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Ao amanhecer deste dia de julho,
já claro o dia, vendo os raios do sol vazando pelas frestas da cortina da janela,
eu ainda preguiçosamente na cama, lembrei-me que este não é o meu quarto,
que esta janela não dá para o Nascente, mas para o Poente, onde o sol só bate
ao entardecer, muito brevemente, nesta selva de concreto.
E eu não estava adormecido e sonhando, mas acordadíssimo!
Como pode o sol estar penetrando por esta janela, pintando a parede à minha frente com as suas cores filtradas pelo prisma da atmosfera terrestre, derramando-se de cima a baixo como tinta que se espalha numa tela e muda a cor das coisas? Pois o sol estava entrando pelo Ocidente e não pelo Oriente, contrariando todas as leis da natureza!
Sei que esta velha casa, construída de frente para a Praça Batista Campos, uma das mais bonitas do Brasil, se diz por aqui, e fundos para a ruidosa Avenida Conselheiro Furtado, quase nunca nem vê o sol nascente, porque, além do seu vizinho Uirapuru, de bem nove ou dez andares, as enormes mangueiras não deixam o sol matinal entrar nesta casa, pelas janelas do seu lado oriental!
Então, matutei comigo mesmo, que fenômeno é este?
Será que o sol quis me saudar nesta manhã, mesmo tendo que transgredir o seu percurso natural de bilhões de anos, mudando sua rota só para me espantar com os seus reflexos, entrando no meu dia por uma janela e por uma direção completamente impossível?
Não me contive nestes pensamentos e saltei da cama para conferir se era mesmo o sol que estava invadindo o meu espaço por uma via e direção totalmente impensável.
Pela mesma fresta da cortina que o deixava atravessar o vidro e se projetar sobre a parede à minha frente, pude ver que era mesmo o sol, tão forte que não deu para fitá-lo diretamente!
Era mesmo o astro rei, poderoso, refletido nas janelas de vidro do edifício Maiore, de um cantinho seu que escapava das copas das enormes árvores da grande praça, e eu podia vê-lo, a cerca de quatrocentos metros de distância.
A força da luz do sol, colhida pelos vidros do edifício, refletidas e lançadas, por entre as frestas das numerosas árvores da praça, na fresta da cortina do meu quarto!
Não era uma ilusão, não!
Era mesmo o sol de julho
nesta Belém em verão,
me acordando e dizendo
que um novo dia
estava nascendo!
Quanta beleza!
Quanta energia!
Quanta força tem a luz do sol!
Quantas reflexões esta imagem poderia suscitar em nós.
que somos também meros reflexos de uma luz
que tantas vezes se projeta não diretamente,
mas em anteparos artificiais,
que mesmo assim não tiram a força dessa luz!
Quem quiser pode imaginar outras lições
que os raios refletidos mesmo indiretamente
podem nos ensinar.
Toda luz é sempre fascinante
o que tememos é a sua ausência!
Todos aspiramos ansiosamente a luz.
Ninguém deseja as trevas!
Ó, Fonte de toda claridade, ilumina a minha
alma e transforma-a em espelho que, como as vidraças do Maiore☼
sirva de anteparo para projetar-te em muitas janelas!
E para iluminar muitos outros corações!
( Belém, 18 de julho de 2020)

Obs: Imagens do autor.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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