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Nesta Quaresma, leitor amigo, venho fazer-lhe um convite: VENHA CONFESSAR-SE. Venha receber do Senhor o perdão de suas culpas pelo ministério da Igreja. Venha receber a orientação para seu caso, suas dificuldades pessoais, os problemas no seu meio, na sua família, no seu ambiente social e de trabalho. É a orientação espiritual, de que você precisa e o confessor está disposto a dá-la. Venha ouvir a Palavra, que Deus lhe envia pessoalmente através de seu ministro sagrado.

 A confissão individual é o único modo ordinário da administração do sacramento da Penitência (Veja o cânon 960 do Código de Direito Canônico). A absolvição coletiva, sem acusação dos pecados (erradamente chamada “confissão comunitária”) é um modo extraordinário de administração do Sacramento da Reconciliação, concedido pelo Direito nos cânones 961 a 963. É permitida, de acordo com as orientações do Bispo diocesano, para casos de emergência bem determinados, tais como acidentes coletivos (um terremoto, como o do Haiti, há alguns anos atrás)  ou grande afluência de povo não prevista e sem sacerdotes em número suficiente para atender a todos. Ainda assim, para ser válida o fiel cristão deverá quanto antes, assim que surgir oportunidade – como diz o Direito – fazer a confissão individual dos pecados graves – “a não ser que se interponha justa causa” – diz o Direito.

O cristão que tem o louvável hábito de receber a Sagrada Comunhão, sempre que participa da Santa Missa, precisa de tempos em tempos fazer sua confissão individual, por exemplo. na Quaresma, no Natal do Senhor, na festa do padroeiro de sua paróquia, em seu aniversário natalício ou de casamento, enfim, em festa importante de sua paróquia ou de sua família.

 Para receber com fruto e dignamente o sacramento do perdão, é necessária adequada preparação, que leve o cristão a recebê-lo com as devidas disposições. A primeira coisa a ser feita é um sério recolhimento para examinar sua consciência diante de Deus e das obrigações próprias de seu estado de vida. É o que se chama exame de consciência. A consciência é coisa íntima e pessoal, que ninguém pode julgar. É preciso ter reta intenção, ser sincero consigo mesmo e com Deus. Cada um pode enganar-se a si próprio, mas a Deus ninguém engana.

 Na confissão, o cristão deve evitar detalhes inúteis e explicações desnecessárias. É preciso ser objetivo, direto, expondo suas faltas de forma simples e incisiva. Evitem-se desculpas e, sobretudo, colocar a culpa nos outros.

Há um ponto importante no Direito da Igreja, que é preciso esclarecer, porque dá total segurança ao penitente. O confessor nunca poderá agir em força do que conheceu pela confissão. É norma absoluta, que não conhece exceção. É muito mais que um segredo, como o é o profissional e o prometido; é sigilo absoluto, que não pode ser rompido em nenhuma hipótese, nem para evitar mal maior ou realizar algum grande bem. Digamos, para evitar o assassinato do Papa, por exemplo…

 Acabada a declaração simples de suas faltas, o penitente ouvirá atentamente os conselhos do confessor. Depois, sinceramente arrependido, fará o Ato de contrição com palavras espontâneas ou com uma das fórmulas costumeiras, que se encontra em qualquer livro de devoção. Recebido o perdão de suas faltas pela absolvição sacramental, irá cumprir a penitência prescrita pelo confessor, recolhendo-se em oração particular e pessoal.

 Com a paz no coração, o penitente dá infinitas graças ao Pai das misericórdias e recomenda-se à Virgem Santa, a Senhora dos Prazeres, que lhe dá a verdadeira alegria interior. 25.02.15

Obs: O autor é  arcebispo emérito de Maceió.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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