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Hoje foi um daqueles dias em que quis sentar e chorar. Não por tristeza, mas por olhar para os lados e ficar me perguntando o que fazer agora?! A pandemia veio reformulando as condições de trabalho de todo mundo, certo isso você já sabe e eu também sei. Se para as pessoas comuns isso já foi desafiador imagine para nós, mulheres que somos pai e mãe. Basicamente nessa trajetória de mulher que trabalha e tem filhos, em alguns momentos você tem que assoviar, bater palmas e chupar cana tudo de uma vez! E foi assim nessa segunda. Eu sei, certamente tem alguém louco pra soltar um quem pariu Mateus que embale, mas eu só aconselho um pouco de empatia pra não mandar você se danar com a sua opinião. Como meus pais tiveram outros compromissos de trabalho a cria foi comigo para uma tarde de reuniões e visitas. Filhos em trabalho na primeira meia hora ficam de boas, depois disso não tem joguinho, canetinhas, caras feias, palavras doces e ‘espera só um pouquinho’ que dê jeito. Mais dez minutos em cima, a menina de macacão colorido já estava descalça, quase deitada numa cadeira e com o cabelo desgrenhado parecendo a juba de um leão perdido na selva. Não me cabe julgar. Eu como adulta já quis fugir também, sobretudo em dias em que as horas parecem não passar e você tem tanta coisa pra fazer que precisa anotar pra não esquecer. Sei que desafios como esses não são fáceis, mas minha irmã tem horas que você tem que tirar força e motivação de onde tá faltando pra não se encolher em posição fetal e chorar. E quando você pensa que abrandou não consegue estacionar para o seu próximo compromisso, fica rodando feito barata tonta enquanto tenta convence-la a se arrumar um pouquinho porque vai entrar em um lugar que ela não conhece. Daí você está lá tentando bancar a profissional na roupa social e sapatilha caramelo, argumentando como gente grande, com uma criança abraçada com você nas suas costas, que segue agarrada a cada passo seu como um rabinho pendurado na calça preta. Segue para a última reunião do dia pedindo para que ela seja legal e promete que depois vocês vão lanchar algo que ela queira (menos batata Pringles que não rende nada e não conta como lanche), mas no meio diálogo na frente do cliente, ela pede atenção, fala que quer contar algo, ‘espera filha, já vai terminar’ e quando pensa que ela está sentindo algo tão urgente, a menina só quer que você mostre para o cara do outro lado da mesa a foto do gato no celular. Você resolve tudo, solta um ufa e quando pensa que vai conseguir dirigir tranquila até a padaria vem um ‘mãe quero ir no banheiro e não dá para esperar’. Você respira, inspira e segue viagem. Por essas e outras eu só espero que as pessoas sejam empáticas com as mamães. Foto legal na internet não representa um terço dos bastidores. Eu já quis desistir de trabalhar, mas contas não se pagam sozinhas. E agora que ela caminha para os nove cá estou eu, analisando as vertentes do empreendedorismo, para meter a cara e fazer disso minha fonte de renda. Filhos não vem com manual, mas mães, essas são talhadas na porrada (não no sentido de violência) e sim por sentirem os baques e se tornarem cada vez mais fortes. Mãe guerreira né? Então ta!

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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