Célia Cavalcanti 1 de setembro de 2020

Minha mãe trocara a mão que segurava a minha…
Eu tinha 3 e quem me segurava agora ainda não completara 10 anos… Irmã mais velha brincando de boneca fazendo a vez de mãe Lourdinha…
E lá fomos nós para um lugar distante…Diferente… sem pai, sem mãe, deixando para trás outros irmãos… vivendo a orfandade, a solidão antes do tempo… como na verdade aconteceu depois.
Era uma casa grande! Sala, com mesas para refeição. Dormitórios, banheiros, e a cama ao lado daquela que sentia mãe…Havia outras pessoas grandes e também meninas que pouco ou quase nada me valiam pois eu, na mudança que a vida me impusera, só me importava a minha irmã- mãe que era Lourdinha.
Ao lado dessa casa um terreno exibia distração. Alguns balanços e brinquedos… mas na verdade a grande diversão estava em frente:
O mar!!! Um mar a se perder de vista ! Lindo !… Azul!… convidativo! Que me chamava toda hora como querendo me abraçar…e todas as manhãs aquela mão amiga me tocava e me levava para mergulhar… mas eu era pequenina demais… mal me equilibrava naquele vai e vem das ondas… com suas águas salgadas.
Era agradável e saíamos daquele mar com o gosto de “quero mais”.
Um dia veio uma onda forte… e me embaralhei toda…por instantes procurei a mão pra segurar mas a água me jogava e arrastava na dura areia. Percebi que mesmo sem a mão segura da minha irmã-mãe que me faltara por instantes, a divertida brincadeira perdera o seu encanto!Aquele lindo mar de águas salgadas escondia perigos e mistérios… era traiçoeiro… mas não deixei que o medo entrasse em mim e lá voltei outras vezes…! Com ou sem a mão segura da minha irmã Lourdinha…
( Célia Cavalcanti 08/07/2020 ) 3:30h

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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