Gerson F. Filho 1 de maio de 2021

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Como todo conto de fadas, ou mesmo um pesadelo, poderia iniciar esta estória com o tradicional era uma vez: mas resolvi começar com; houve um tempo, onde existiu um país situado numa região tropical. Possuidor este de terras férteis e florestas exuberantes, mesmo assim, permaneceu no esquecimento por séculos, pois as grandes nações, consumidoras compulsivas de recursos, se banqueteavam com outras prioridades por este mundo afora. Por que dar importância aquele canto do planeta?

Nada existe lá, a não ser um povo indolente, que não costuma levar nada a sério, a não ser carnaval, futebol e sexo. A final de contas; para que se importar com problemas, neste canto, nada acontece. Não havia cataclismos, não havia fome, muito menos sede. Guerras? Nunca foi visto uma por inúmeras gerações. Epidemias? A tecnologia de países mais evoluídos e até mesmo com algum conhecimento próprio eram debeladas ou evitadas. O paraíso na terra!

A não ser algumas conturbações políticas, incentivadas pelo quadro mundial, o resto era prosa e verso. O tempo passou os anos e os recursos do planeta, pouco a pouco foram se esgotando, e como todo bom planejador, que se antecipa a crise, estas (as grandes nações) acordaram e isso provocou uma mudança estratégica de mentalidade nas potências. Estas continuavam necessitando de muitos recursos. Petróleo, ouro, ferro, diamantes, madeira, água doce. Então viram que tudo isso estava disponível para o futuro, para o conforto de suas próximas gerações.

Estava tudo lá! Naquele recanto do planeta. Debilmente guardado por gente desinteressada e com pouca atitude no que diz respeito a impor uma grande resistência à manutenção da posse de tudo isso. Como todo bom planejador o traçado foi: primeiro iremos comprar-lhes grande quantidade desses recursos, fazendo com que, por cobiça, degradem o meio ambiente. Depois quando isto, estiver em curso, nós os acusaremos de irresponsabilidade, e reivindicaremos assim a posse de tudo, pois os habitantes de lá não são capazes de gerenciar seu próprio solo, e com isso irão prejudicar todas as nações.

O momento é propício a isto, nós já destruímos tudo em volta, o pouco que existe está lá. Regras internacionais? Proteção de convenções? Aprendemos com o passado que, uma mentira repetida várias vezes, vira uma verdade. E no cenário de escassez o que vale é a velha lei natural do mais forte. Portanto iremos implantar organizações não governamentais, para assegurar propriedade de insumos importantes para a indústria farmacêutica (venderemos para eles depois o produto finalizado) encontrados naquela floresta.

Quanto à madeira e os minerais, vamos incentivar a criação de imensas áreas dedicadas aos índios (estes são mais fáceis de manipular), depois de tudo isso em um futuro, não muito distante, será dado apoio à emancipação e a independência destas áreas demarcadas (dividir para conquistar). Alguma expectativa de resistência? Não! Eles estão preocupados com: o renascimento de uma ideologia falida, que desmoronou no leste europeu, com o próximo carnaval e com partidas de futebol. Nós até devemos fazer vistas grossas a esta tentativa de ressuscitar o socialismo, nada melhor do que isso para desagregar uma sociedade. Nós sabemos muito bem que só a liberdade traz a prosperidade.

Como só nós temos consciência disto, somos os dominantes. Então após um breve tempo, ricos europeus e americanos, continuaram a comprar seus móveis de mogno. Água para abastecimento em abundância, recursos minerais em dia e naquele lugar distante; uma colcha de retalhos, formada por vários países nanicos brigando entre si. E seu povo? O povo que habitava a outrora grande nação servindo como mão de obra barata para o conforto daqueles que enfim, como sempre conseguiram se impor. Não me venham depois figurar com coitados, até porque do coito se fizeram disponíveis.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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