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Após dez anos de trabalho meticuloso, a escritora Karen Eiffel está quase terminando seu mais recente e possivelmente melhor livro. O único desafio que resta é imaginar como matar seu personagem principal, Harold Crick. Mal sabe ela que Harold Crick está inexplicavelmente vivo, passando muito bem no mundo real e repentinamente consciente de suas palavras. Em “Mais Estranho que a Ficção”, de Marc Forster, imaginação e realidade se chocam quando o perplexo e cômico Harold escuta o que ela tem em mente e percebe que precisa descobrir uma maneira de mudar o final pretendido pela autora.

No centro do Evangelho de Lucas está o capítulo 15. Neste o evangelista coloca três parábolas, mas não por simples acaso. No centro do Evangelho encontramos a parábola na qual o pastor deixa suas ovelhas para procurar uma perdida, a parábola da mulher que arruma a casa para procurar uma moeda perdida e, por fim, a parábola do Pai Misericordioso que entrega a herança ao filho e o espera voltar para casa. Quando este retorna constata que seu filho estava morto e voltou a viver, estava perdido e foi encontrado. O grande tema de Lucas é o ser reencontrado. Mas, o que é ser reencontrado? É o mesmo que voltar a viver na cena do jovem de Naim. Mas quando nos despertamos para a vida? O jovem da parábola do Pai Misericordioso é reencontrado quando cai em si e reflete sobre sua situação. Aqui, neste momento, ele é reencontrado por Deus, porque reencontra a sua verdadeira situação.   Nós vivemos em uma sociedade que tenta nos “coisificar”. Nós agimos de acordo com o grupo, de acordo com a moda, de acordo com os meios de comunicação e, assim, deixamos de ser nós mesmos, deixamos de viver na autenticidade e de fazermos o que achamos correto. Nós vivemos como “mortos-vivos”. A missão de Jesus Cristo é nos fazer reencontrar. Esta é a essência da religião (re-ligare), fazer com que nós nos situemos e comecemos a viver segundo princípios refletidos. Aqui nos reencontramos. À medida que nos questionamos sobre o que estamos realmente fazendo aqui e como estamos sendo, vamos nos reencontrando e ganhando em autenticidade. Porém, não podemos esquecer que Jesus revive o jovem morto de Naim, o pastor procura a ovelha, a mulher procura a moeda e o pai espera por seu filho e festeja o seu reviver. Em outras palavras, só não somente temos que nos tornar pessoas realmente vivas, mas somos responsáveis por aqueles que convivem conosco. Nós podemos fazer com que eles sejam despertados, voltem a viver, deixem a condição de “mortos-vivos”. Para isso, precisamos assumir uma existência dialogal. Se lermos os Evangelhos compreendemos que em todas as cenas Jesus está sempre em diálogo. Diálogo consigo mesmo, com os outros e com seu universo religioso e político. Nós cristãos precisamos viver um diálogo com o nosso eu, descobrindo nossas qualidades, mas também nossos defeitos, a parte que não gostamos em nós mesmos. Mas, da mesma forma, precisamos dialogar com os outros e exercitar a crítica. Crítica não é sinônimo de má educação, mas sim de querer bem ao outro, de se sentir responsável pelo outro. Da mesma forma, precisamos participar ativamente de nosso universo social e político tentando criticar o que está errado para que o nosso mundo se torne mais justo. Nós podemos permanecer passivos diante da vida e continuar a ser “mortos-vivos”, mas não foi para isso que recebemos o dom da vida. Nós vivemos para transformar o mundo em um mundo sem males.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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