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De antemão, quero deixar bem claro, que não gosto de ser velha. Também não quero ser burra e brigar com a velhice. Tento tirar o máximo de proveito dos dias e horas. Na minha idade, costumo dizer que estou na prorrogação. Pouco importa a idade, o tempo vai me passando assim mesmo. Na verdade ele não passa, passamos nós.
Enquanto isto, vou vivendo. Aproveito para descansar pois caminho desde quando ainda nem sabia andar. Aliás, estou desaprendendo, feito criança ando catando chão. Espero não encontrar buracos pois senão… pumba, lá me vou buraco a dentro. E dá um trabalho danado para tirar.
A gente deveria ter um taxímetro para depois prestar contas das horas rodadas. Se defunto tem currículo, acho que assim como o tempo de vôo conta para o piloto de um avião, o tempo de caminhadas também deveria ser computado a seu favor. Para quê? Isto não sei, mas que deveria servir deveria.

O médico ficou de queixo caído quando me perguntou: que tipo de vida a senhora leva. E eu, prontamente – vida de cachorro.
Tive que me explicar –se espante não, doutor, é que não faço nada, só comer, dormir e me aproveitar do trabalho dos outros. Se eu tivesse cauda já teria caído de tanto balançar. Que vidão.
Não sou rei mas me dei o direito de abdicar – tudo isto benesses da velhice – abdiquei do direito de fazer super-mercado, de arrumar casa, de cozinhar, e, o melhor – de acordar cedo. Durmo sem ter que prestar contas a ninguém. Quando demoro demais sinto que vem alguém de mansinho, bem de mansinho para ver se ainda estou por aqui. Pra que vida melhor? É uma pena que não vou ver quando eu não estiver. kkkkkk

Obs: A autora é poetisa, escritora contista, cronista, ensaísta brasileira.

Faz parte da Academia de Artes e Letras de Pernambuco, Academia de Letras e Artes do Nordeste, Academia Recifense de Letras, Academia de Artes, Letras e Ciências de Olinda, Academia Pesqueirense de Letras e Artes , União Brasileira de Escritores – UBE – Seção Pernambuco
Autora dos livros: Em ponto morto (1980); A magia da serra (1996); Maldição do serviço doméstico e outras maldições (1998); A grande saga audaliana (1998); Olho do girassol (1999); Reescrevendo contos de fadas (2001); Memórias do vento (2003); Pecados de areia (2005); Deixe de ser besta (2006); A morte cega (2009). Saudade presa (2014)
Recebeu vários prêmios, entre os quais:

Prêmio Gervasio Fioravanti, da Academia Pernambucana de Letras, 1979
Prêmio Leda Carvalho, da Academia Pernambucana de Letras, 1981
Menção honrosa da Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1990
Prêmio Antônio de Brito Alves da Academia Pernambucana de Letras, 1998 e 1999 
Prêmio Vânia Souto de Carvalho da Academia Pernambucana de Letras, 2000
Prêmio Vânia Souto de Carvalho da Academia Pernambucana de Letras, 2010
Prêmio Edmir Domingues da Academia Pernambucana de Letras, 2014

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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