Ana Eliza Machado 1 de outubro de 2020

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Era só uma cidade como outra qualquer, com ruas como outras qualquer, e problemas como outros qualquer. E havia uma menina, uma menina que você até poderia pensar ser como uma outra menina qualquer. Mas ela não era.
Não tinha nome, não tinha casa, não tinha mãe, não tinha comida, não tinha cor nem expressão. Mas tinha um amigo. O cachorrinho, que levava o nome de Esperança.  Esperança tinha um nome, uma casa junto do corpo da menina, que era sua mãe, que o alimentava como podia, que via em seus olhos cor de chocolate a expressão de carinho, que não tinha de mais ninguém.
Vivia na rua, a menina e Esperança, a rua que era sua casa, sua escola, seu parque de diversão, sua sina. Pois se não tinha nada, além de Esperança, a menina também agora tem uma sina, que a aguarda em cada quarteirão.
A menina dorme agora, dorme enroscada com Esperança, dorme e sonha. E sonha, criança, sonha longe, sonha com aquilo que você deseja. Sonha enquanto eu escrevo seu futuro. E que futuro posso te dar, criança? Para onde mando você, você e Esperança? Que destino bonito e digno posso escrever, sem que falte o sentido?  Quanto posso fazer por você e por Esperança?
Só narrei sua história, criança. Que é como outras histórias qualquer, mas que fim posso dar? Não crio a história, só a narro, sua história corre por si, criança. Percorre caminhos mil, corre por essas ruas, por esses semáforos, junto com Esperança. Agarre-se a ela, minha flor, e ela não irá embora.  E como narro sua história agora?
Qual nome posso te dar, que casa posso te dar, que mãe, que expressão? Querida criança, nada posso fazer. São só letras no papel. Anda, não chore, não perturbe seu sono com sonhos ruins, já não lhe basta essa realidade? Anda criança, sorria, enrosque-se em Esperança e sonhe, velarei por você. 08.08.12

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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