Padre Beto 15 de dezembro de 2020

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Ao investigar a morte de um velho em uma propriedade rural, Barnum, o xerife local, descobre Powder. Seu verdadeiro nome é Jeremy Reed, um adolescente que era neto do falecido e que tinha passado toda a sua vida conhecendo o mundo através dos livros, sem nunca ter deixado a fazenda da família, tudo isto por ter uma aparência estranha. Powder demonstra ter dons particulares além de ter o intelecto mais elevado que qualquer ser humano jamais teve, passando a alterar a vida de todos que estão ao seu redor. Mais do que isso, “Energia Pura” de Victor Salva reflete a nossa própria condição de seres ligados a um universo, mas, ao mesmo tempo, capazes de interagir com tudo e fazer de nossa passagem por aqui algo de muito bom.

Um dos livros mais interessantes do Antigo Testamento é o livro do Eclesiastes. Em seu início (Ecl. 1,2; 21-23) encontramos um grande erro de tradução. O texto foi traduzido do hebraico para a língua latina como “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade”. A expressão hebraica “havel Havalim” possui, porém, uma conotação bem diferente e poderíamos traduzi-la literalmente como “poeira de vento”. Assim, a frase acima deveria ter sido formulada da seguinte maneira “Poeira de vento, poeira de vento, tudo é poeira de vento”. De qualquer forma, o autor nos chama a atenção para a efemeridade de todas as coisas e para a nossa própria mortalidade. Nós somos mortais, e como tais estamos somente de passagem por esta existência. Jesus faz o mesmo alerta com a parábola do homem rico (Lc 12, 13-21), que possui inesperadamente uma enorme colheita e resolve guarda-la para si em grandes celeiros. O que ele não sabe é que sua vida não passará daquela noite. Mas, apesar de sermos poeira de vento que passa por esta existência, nós podemos eternizar muitos momentos de nossa passagem. Afinal, mortalidade não é oposição a eternidade. Justamente isso que nos alerta Paulo (Col. 3, 1-5.9-11) quando escreve que através de Jesus Cristo nós nos tornamos homens novos, ou seja, homens que estão atentos às coisas celestes e não às coisas terrestres. Coisas celestes não quer dizer coisas existentes depois da morte, mas tanto as coisas terrestres como as coisas celestes fazem parte de nosso universo. Porém, as coisas terrestres são as que não possuem importância e as celestes as que dão significado a nossa existência. Como homens novos nós valorizamos as coisas celestes como a amizade, o respeito humano, a solidariedade, etc. O homem novo é aquele que se descobre como filho de Deus e ao mesmo tempo consegue enxergar toda pessoa humana como família divina. Desta forma, nós, como seres humanos, podemos deixar de ser simplesmente poeira de vento e em nossas atitudes viver as coisas celestes eternizando nossa passagem por aqui. Em outras palavras, nós podemos sair do ordinário, ou seja, daquilo que é comum, para sermos extraordinários, ou seja, para realizarmos algo, em cada momento, inesperadamente bom tanto para nós como para os outros. O ordinário é entrar no ônibus e achar um lugar para se sentar antes que outros o façam. O extraordinário é esperar que todos entre e se acomodem e só depois procurar um lugar, caso tenha sobrado. O ordinário é fazer nossa obrigação, o extraordinário é irmos além e surpreender as pessoas com a bondade e a partilha. Desta forma, deixamos de ser somente poeira de vento, para sermos extraordinários filhos de Deus.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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