Que sentimento é esse que arrebata  nossa alma? É suave como uma pluma, mas dói como uma perfuração de um espinho. Doce como os lábio de Iracema mencionados por José de Alencar, mas amargo como fel, quando não correspondido. Sentimento que nos leva as nuvens, onde flutuamos como os anjos, mas nos leva a um intenso sufoco, ao fundo de um poço, como se estivéssemos com uma enorme  âncora, de um grande navio, amarrada no pescoço.

Em uma noite fria, podemos nos aquecer nos braços daquela pessoa especial. Mas também podemos congelar, embora no intenso calor de verão, quando chega o momento de um adeus, ou mesmo de um até logo daquela pessoa que para nós é toda a vida.

Que sentimento é esse que nos preenche de felicidade, apenas em falarmos sobre aquela pessoa, ou simplesmente ao ouvirmos o pronunciar de seu nome? Chegamos a sentir o perfume, que nos inebria, daquela pessoa amada e o coração acelera quando lembramos daqueles momentos que estivemos juntinhos, rosto colado, dançando, ou apenas ouvindo aquela “nossa música”. Percebemos que nossos corpos até se aquecem, só em pensarmos naqueles momentos vividos em perfeita sintonia, física e espiritual.

Quão amplo e envolvente é esse sentimento? O mesmo se manifesta em diversas expressões, possivelmente sendo o mesmo sentimento. É notório  esse sentimento pelos pais, filhos, irmãos, sendo mais declarado, por questões culturais, no tocante aos homens, o sentimento pela figura materna.  Quantos não vivemos esse grande sentimento pela primeira professorinha? Podemos dedicar esse sentimento à uma amiga, na amplitude de uma verdadeira amizade. Esse sentimento se nos apresenta numa grande amplitude. E é importante vive-lo  nessa grande dimensão. Ele nos faz mais “gente”. Ele nos faz muito bem. Ele nos faz crescer.

Dedicamos todo nosso coração a um animalzinho de estimação, um cão, um gato, um passarinho, um coelho. Sim, são seres que merecem esse sentimento também. E esses seres, nunca nos decepcionam. Retribuem todo o carinho lhes dedicado e, por incrível que pareça, não guarda mágoas. Mesmo as vezes maltratados por inescrupulosas pessoas, que, na minha opinião, não merecem nem serem chamados de humanos, alguns animais, como por exemplo os cães, continuam sua dedicação a esses maus caracteres.

Sem dúvida esse sentimento é universal, integral e nos atinge a todos, dentro de sua magnifica abrangência. Pode-se vivê-lo em todas as suas dimensões e ele nos enriquece como pessoas. Contudo, quando esse sentimento se refere aquela pessoa especial, aí é um Deus nos acuda!

Quase sempre, quando sob esse sentimento, se vive o céu e o abismo. No céu quando estamos no aconchego, na troca de beijos ardentes, vivendo carinhos suaves ou de intensa magnitude, na troca de juras eternas. Oh! que maravilha, queremos inclusive que o tempo pare, não precisamos de futuro. Que o mundo seja apenas um registro, nada a declarar, o tempo e a vida são apenas aquele agora.

Mas, infelizmente, esse sentimento também  nos leva, às vezes, ao abismo: quando esse sentimento não é correspondido, quando chega a hora da despedida, quando ele se entrelaça com o ciúme, quando a distância impede o abraço, a união dos corpos ardentes em busca do clímax, quando se sente a saudade ou ainda pior, quando se sente a solidão. Ah! Por que não vivermos apenas o céu?

Esse sentimento é constantemente declamado pelos poetas e sempre vivido pelos sonhadores que não o deixa morrer.  Assim  faço referência ao “Poetinha”  Vinicius de Moraes, que  sintetiza, magistralmente esse sentimento:

“E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure”

É precisamos muito desse sentimento, ele é tudo que nos move, ele é a própria vida, ele se chama amor!

Obs: O autor, Prof. Dr. Rômulo José Vieira é Acadêmico da Academia de Ciências do Piauí; Acadêmico da Academia de Medicina Veterinária do Piauí; Acadêmico correspondente da Academia de Medicina Veterinária do Ceará; Acadêmico correspondente da Academia Pernambucana de Medicina Veterinária.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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