caminhada para Deus. MFM

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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