No dia 15 de Abril celebra-se o aniversário de um dos maiores gênios da humanidade: Leonardo da Vinci. Nascido em Anchiano uma pequena aldeia de Vinci, que era próxima a Florença, na Itália em 15 de abril de 1452. Era filho ilegítimo do tabelião da cidade o Sr. Piero di Antonio  e de Catarina, uma camponesa local.

Foi um dos mais importantes artistas do Renascimento, tendo se  notabilizado por sua genialidade e por suas obras-primas entre elas, “Mona Lisa”, “Última Ceia”, “Anunciação” e a “Virgem dos Rochedos”.

Esse indecifrável homem investiu, passeou, integrou e criou nas mais diversas áreas do conhecimento como: cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta, músico e na atualidade poderíamos acrescentar-lhe a qualidade de “repentista”, porque na maioria de suas apresentações aos ilustres de Florença e principalmente de Milão, ele elaborava  poesias  de improviso, objetivando ressaltar as qualidades, divertir e, as vezes, estimular o ego dos seus protetores, como o Ludovico Sforza, apesar de não ter formalmente estudado, além de uma escola de ábaco.

Foi aprendiz do notável  Andréa del Verrocchio, um renomado pintor e escultor da época, que possuía um ateliê por onde passaram também outros famosos artistas florentinos, protegidos pelo governador Lourenço de Médici, como Boticelli, Filippino Lippi, entre outros pintores. Impressionante e digno de nota, é que Verrocchio, após ver o anjo pintado por Leonardo na colaboração do quadro “O Batismo de Cristo” disse que não pintaria mais. Ficara encantado com a genialidade do seu pupilo. Para nossa reflexão, em seus questionamentos o próprio Leonardo dissera: “Lastimável discípulo, que não ultrapassa o mestre”.

Por que mencionei Leonardo como indecifrável? É que na minha opinião, ninguém o entendera completamente, apesar de tantos estudiosos de sua vida e de suas obras, como: Vasari, Marco Cianchi, Vezzosi, Walter Isaacson, dentre outros.

Até mesmo Freud  andara analisando-o, mas, mesmo o pai da psicanálise, parece-nos, não foi exitoso em sua análise, porque muito dos estudiosos de Leonardo, criticaram as afirmações do psicanalista a seu respeito.

Talvez nem mesmo o gênio Leonardo tenha se compreendido. Viveu em profundos debates consigo mesmo. As vezes apresentava  extraordinário amor pelo belo, pela natureza. As vezes valorizava o  feio, o grotesco, outras vezes sentia-se incompreendido, desprestigiado, solitário.

Mesmo sendo citado por seus colegas contemporâneos, que quase sempre o invejavam, como um homem extremamente atraente, agradável, gentil, atencioso, “bom de papo” e até mesmo referindo-o como um belo homem, forte, atlético e que vestia-se sempre de maneira elegante, chegando mesmo Vasari a denomina-lo  de “divino”, viveu grandes angústias, conforme pode-se observar em seus relevantes “Cadernos de Anotações”. Embora ele não fizesse referências a sua vida pública e muito menos a vida privada. Contudo, vivia quase uma obsessão em anotar em seu inseparável “caderninho, que trazia preso em seu cinto, o cotidiano: pessoas e suas feições, vôos dos pássaros, paisagens, tudo que lhe cercava. Rascunhava  ideias, esboçava pinturas, fazia registros etc.

Apesar de toda sua genialidade Leonardo teve muitos problemas e algumas vezes foi desconsiderado por não cumprir os seus compromissos, beirando à irresponsabilidade. Infelizmente sua carreira artística também foi caracterizada por sua descontinuidade, como afirmou Marco Ciachi, um dos maiores estudiosos de sua vida: “Várias de suas obras ficaram inacabadas ou foram recusadas pelos clientes, tornando-o famoso por completar poucos trabalhos que começou”.

Alguns autores mencionaram que a falta de compromisso do Leonardo talvez se devesse à sua incrível mente criativa. Ele se empolgava muito com a criação, com a imaginação, mas não apreciava o “trabalho rotineiro”.

Quando pintara A Última Ceia foi relatado que ele as vezes passava o dia todo pintando, outra vezes dava algumas pinceladas e ia embora, como passava horas e horas apenas contemplando a obra. Certa vez questionado pela demora para concluir a obra, “mandou” esta: “Homens de intelecto elevado as vezes produzem mais quando não estão trabalhando” Talvez possamos também compreender quando ele afirmara: “ Do mesmo modo que o metal enferruja com a ociosidade e a água parada perde sua pureza, assim a inércia esgota a energia da mente”

Leonardo aos 16 anos, junto a Verrocchio, já demonstrara sua genialidade como artista e aos 23 já alcançara a fama. Com  29 anos, ainda jovem, firmou o contrato com os monges de São Donato, que viviam perto a Florença, em Scopeto, para pintar “A Adoração dos Magos”.

No ano de 1482 Leonardo partira para Milão, quando escrevera uma notável carta ao  governador de Milão Ludovico Sforza, destacando suas qualidades como: engenheiro, escultor,  construtor, urbanista, etc. e, como disse o Walter Isaacson: só no décimo primeiro parágrafo apresentou suas qualidades artísticas, tendo mencionado: “Da mesma forma, na pintura, eu posso fazer tudo que for possível”. Percebe-se  a sua vontade clara de conseguir o emprego, quando destaca suas habilidades, mas seria mesmo na pintura que ele se tornaria célebre  e genial.

Suas obras até hoje, 501 anos após a sua morte,  que ocorreu no dia dois de maio de 1519, em Clos Lucé e enterrado na Capela de Saint-Hubert no Castelo de Amboise, na França, intrigam todos os seus estudiosos.

Nos Jardins do Castelo de Amboise encontra-se também um busto do mesmo, que à época do inverno fica circundada por neve, tornando o local incrivelmente lindo, corroborando o grande amor que o mesmo tinha pela natureza.

Como eu gostaria de tê-lo conhecido, pena que só nasci em 1952, 500 anos após o seu nascimento.

Saudações gênio Leonardo da Vinci, muito obrigado pelos seus relevantes trabalhos que nos foram deixados e pela beleza extraordinária de suas obras-primas. Parabéns.

Obs: O autor, Prof. Dr. Rômulo José Vieira é Acadêmico da Academia de Ciências do Piauí; Acadêmico da Academia de Medicina Veterinária do Piauí; Acadêmico correspondente da Academia de Medicina Veterinária do Ceará; Acadêmico correspondente da Academia Pernambucana de Medicina Veterinária.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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