Cynthia Lopes 15 de dezembro de 2020

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Caminhando por Copacabana, em plena quarta-feira, em um raro momento de folga, dei de cara com um cartaz do último CD do Frejat cujo título era justamente este: Intimidade entre Estranhos.
Fui pagar contas, almoçar, bater perna, e nada daquelas palavras saírem da minha cabeça – eu as processava interiormente.
Na verdade isto é quase automático em mim, quando capto algo de forma consciente, o que faço é ruminar e buscar no meu inconsciente alguma coisa que me incomoda e me faz refletir, sentir e finalmente re-processar, racionalizar, elaborar um discurso.
Deixei, portanto, minha mente livre para livres associações.
A primeira coisa que pensei foi em minha “síndrome”, na verdade eu é que a chamo assim, estou me referindo a minha hipermetropia. Alguém sabe o que é hipermetropia? Eu tenho uma visão bem particular do assunto, um conceito próprio, trata-se da “arte de não ver o mundo de muito perto”, por isto se faz necessário um anteparo: as lentes, os óculos.
A segunda questão que me coloquei foi a seguinte: quem é o estranho? quem é o próximo?
Fui atrás então de uma definição para estas questões. Segundo o Dicionário Brasileiro de Língua Portuguesa – O GLOBO, estranho é todo aquele que é de outro lugar, o estrangeiro, o esquisito, o misterioso, o desconhecido. De forma análoga, o próximo é aquele que está perto, o contíguo, o chegado ou o conjunto de todos os homens – o amor ao próximo.
Portanto, juntando A + B, concluí de forma aleatória, que para mim o estranho é na verdade o meu próximo, por mais que tudo isto pareça contraditório.
E a intimidade? Eis aí mais uma incoerência, a intimidade pressupõe dedicação, afeição, é aquilo que está muito no interior, na profundidade do ser, refere-se a algo a que se está muito ligado.
E tudo fica bem mais interessante! Controvérsias a parte, eis um momento muito particular, volto a refletir: como amar alguém com quem nunca se esteve frente a frente, como sentir tanto desejo por uma pessoa que a gente nem conhece, porque se dar ao trabalho de imaginar seu olhar ou a sua risada clara?
Penso, é tão simples classificar tudo que sinto como uma fantasia, como um defeito perfeccionista? Mais uma conclusão: é muito mais fácil desejar quem não está perto da gente, porém, nem isto é mesmo conclusivo.
Outra coisa é amar o cotidiano, o previsível, aquele que está ao nosso lado, o que está perto (apesar de nossos óculos), mas ainda me intriga a intimidade. Não se trata aqui da proximidade, do calor, dos corpos. Na verdade falo de interesses, de sensibilidades, de delicadezas… de partilhar sonhos, cheiros, ares e palavras. De uma sensualidade declarada, expressa, sem lugares comuns ou vulgaridades. Como e porque ter e sentir tudo isto por alguém que está a léguas de distância? Não seria muito mais simples e óbvio ter toda esta intimidade com quem partilhamos nossas vidas?
Na verdade já deu para compreender que não consegui fechar nenhuma destas questões com conclusões racionais. Talvez porque não seja racional mesmo e se refira tão somente a sentimentos muito íntimos e talvez provenientes (muito provavelmente!) da minha história de vida.
Apenas sei que me engano ou realmente amo alguém que está fora do meu controle e que, portanto, também não me pode controlar. Ou talvez eu goste deste jogo sedutor e misterioso de estabelecer uma intimidade cada vez maior e mais profunda com um estranho. Ou quem sabe, ainda, trata-se apenas de uma dificuldade concreta de estabelecer relações de confiança com as pessoas que estão ao meu lado ou mesmo, um problema de difícil solução, mas não uma impossibilidade de me sentir desejada e amada por aquele que me diz (apesar das suas limitações), todos os dias que me ama e se preocupa comigo, que é doce e sem jeito, porque afinal de contas e isto eu posso dizer de cadeira: ninguém é perfeito!24.09.08

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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