1. P e P. são educadores, gente apaixonada pelo sonho do mundo feliz, fraterno e livre. Na sua mente, já sabiam que era uma missão difícil e que só acontece se muita gente entrasse no processo. Também sabiam que só quem trabalha pode ter interesse em um mundo onde haja lugar para eles. Conheciam boas pessoas que, com entusiasmo, aterrissavam no meio do povo e tentavam ensinar o que o povo devia fazer para mudar a realidade de exploração em que viviam. Mas, os dois preferiram percorrer outro caminho.
  2. De mochila nas costas e com a desconfiança das comunidades, armaram seu barraco numa comunidade de 36 famílias. Aí, começaram a participar da vida – trabalho, rezas, jogos, festas…. Esse contato foi sua grande escola. Aprenderam a linguagem do povo, a trabalhar na produção e a ganhar sua confiança. Mas, nunca esqueceram que sua missão que era comprometer as pessoas com o projeto da nova sociedade. Nessa vontade, mesmo sabendo que deviam partir do povo, tentaram reuniões, formação, debate…
  3. Um dia, nove meses depois, a responsável da capela, lembrou na celebração, que estava chegando o Natal e que tal armar um presépio bem bonito? A comunidade topou na hora! Mas, quando ela propôs a coleta para comprar as imagens de gesso, P. se levantou e perguntou: por que a gente mesmo não faz as imagens? Foi um rebuliço. A catequista ficou decepcionada. Aí, P. perguntou aos participantes o que cada um sabia fazer. Ficaram felizes ao saber que sabiam e que eram capazes de fazer todas as figuras.
  4. O Presépio foi um sucesso. As comunidades vizinhas, ao saber da notícia também vieram visitar a obra de arte. Por isso, na hora de desmontar o presépio, deu uma crise. Todos concordavam que o próximo devia ser mais bonito. Mas, o que fazer com o atual? Ficou aprovada a ideia de fazer uma rifa das figuras…. Os mais religiosos se afastaram (onde já se viu rifar o santo?). O comerciante, tesoureiro da capela, advertiu que o dinheiro perde valor. Ele poderia usaria no seu comércio e, no final do ano, agregaria uma percentagem.
  5. P. concordou que o dinheiro perde com a inflação. Mas, como era início do ano, por que não usar para comprar material escolar? No lugar, um caderno custava 2,30 reais e, na cidade 0,30 centavos. O mesmo acontecia com outras coisas. Uma pessoa iria à cidade, comprava o material e se revenderia com um pequeno aumento. Quando foi aprovada a ideia, o comerciante saiu do grupo. A ideia foi um sucesso. Logo se viu que podia fazer o mesmo com outras compras, se aumentasse o capital. Assim nasceu o Grupo de Revenda.
  6. O povo sentiu que tinha poder e quis mais. Decidiram comprar uma máquina de beneficiar o arroz e ajudar outras comunidades a criar Revendas. A experiência se multiplicou. Logo veio a necessidade do transporte para levar e trazer os produtos. Começou uma batalha: o prefeito exigiu a licença, a polícia, pressionada pela concorrência, apertou a fiscalização. Tudo isso exigiu muito esforço e muito estudo. Foi, então, que o povo descobriu o Sindicato como ferramenta de organização, de defesa e de articulação.
  7. Por fim, o povo descobriu a Política. É preciso dar o peixe, aprender a pescar, mas é preciso retomar o rio que já é dos grandes. P. e P. confirmaram: não há conquista, se não há projeto e se não há participação popular; o povo participa quando vê vantagem; é preciso meter-se no meio do povo, ganhar sua confiança, conhecer a realidade e resolver, com ele, questões concretas; a partir da porta que o povo oferece, o educador deve ajudar a despertar sua consciência para construir um mundo, onde haja lugar para o povo.  Janeiro, 2020
Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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