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No dia 22 de agosto (dia do meu aniversário, que presente!) no ano de 1965, nasceu na TV Record, um dos programas de maior audiência no nosso país, consagrando o eterno movimento de jovens que revolucionou a música brasileira: O Programa Jovem Guarda. Os domingos à tarde, a partir desse programa, nunca mais foram os mesmos. Naquele programa transitavam os principais astros daquele movimento, convidados pelos líderes Roberto Carlos (o Rei – o Brasa), Erasmo Carlos (o Tremendão) e a Wanderléa (a Ternurinha).
Aqueles frenéticos jovens apresentavam suas canções com um sucesso avassalador, com ritmos, às vezes, alucinadores, mas também de uma suavidade, um romantismo que nos faziam sonhar. Sonhávamos em conjunto com aqueles jovens, que traduziam seus sonhos em letras simples, mas de uma sensibilidade cativante, além do que eles diziam tudo o que gostaríamos de dizer. Contudo, não me lembro, que algum dos integrantes da Jovem Guarda tenha tido problemas com censura, com suas canções, apesar da censura ser à época bastante rígida. O movimento daqueles jovens, que chegaram a ser chamados de alucinados, por não atuarem politicamente ou produzirem letras de protestos, como outros grupos da época, era pelo amor. O que eles mais cantavam era a conquista, o amor, a saudade, a paz e a liberdade, a beleza, a paixão e encantamento pela namorada (o). Tudo com uma simplicidade, contagiante, mas de uma profundidade poética apaixonante.
O movimento promovido por aqueles jovens, principalmente a partir do programa Jovem Guarda, foi um grande fenômeno, não só no tocante à música, mas ocorreu também em todo movimento cultural, criando tipos de vestuário e acessórios, incrementando a paixão por discos e consequentemente a venda dos mesmos. Quem, que viveu e participou daquela época maravilhosa, que não produziu a sua calça boca-de-sino (com o “gavião” preferencialmente de uma cor diferente da calça)? Quem não mandou colocar um salto em sua botinha com o flecho lateral? Quem não ficou encantado com as mini-saias, ornamentadas com aqueles cintos fantásticos e completando o “conjunto” aquelas botas longas, que cobriam as pernas, mas evidenciavam as belas coxas, que as “maninhas” usavam? Quem não queria ser um “pão” e ser referendado como um “papo firme”, não dá “mancada”, ser “pra frente” e acima de tudo, quem não queria ser considerado “uma brasa mora”?
Não podemos deixar de considerar que a Jovem Guarda também revolucionou o instrumental musical utilizado à época. Foi por intermédio dessa turma “pra frente” que passamos a conhecer a guitarra e o órgão elétricos. O Lafayette foi um extraordinário organistas, tocou com praticamente todos os grandes nomes da Jovem Guarda, além de lançar seus próprios CDs instrumentais, indispensáveis para se dançar de “rostinho colado”. Era um dos primeiros passos para se conquistar uma “mina”. Ah que saudades!
Apesar da preocupação de listar e ser injusto com aquela turma que enriqueceu o cenário musical do país, e até mesmo internacionalmente, também acredito que não podemos deixar de manifestar nossos agradecimentos aqueles como, além dos líderes do programa Jovem Guarda, já mencionados (Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa), Martinha, Antônio Marcos, Renato e seus Blue Caps, Jerry Adriani, os Incríveis, Golden Boys, Os Vips, Deny e Dino, Leno e Lílian, The Fevers, Sérgio Reis, Wanderley Cardoso, Eduardo Araújo, Silvinha, Celly Campello, Rosemary, Reginaldo Rossi, The Jordans, Vanusa, dentre outros, que enriqueceram nossos domingos à tarde. E acreditamos também merecer nossos aplausos o Ronnie Von, que apesar de nunca ter participado do programa Jovem Guarda e não ter integrado aquela turma “barra limpa”, foi memorável para a juventude da época, não sendo à toa que recebeu o título de Príncipe.
Aquelas tardes de domingo foram tardes extraordinárias para todos, independentemente da idade, porque jovens e adultos “curtiam” aquele programa. Vivemos de Agosto de 1965 até o início de 1968 domingos à tarde memoráveis, jamais esquecidos…
Os domingos para os brasileiros, após o final do Programa Jovem Guarda, só vieram a ter emoção semelhante com as vitórias inesquecíveis do Ayrton Senna na Fórmula Um. Mas isso é outra história…
Parabéns aos 55 anos, nesse ano de 2020 a Jovem Guarda. Saudades!
Obs: O autor, Prof. Dr. Rômulo José Vieira é Acadêmico da Academia de Ciências do Piauí; Acadêmico da Academia de Medicina Veterinária do Piauí; Acadêmico correspondente da Academia de Medicina Veterinária do Ceará; Acadêmico correspondente da Academia Pernambucana de Medicina Veterinária.