https://www.profmarcelcamargo.com/
https://www.facebook.com/profmarcelcamargo
https://www.instagram.com/profmarcelcamargo/

Quando você pensa no que passou e nas pessoas que lá estiveram, sem mágoa em seu coração, é porque você já perdoou, já se perdoou. Já superou.

Enquanto vivemos, vamos acumulando momentos bons e experiências ruins. O que é bom fica no coração e a gente sempre para lá retorna quando a saudade dói. Já as experiências ruins parecem teimar em ficar ali grudadas e nos cutucando com frequência.

Talvez isso ocorra porque temos que usar o que deu errado em nosso favor, retirando lições, ressignificando nossa visão do mundo e das pessoas, mudando nossos comportamentos nocivos e nos afastando de tudo o que faz mal. Infelizmente, porém, nem sempre temos forças para usar o que dói como ferramenta de aprendizado e de superação. E a dor então não sai dali, não muda nem nos transforma, como deveria.

Ninguém quer dar errado, a gente sempre espera o melhor das pessoas, dos relacionamentos, da vida enfim. Por isso, quando as coisas vêm na contramão de nossos planos e desejos, derrubando nossos sonhos pelo caminho, ficamos vulneráveis e enfraquecidos. Nada mais parece fazer sentido, ninguém mais parece ser confiável. Lutar contra isso tudo requer uma força descomunal, que, principalmente no início da escuridão, não conseguimos reunir.

Muitas vezes, vamos levando a vida, trabalhando, empurrando os dias com a barriga, embora desmoronados por dentro. Nessas horas, vale muito ter com quem contar, seja um familiar, um amigo, seja um profissional. Isso porque, se ficarmos contando somente com o que temos dentro de nós, não teremos muito, a não ser arrependimentos, culpa e impotência. As pessoas que enxergam nossas tempestades de fora possuem uma visão menos emotiva do que nos aconteceu e certamente analisarão tudo com mais coerência e esperança.

O importante é seguir, continuar, jamais desistir de ser feliz. Após decepções doídas, perdas irreparáveis e doenças devastadoras, nunca mais seremos iguais. Necessitamos nos esvaziar por dentro, para que consigamos nos reconstruir, a pouco e pouco, renovados e distantes das dores de ontem. E então a gente muda, bem lá dentro. E segue.

Não tem outro jeito. Quando você pensa no que passou e nas pessoas que lá estiveram, sem mágoa em seu coração, é porque você já perdoou, já se perdoou. Já superou. Quando você sorri ao se lembrar, é gratidão dentro de você. E, então, você entendeu tudo. O processo de cura é esse. É assim que a gente continua.
19 abr 2020

Obs: O autor é graduado em Letras e Mestre em “História, Filosofia e Educação” pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


busca
autores

Autores

biblioteca

Biblioteca

Entrelaços do Coração é uma revista online e sem fins lucrativos compartilhada por diversos autores. Neste espaço, você encontra várias vertentes da literatura: atualidades, crônicas, reportagens, contos, poesias, fotografias, entre outros. Não há linha específica a ser seguida, pois acreditamos que a unidade do SER é buscada na multiplicidade de ideias, sonhos, projetos. Cada autor assume inteira responsabilidade sobre o conteúdo, não representando necessariamente a linha editorial dos demais.
Poemas Silenciosos

Flickr do (Entre)laços

ExposiçãoDesenhos

Série "Natureza"

Série Natureza

DeJanelaEmJanela

DeCostas

Série "Detalhes"

Série "MoradaImprovisada"

Série Morada Improvisada

Finados

Tratando de peixe

Série Flores

Série Flores

Esporte na Colônia

Série Natureza 01

Série Natureza 05

Caxambu

Caxambu

Caxambu - 02

Caxambu - 01

Penumbra...

Aglomeração...

Portão florido...

Barra Palace

Conjunto Harmonioso...

Reunião privada...

Espaços ocupados...

Arquitetura Perfeita...

Convergência II

Convergência I