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EU NÃO ESTOU COM FRIO PRA QUERER COM COBERTURA! *

Eu (Anderson Meneses)Tive a grata alegria de partilhar vários momentos da minha vida com este grande Salesiano Irmão. Notava a sua despretensão. A sua pobreza e simplicidade nos edificavam. Ele sempre foi um Educador, nas sugestões, nos exemplos, nas palavras. Deve-se, realçar, a sua Espiritualidade densa, nunca deixava de rezar conosco aos sábados em Carpina no Aspirantado diante da Imagem de Nossa Senhora Auxiliadora. Seu Zé Oliveira, você foi para uma multidão de jovens que passaram no Aspirantado de Carpina um belo testemunho de que Deus ama os Jovens.  Obrigado seu Zé! Além de singular, parecia  também uma figura exótica por portar uma enorme barriga e tendo sobre ela uma cabeça sem pescoço, no estilo “Frei Damião”. Obrigatoriamente é o primeiro a ser encontrado porque sua tarefa na casa é a de receber as pessoas que chegam; ele é o porteiro. Por exercer essa função tornou-se o salesiano mais conhecido e mais popular. Sr. Oliveira entrou na vida salesiana como aspirante ao sacerdócio mas quis o destino que sua função na congregação fosse a de acolher pessoas como irmão salesiano até quando a saúde lhe permitiu; por isso trocou o hábito talar pela medalha de irmão. Como salesiano, sempre guardou fidelidade à vida comunitária, espírito fraternal e às devoções salesianas. Ninguém como ele meditava com tanta profundidade, chegando a sair de si em sono profundo pelo efeito dos remédios que controlavam sua saúde. Sempre calado em rodas de conversas, guardava tudo como se fosse um gravador; lembra com detalhes de cada salesiano com quem conviveu e de cada fato ali ocorrido. Particularmente eu (Luiz Moura) tive o privilégio de estar na companhia do Seu Zé, era assim também conhecido, em dois momentos: quando fui assistente dos aspirantes em 1971 e quando fui diretor de Carpina de 1978 a 1981. As lembranças mais vivas são da época do diretorado; era uma pessoa portadora de necessidades especiais por isso exigia mais a nossa atenção. Quando ainda na etapa de formação, fazendo teologia na Lapa (SP), em período de férias tive o privilégio de substituir o “Zé” na portaria do Colégio, para que na companhia de seu irmão, o também irmão salesiano, José Maria de Oliveira, pudesse visitar seus incontáveis irmãos distribuídos por esse país a fora. Na convivência com ele há muitos fatos pitorescos que continuam bem vivos em sua memória e na nossa também. Passo a narrar alguns. A comunidade salesiana de Carpina  foi a Natal para um de seus passeios comunitários; já acomodados, resolvemos ir à praia do Morro do Careca mas antes disso tinha que providenciar um calção para o “seu Zé e essa tarefa sobrou para o diretor;  eu  e “seu Zé” pela ruas de Natal, de loja em loja à procura de um calção que fosse capaz de comportar  aquele barrigão que o impedia de ver a ponta de seus próprios pés; desanimado da tarefa compramos o maior calção oferecido por uma daquelas lojas especializadas em roupa de banho. Depois dessa missão nos juntamos aos demais e fomos para a praia. Na água o “seu Zé” ficava mais reservado na parte rasa; os demais avançamos um pouco mais. De mais distante, a gente contemplava uma cena inusitada: quando José se dobrava, se descuidava e, de longe se visualizava algo como um morcego que se dependurava por entre suas pernas. O grupo não se continha de tanto rir; não havia jeito e novamente sobra para o diretor que, com delicadeza  e com jeitinho vai arrumar o “Zé”. No retorno para a comunidade salesiana de Natal, paramos para tomar um sorvete em uma das praças da cidade já próximo ao Colégio São José. A moça atendente, interessada em saber que tipo de sorvete se quer, pergunta ao Zé: – O senhor quer com cobertura ou sem cobertura? De imediato e sem titubear, Zé respondeu:- “Eu não estou com frio pra querer com cobertura?! Desde aquele dia a gente abusa o “Seu Zé” por causa dessa história.

*Narração de Anderson Meneses e Luiz Moura

Obs: O autor é Mestre em Educação pela Université du Québec à Hull (Canadá), professor da Unicap e da Fafire e  presidente da Comissão de Pastoral para a Educação da Arquidiocese de Olinda e Recife.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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