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Um bom pai é aquele que se vê e vê o mundo onde vive. É aquele que percebe que vive numa sociedade estruturada pelo patriarcalismo, e que também consegue compreender que existe um machismo dentro de si.

Neste sentido, nós, homens, sempre estivemos nessa zona de conforto. E após perceber e tentar mudar, começamos a lutar com a gente mesmo, porque é uma coisa de pele, enraizada, sabe? E como somos acostumados a falar e todo mundo nos ouvir, quase nunca nos colocamos no lugar de escuta, de aprendizado e de saber o que as mulheres têm a dizer sobre essa questão, pois são as maiores vítimas. A partir desse ouvir, podemos nos transformar, e reinventar um jeito de ser homem, de sermos menos tóxicos e mais interessantes.

Então, um bom pai é aquele que não tem medo de ir se desconstruindo, tentando se tornar um novo e diferente dos padrões de pai impostos socialmente.

Esse pai, se possível, precisar saber e conseguir dar banho no seu filho, trocar a fralda, cozinhar para ele e colocá-lo pra dormir rotineiramente.

E ser esse pai que não entrega o filho para a mãe sempre que a criança chora, e sim o pai que constrói a intimidade com os filhos. Intimidade de toque, de abraço e de acalento.

Nós, homens, temos muita dificuldade em mostrar esse tipo de afeto amoroso. Crescemos aprendendo que fazer isso é se tornar vulnerável e fraco.

Um bom pai é aquele que se analisa, que vai para a psicoterapia sem vergonha de dizer que tem muita coisa para trabalhar dentro dele e que, inclusive, todo esse trabalho interno, vai tornar mais leve a sua convivência com a família e com as pessoas ao seu redor.

Um bom pai é aquele que tenta ser criativo, usa seu tempo inventando coisas e conversas com seus filhos, e que não troca a sua presença pela interação hipnotizante de um celular ou televisão a todo tempo.

Ser pai é ter olhar.

Um bom pai é aquele que interage e adentra no mundo infantil de seu filho, mas que não é infantilizado na vida e nas decisões importantes que se deve tomar por eles.
Um bom pai é aquele que chora, e reconhece seus dias ruins. É aquele que diz “hoje o papai não tá legal, meu filho”.

Um bom pai é aquele que arca com as consequências de suas escolhas erradas e que tenta não projetar no outro as dificuldades e neuroses que são suas. E quando errar, que seu pedido de desculpas seja feito não só com palavras, mas também com mudança do comportamento errante.

Um bom pai é aquele que reconhece a dureza da vida, mas também percebe a ternura dela, e mostra para seus filhos que se pode sonhar, criar, ser fértil e inventar uma forma diferente de ser gente.

Não sei se alguém consegue ser esse bom pai. Mas vale a tentativa. Pois não se pode viver sem utopia.

Obs: O autor é Psicólogo, palestrante, terapeuta de família casal.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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