Dirceu Benincá 15 de novembro de 2020

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Nascemos suficientemente velhos para morrer e abundantemente novos para viver. Somos constituídos como seres de mil e uma possibilidades. Vivemos em contextos com um milhão de influências. Morremos todos os dias um pouco e uma vez como derradeira por milhões de motivos.

Esses números são apenas simbólicos; querem transmitir a ideia de que somos um mistério em andamento. E enquanto nos é permitido seguir andando conscientes, também nos é dada a oportunidade de refletir acerca do ser, da morte e da vida.

Nossa vida humana está atravessada por duas linhas existenciais que se orientam em sentido inversamente proporcional. Isso, ao menos, como grande possibilidade. Uma é a linha biológica; a outra é espiritual. Na perspectiva da primeira linha, nascemos carregados de vida e vamos, a cada dia que passa, subtraindo de seu saldo, até acabar de morrer. Na orientação da linha espiritual, nascemos habitados por um potencial incalculável de vida e podemos caminhar de tal modo até viver plenamente, eternamente, felizmente, conforme assegura a nossa fé.

A vida nunca se deixa inscrever e nem descrever de modo satisfatório. Ela sempre nos foge, nunca nos basta. Mesmo quando parecemos fartos de viver, a vida vai mais além. Ela não é só o que parece e também não é apenas o que desaparece. Embora envolta em mil dores ela quer viver. Ainda que rodeada por um milhão de amores, ela teme morrer.

Feitos à imagem e semelhança do Todo Poderoso, o Ser infinito de muitos nomes, somos constituídos com o desejo e a esperança de eternidade. Somos insaciáveis, insatisfeitos, inacabados, em processo. Buscamos sempre mais. De acordo com nossa compreensão sobre o significado da existência humana, podemos buscar ser mais ou ter mais; ser mais individualistas ou mais solidários; promover a vida ou instigar a morte.

Somos vocacionados para a vida. Não deixemos que a morte nos recolha de uma vida sem sentido. Não deixemos que outras forças nos retirem o sentido de uma existência verdadeiramente humana, solidária, comprometida com todas as formas de vida. A curva biológica da nossa existência é muito curta para ser pequena.

Façamos de nossa vida um instrumento de promoção da vida mais plena e feliz. Embora nas turbulências, caminhemos firmes e esperançosos, pois não estamos destinados ao nada. Embora nem sempre pareça, nossa vida tem futuro. O futuro de um porto muito mais seguro! Homenageemos os nossos entes queridos segundo nossas crenças e com nossos rituais na certeza de que, quem busca a vida, não morre jamais! (01.11.20)

Obs: O autor é Doutor em Sociologia, pós-doutor em Educação e professor da Universidade Federal do Sul da Bahia

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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