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Bom dia… Como é bom chegar o domingo quando você e muitos outros/as estão em casa e podemos refletir sobre fatos e acontecimentos importantes que nem sempre aparecem em outros meios de comunicação. Nós moradores da Amazônia, sentimos o calor que é mais do que do verão, pois a derrubada de matas e os incêndios continuam intensos. Dizem os pesquisadores que só nestes últimos 10 adias de outubro foram mais de 2.300 focos de incêndios, boa parte criminosos.

Uma boa notícia ocorreu no domingo passado que foi a nova carta encíclica do Papa Francisco. Com o título de “Somos todos irmãos”, o Papa faz um desafio a todos os seres humanos, incluindo os políticos, os juízes, os pastores e todos nós. Para ele “A fraternidade é aquilo que permite que os iguais sejam pessoas diferentes. O ódio elimina o diferente. A fraternidade salva o tempo da política, da mediação, do encontro, da construção da sociedade civil, do cuidado”. Vale a pena cada comunidade, cada igreja e cada vizinho poder ler e conhecer o conteúdo desta encíclica.

Aqui mais perto de nós, o presidente Jair Bolsonaro, acompanhado de uma comitiva, chegou à cidade de Breves, no Arquipélago do Marajó. Veio fazer anúncio de medidas do Programa Abrace o Marajó. A solenidade, em pleno período eleitoral, integra um espetáculo de propaganda, com questionáveis efeitos concretos. Soa estranho, também, em plena pandemia, em uma região com um sistema de saúde precário, a realização de atividades que favoreçam a aglomeração social, sem respeito às normas sanitárias, onde as taxas de contágio e óbitos em decorrência da Covid-19 são preocupantes no Marajó.

Também o bispo da prelazia do Marajó questiona a utilidade e a sinceridade da visita do presidente a uma região tão carente, pelo fato de ele vir só agora em véspera de eleição municipal. O bispo de Soure, Dom Evaristo disse o seguinte: “A Prelazia do Marajó está disponível, como sempre esteve, ao diálogo construtivo e democraticamente cultivado. Contudo, recusa-se, por convicção ética e evangélica, a participar de eventos que favoreçam apropriações político partidárias, especialmente no curso de processos eleitorais. Não compactuaremos com ações que confisquem a voz do povo marajoara e exonerem as suas agendas. Acolheremos, com especial atenção, dedicação e envolvimento, todas as ações destinadas ao Marajó, que se abram à participação das populações locais, dando-lhes voz e vez nas decisões, considerando suas necessidades, respeitando suas tradições e culturas e garantindo a preservação do meio ambiente saudável”. A nota foi assinada pelo bispo pastor do rebanho marajoara.

Mais um fato importante para nossa reflexão como cidadãos da Amazônia. Trata-se de como se colocaram vários movimentos sociais e pastorais da arquidiocese de Santarém, sobre a indecente proposta da empresa que ilegalmente implantou um armazém de combustível dentro da cidade de Santarém. Na semana passada refletimos sobre como pretende a empresa confirmar o fato consumado da obra ilegal. Aqui lhe apresentamos uma das conclusões dos que reagiram ao absurdo da proposta da empresa. Depois de analisar 14 razões da ilegalidade do projeto de porto armazenador de combustível dentro da cidade, os assinantes da reposta tomaram 10 conclusões entre as quais as seguintes:

“1. Não admitir esse acordo proposto pela empresa, pois nega uma série de direitos que são invisibilizados e desconsiderados.

  1. Fazer cumprir o que foi determinado pela justiça sobre os processos criminais tanto na vara civil como na vara criminal.
  2. Que as obras do empreendimento continuem suspensas até o apuramento final de todas as ações, nas esferas cíveis e criminal
  3. Que sejam realizadas as consultas previas, livres e informadas das populações afetadas segundo os protocolos que tem as comunidades indígenas, quilombolas e de pescadores, conforme determina a convenção 169 da OIT”.

Conclusão de tudo isso, para nós cristãos e pessoas preocupadas com o bem comum, é que juntos somos fortes e quem se cala consente. Não é verdade? Pense um pouco mais sobre os três fatos que analisamos aqui.

Obs: O autor é membro da organização da Caravana 2016
Coordenador da Comissão Justiça e Paz da Diocese de Santarém (PA) e membro do Movimento Tapajós Vivo.
Autor dos livros: Amazônia: o que será amanhã? (Vol I e II) e Uma revolução que ainda não aconteceu.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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