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1 – Domingo de um Encontro surpreendente!
Lucas 24,35-48

Um misto de surpresa, de espanto e alegria é o que faz a fé dos discípulos e discípulas de Jesus de Nazaré passar por um momento de perplexidade, de dúvida, de não saber como reagir diante de algo que desponta forte no íntimo de suas consciências: a imperiosa constatação de que Aquele que deu sua vida por eles, por elas, por todos e todas, não pode não estar vivo, ressuscitou! Seu amor é vitorioso! Deus lhe dera razão! Ele venceu! Ele mesmo está entre nós!

Na última Ceia, na véspera de sua morte, JESUS, repartindo o pão e o cálice com eles, fala que vai dar a vida por eles e pela humanidade e lhes sugere que, pela vida afora, façam isto “em sua memória”…

Repetindo a sua Ceia, temos hoje a oportunidade de fazer experiência semelhante: sentir o Ressuscitado no meio da gente… compartilhar com ele nossas alegrias e tristezas, nossas angústias e esperanças, os desafios todos do nosso cotidiano, marcado por medos, egoísmos, injustiças, preconceitos, opressões e exclusões (VER)… escutar sua Palavra, através da proclamação das Escrituras, e, à sua luz, fazermos a leitura pascal da vida, reencontrando o sentido maior de nossa existência e reaquecendo os corações com a esperança que não ilude (JULGAR)… comer, mais uma vez, a sua Ceia, comungando como Aquele que entregou sua vida, para que tenhamos vida em plenitude, comprometendo-nos a continuar esta história de amor, aqui e agora, para que a sociedade em que vivemos tome os rumos da solidariedade, da justiça e da paz (AGIR)…

E esse compromisso termina em “missão”: irmos ao encontro das pessoas e entidades com a tarefa de ajudar mudar os corações e reconciliar a humanidade. ALELUIA!

Tente perceber a atualidade de tudo isso na atual conjuntura por que passa nosso país… Tente imaginar possibilidades, caminhos, ações em busca da reconstrução deste país esfacelado. Coragem!

Tente encontrar parceiros(as)… compartilhar seus sonhos de mudança… Tentem juntos tomar iniciativas, organizar a ação…

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A REFEIÇÃO DA FAMÍLIA…

Esta é precisamente a compreensão que nossas comunidades precisam ter do que seja a celebração da Ceia do Senhor.

Antes de qualquer outra coisa, é questão de comer e beber juntos, “tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração”  (At 2,46).

Este prazer de partilhar comida e bebida, entre irmãos e irmãs, precisa ser resgatado, se quisermos pronunciar uma bênção de refeição que faça sentido, que não caia no vazio, como infelizmente vem acontecendo há séculos, desde que se perdeu esta noção do que seja celebrar a Ceia do Senhor.
O Ressuscitado chega para nós com a sua Paz. Ele se faz gostosamente presente entre os seus, quando a gente reparte entre a gente o Pão e o Vinho, em sua memória, como Ele nos mandou, “até que Ele venha”…

O desafio está posto: como tornar nossa celebração dominical uma verdadeira confraternização, na qual verdadeiramente se partilha comida e bebida, com alegria, porque Ele vive em nossas vidas e está aqui conosco.

Reflexão da Classe Trabalhadora 

 

2 – DOMINGO DO BOM PASTOR
João 10,11-18

O Ressuscitado, hoje, vem se apresentar a nós: “Eu sou o Bom Pastor”. Os detalhes do perfil deste Pastor são desenhados a partir da experiência cotidiana de alguém que cuida de um rebanho de ovelhas: pastor e ovelhas, eles se conhecem pelo olhar… Nem precisam dizer nada. É um amor de quem não mede distância nem sacrifício. Amor de quem coloca em jogo a própria vida, quando se trata de cuidar e defender a vida de quem se ama.

E Jesus ousa dizer que o amor que existe entre ele e nós, a Humanidade a quem ele veio servir, é semelhante, senão igual, ao amor que existe entre ele e seu próprio Pai. Aliás, o Pai o ama, justamente, por que seu Filho é capaz de dar sua vida por nós, claro, com a certeza de que quem dá a vida pelos outros, recebe de volta, de modo surpreendente e excelente esta mesma vida.

Acontece que há muita gente no mundo que não conhece a proposta do Reino por ele anunciado e iniciado… Muita gente que ainda desconhece a lógica do Amor Maior… Muita gente que vai na onda do “cada um por si”, da felicidade consumista, da ilusão capitalista do lucro a todo custo, da lei da vantagem a qualquer preço… Muita gente que ainda não entendeu que o mundo fica muito mais habitável, muito mais saudável, muito mais agradável, muito mais bonito e melhor, se a gente se deixa levar pela força maior do AMOR de quem dá a vida para que, sobretudo os oprimidos e excluídos, tenham vida e vida em plenitude.

Quanto Jesus deseja que toda esta gente se junte no grande mutirão do Amor, que busca a Justiça, que a todos e todas garante a Dignidade e o Direito, e a Paz, que a todos e todas proporciona o Bem Viver, a Felicidade, “assim na terra como no céu”!

Neste país em que as multidões vagam “como ovelhas sem pastor”, cada um, cada uma, de nós se considere enviado(a) pelo Bom Pastor, para cumprir esta tarefa maior: juntar as pessoas para pensarem num país de outro jeito. Do jeito do Reino anunciado por Jesus: um lugar onde todo mundo se junte e faça acontecer o milagre da Justiça: aquela Justiça que a todos e todas dá vez e voz, a todo mundo garante condições dignas de viver e ser feliz, onde todo privilégio e preconceito são banidos, e finda toda opressão de exclusão. E FORA OS LOBOS QUE NOS DEVORAM, em nome de Jesus!

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Um recado, para não esquecer, de PAPA FRANCISCO para a Igreja no Brasil, 4 anos atrás:

 O padre Vilson Groh, que atua há três décadas na periferia de Florianópolis, especialmente com crianças, adolescentes e jovens, foi recebido pelo papa no dia 16 de fevereiro passado (2017) e teve uma longa conversa com ele. O encontro foi marcado por forte emoção. Groh levou cartas das crianças ao papa: “As cartas diziam ‘o senhor é uma esperança para nós, que vivemos na periferia’. Elas pediram que orasse por elas, e contaram que havia muito sofrimento na periferia.”. Em resposta, o Papa gravou, no próprio celular de Groh, uma mensagem para as crianças. A seguir, “O Papa disse que a Igreja no Brasil e na América Latina é muito clericalizada (isto é, fica demais dependendo do clero, dos padres e bispos) e que é preciso romper com isso e abrir um tempo de protagonismo leigo” …  Francisco disse ainda: “É preciso se pensar, no Brasil, nas celebrações presididas por leigos formados, e não apenas por padres. O Papa disse que é fundamental ter em mente a formação de comunidades e que as Comunidades Eclesiais de Base são uma alternativa para a Igreja em saída”.

O Pe. Groh saiu da audiência vivamente impressionado com o Papa: “Creio que essa liderança do Papa começa a desinstalar a Igreja no Brasil, que ainda é muito para dentro, quando deveria ser para fora. A nossa vivência cristã não pode naturalizar a injustiça social. Nós nos acostumamos à miséria, à violência, à própria injustiça. Parece que não ouvimos o grito dos pobres. A espiritualidade de Jesus é itinerante, profética, ‘em saída’, ele vai ao encontro: exatamente do que o Papa deseja para a Igreja”. Retomando uma expressão cara ao teólogo Jon Sobrino, perseguido por décadas pela Cúria Romana, Pe. Groh encerrou: “Viver o Cristo ressuscitado é abraçar os crucificados”. O tema do protagonismo dos leigos foi um dos eixos da 55ª Assembleia Geral da CNBB que aconteceu até 5 de maio de 2017, em Aparecida (SP).

Dois dias antes do encontro do Papa com o Pe. Groh, o bispo emérito de Jales, Dom Demétrio Valentini, fez uma forte homilia, exatamente no Santuário Nacional de Aparecida, na qual apresentou a proposta de a CNBB assumir a figura dos presbíteros de comunidade, leigos, que passem a assumir a presidência da Eucaristia.
(reportagem Mauro Lopes)

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1º. de Maio 2021

MENSAGEM DO MOVIMENTO MUNDIAL DE TRABALHADORES CRISTÃOS

Versão adaptada do MTC – Regional Nordeste 2

2021 – TRABALHO E CIDADE
Desafios na Era Digital: Direitos Sociais / Mobilidade urbana / Habitação / Juventude

Como Trabalhadores e Trabalhadoras, mantemo-nos firmes em nossa missão: LUTAR E RESISTIR SEMPRE!

A gente imaginava que a crise da saúde teria acabado e a Classe Trabalhadora poderia se manifestar no Dia do Trabalhador. Não seja por isso. Aqui estamos, observando as medidas de segurança, mas firmes na luta frente a essa pandemia que está corroendo nossa Casa Comum, a Terra, e frente a esse Sistema que ignora a primazia do Trabalho e a dignidade do Trabalhador e da Trabalhadora

O Dia do Trabalho e da Classe Trabalhadora é uma marca no calendário universal que ninguém pode apagar. Esse Dia existe para lembrar que todos os dias são dias para se reconhecer e respeitar o valor social do Trabalho e a dignidade pessoal de cada Trabalhador e Trabalhadora, em todos os países e em cada Estado nacional.

Uma pergunta a nos fazermos com urgência: seremos capazes de nos manter vigilantes diante da demolição sistemática dos valores e direitos herdados das pessoas e entidades de Classe que por eles lutaram antes de nós e os conquistaram?

  • Seremos capazes de zelar pela dignidade dos Companheiros e Companheiras, marginalizados na extrema pobreza, que fazem fila, ora para receber cestas básicas, quentinhas e kits de higiene, ora para receber a micharia do auxílio emergencial?…
  • Nunca como agora ficou escancarada a desigualdade aberrante entre ricos e pobres… Como entender que, enquanto a pobreza chega a ao extremo, os Bancos e os banqueiros aumentaram de muito seus lucros e sua riqueza?… Seremos capazes de participar da resistência e das lutas dos Trabalhadores diante das explorações econômicas das empresas nessa conjuntura adversa?… Procuremos conhecer a proposta de RENDA BÁSICA MÍNIMA e façamos dela nossa bandeira!
  • Já bem antes da pandemia começou o desmonte da Legislação Trabalhista e Previdenciária, sob o pretexto de combater o desemprego, que só faz aumentar: somos hoje mais de 14 milhões de desempregados no Brasil. Ficaremos parados diante desses desmandos e dessa praga?…
  • Que faremos diante da falta de apoio governamental aos trabalhadores informais, aos artesãos, às pequenas e médias empresas que estão despedindo seus funcionários, ou, mesmo, indo à falência?…
  • Que faremos diante das medidas de precarização do trabalho e das enroladas do “trabalho intermitente” e outras?…
  • Que faremos diante de desigualdades que, não somente persistem, como até se agravam, na remuneração e no trato, entre homens e mulheres e entre pretos e brancos?…
  • Que faremos diante da massa de desalentados, que já não se animam a sair em busca de trabalho ou de qualquer solução para seus problemas… correndo o risco de se tornarem presas fáceis do tráfego, da prostituição e outras formas de marginalidade?…
  • Nunca como nessa pandemia ficou escandalosa a crise habitacional deste país: quanta gente se apertando em precários barracos, pendurados nos morros, ou atolados em alagados e palafitas, sem a mínima condição de acomodação decente e higiene?… Que faremos para defender a dignidade e os direitos das famílias de trabalhadores que passaram a morar nas ruas, por não poder pagar aluguel?… Que faremos para reivindicar medidas de urgência como ajuda governamental, tipo “auxílio aluguel”, e outras?… Que faremos como luta permanente por habitação decente e digna para toda a gente trabalhadora?…

Companheiras, Companheiros,

Melhor que ninguém sabemos quanto tudo isso pesa e interfere na vida de nossas famílias: tensões no relacionamento entre familiares, perda de dignidade e valores, problemas de agressividade e violência, problemas de saúde e educação… Problema é o que não falta.

Numa hora de tanto desgaste e desalento, cabe a nós levantar a bandeira do ESPERANÇAR: levantar os olhos e perceber os “Sinais dos Tempos”, investir nas lutas pequenas ou grandes, na certeza de que a luta solidária da Classe Trabalhadora, é o caminho de sempre e a garantia de que, mais dia menos dia, sonhando e agindo juntos, veremos nossos sonhos se tornarem realidade.

Precisamos escutar companheiros e companheiras em cada Categoria, vizinhos e vizinhas em nossos Bairros e com eles e elas conversar sobre o que anda rolando… Selecionar e frequentar as melhores fontes de informação… Reunir-nos em Equipe e aprimorar nosso olhar, aprofundar nossas análises, perceber a raiz dos problemas, enxergar os desafios maiores e mais urgentes e onde investir prioritariamente nossos esforços. É o nosso VER.

Precisamos abastecer-nos de luz e razões, de motivação e gana: conhecer melhor a História da Classe Trabalhadora, nossa herança de testemunhas e exemplos dos lutadores e lutadoras do povo, nossos pensadores e poetas… Aguçar nosso olhar para Jesus Cristo, o campeão e realizador da nossa Fé libertadora, Aquele que anunciou o Evangelho do Reino da Justiça e da Paz, Aquele que morreu por essa causa e ressuscitou para nos encher do seu Espírito, que é luz, fonte de amor e força de libertação. A luz e a força que vem da História da Classe Trabalhadora e da História Humano-Divina de Libertação narrada pela Sagradas Escrituras nos ajudarão a encarar as estruturas e conjunturas da realidade social, e escutar os apelos do Planeta, da História e de Deus, conscientes de que o trabalhador, a trabalhadora, imagem e semelhança de Deus, “vale mais do que todo o ouro do mundo” (José Cardijn). É o nosso JULGAR.

Atentos e dispostos a participar das inciativas e lutas levantadas pelos Movimentos Populares, pelo Movimento Sindical e pelos Partidos Políticos comprometidos com a Classe Trabalhadora, os excluídos e carentes, conscientes de que, através de ações de maior amplitude e de pequenas ações locais, estaremos contribuindo para mudanças em escala mundial, concretizemos, assim, nossa fidelidade à Classe Trabalhadora e a Jesus Cristo. É o nosso AGIR libertador!

Retomemos o grito vibrante do Companheiro Elias Cândido, de saudosa memória:

VIVA A CLASSE TRABALHADORA!

Recife, 1º. de Maio de 2021

Movimento de Trabalhadores Cristãos – MTC NE 2

 Reflexão da Classe Trabalhadora 

Obs: REGINALDO VELOSO, presbítero leigo das CEBs (essa é minha condição eclesiástica atual, o que me deixa particularmente feliz)
– Membro do MTC (Equipe Maria Lorena – Recife)  (terminou meu “mandato” como “Assistente Regional”)

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Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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