Estamos na fase exponencial de contaminação e transmissão comunitária da COVID 19 e já apresentando muitos casos graves e as primeiras mortes. E continuamos dando foco em medidas paliativas e insuficientes para o atual estágio da epidemia, retardando a implementação imediata da efetiva intervenção para diminuir a velocidade da epidemia: isolamento social compulsório para todos! Apesar de muitas ações corretas, o que me amargura e revolta é que nesses recentes dias “o jogo e o teatro” ficaram claros, assim como o porquê de muitas de nossas autoridades continuarem “permitindo” a contaminação de milhões de pessoas nas ruas, nos ônibus, no metro, no ambiente de trabalho, nos shoppings, etc.: fomos, todos, enganados por mentiras, travestidas de atitudes ponderadas, cautelosas, prudentes e graduais para evitar o pânico e histeria enquanto, suicidamente, se priorizava a economia. Por isso viraram o rosto, ignoraram e jogaram no lixo toda uma “curva de aprendizado” que os 5 meses da atual pandemia nos ofereceram, deixando de fazer “conscientemente” a lição de casa, priorizando “coisas, ideologia e fundamentalismos econômicos” e não as pessoas. Portanto, é com muita dor, pesar, tristeza e vergonha que eu vos acuso. Acuso-vos, principalmente, de mentir para todos nós e nos manipular, deixando-nos contaminarmo-nos. Eu vos acuso de permitirem a disseminação da falsa expectativa sobre o “poder profilático” do calor do nosso verão tropical. Eu vos acuso de incentivarem/permitirem líderes religiosos, fanáticos e ignorantes, propalar visões não racionais e científicas, e de gravíssimo risco para a saúde pública. Eu vos acuso de informar que tinham kits para testar todos os casos suspeitos e não os possuíam. Eu vos acuso de ter colocado as questões econômicas e trabalhistas como prioritárias, mesmo quando a economia real já tinha “derretido”, tanto a nível nacional quanto mundial, e a epidemia se alastrava em nossa terra. Eu vos acuso de deixar de fazer vários “óbvios ululantes”, como não liberar e não acelerar os processos burocráticos para importação de equipamentos de proteção individual, fazendo-o somente agora, quando os mesmos já estão em falta. Ou só, ridiculamente agora, liberar as farmácias de manipulação para produzir álcool em gel. Eu vos acuso de desvalorizar e zombar de todos os sinais de gravidade da epidemia por questões políticas e por projetos personalistas e táticas eleitorais. Eu vos acuso de ocultar suas opções, seus erros, suas irresponsabilidades e agora tentar culpar a população pela aceleração da epidemia. Eu vos acuso de usar estratégias de engodo baseadas em retórica e falas “teatralmente perfeitas”, mas com ações incompatíveis com uma realidade que se agrava a cada momento. Eu vos acuso de sonegarem informações sobre a falta de insumos básicos e essenciais para a assistência intensiva dos casos graves e que todos sabiam que seriam necessárias. Eu vos acuso de colocar os profissionais de saúde em altíssimo risco sem que os mesmos estivessem adequadamente protegidos, treinados e cientes desse elevadíssimo risco. Eu vos acuso de estarem mais preocupados com a contenção do caos social que se seguirá ao caos sanitário, ao invés de evitá-lo. Eu vos acuso de não ter estratégias e ações factíveis para a maioria da população brasileira, pobre e vulnerável. Enfim, são muitas as acusações pertinentes e relevantes que poderiam ser enumeradas. Mas termino por aqui, afirmando que vocês já estão com as mãos sujas com sangue de inocentes. Continuem ideológicos, falaciosos, “cautelosos”, demorem e errem mais um pouquinho, e vocês acabarão se “afogando” nesse sangue. ps: não tenho nenhuma simpatia pelo o governador, mas “a Cesar o que é de Cesar”. Parabéns aos que fazem o Governo de Pernambuco e a Prefeitura do Recife pelas difíceis, dolorosas, mas corretas, corajosas e necessárias, medidas tomadas na tarde de ontem.

Obs: O autor, Prof. Dr. Aurélio Molina, Ph.D pela University of Leeds (Inglaterra) é membro das Academias Pernambucanas de Ciências e de Medicina, professor da UPE, Coordenador do Programa Ganhe o Mundo.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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