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Um pouco além da tolerância!

Faz escuro, mas eu canto, disse o poeta.
Disse o artista e o profeta
Faz escuro, mas eu canto.
É, faz muito escuro por todo canto
Enquanto uns fazem “arminhas”, muitos estão em pranto
Faz muito escuro, entretanto.

Agora é tempo de ser artista,
poeta, profeta, ativista.
Tempo de juntar as vozes e cantar
De estudar, refletir, analisar
Mas, nunca deixar de lutar

Faz escuro, mas eu canto
E me levanto pra convocar
A sair da indiferença e da descrença
Descruzar os braços, descer do muro
Pra defender os direitos que estão a nos roubar
Do nosso presente e também do futuro.

É preciso ir um pouco além da tolerância
Cultivar a ternura bem dosada com a teimosia
Sustentada na santa rebeldia
Superar todo tipo de arrogância
Sem nunca abandonar a militância
Fazer de outro jeito, fazer com ousadia.

Vencer o ódio, a vingança e o racismo
O consumismo, a homofobia e o machismo
Toda forma de exclusão e colonização
Enfrentar pra valer o capitalismo
Causa de tanta miséria e opressão
Multiplicada agora pelo bruto bolsonarismo.

É preciso ir um pouco além da tolerância
Pois, quem tolera que os monstros governem
Acaba por tornar-se monstro também
Não vamos permitir que os sonhos nos roubem
E deixar confundir o mal com o bem
Nessa hora é que eu digo e repito
Não dá para cruzar os braços e dizer: amém
Dessa tolerância é preciso ir além!

Estão fazendo da nossa pátria amada
Uma pátria armada, privatizada, violentada
Que mata indígena, pobre, trabalhador
Tira dinheiro da saúde, educação, previdência
Promove o desmatamento e o envenenamento
Deus nos livre disso termos tolerância.

Faz escuro, mas eu canto
E me levanto também pra denunciar
Tanto agrotóxico no pão nosso de cada dia
No tomate, mamão, batata, melancia
“Veneno na mesa” não vamos tolerar
Nossa bandeira é a agroecologia.

Faz escuro, mas eu canto
E também me levanto para protestar
Contra o fantoche serviçal
Que se ajoelha ante o império
Diz todo tipo de impropério
E acha que é o fulano de tal.

Tolerância é bom, mas tem limites
É preciso saber o que tolerar
Quando tolerar e quando repudiar
Quando respeitar e quando rejeitar
Como agir, reagir, lutar e defender
Pois, quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Saber como tolerar e como impedir
Porquê tolerar e porquê transigir
Quando tolerar e quando repelir
O que aceitar e o que banir
O que cultivar e o que demolir.
Quando se deve voltar e quando é hora de ir.

Houve um tempo em que cantamos
Já raiou a liberdade pra gente ser feliz
“A esperança venceu o medo”
Parecia um grande segredo
A história começou a ter novo enredo
Pelos quatro cantos deste país.

Agora os tempos estão duros
Não mais tempos de bonança
Tempos de uma nova ditadura
Em que o medo sufoca a esperança
Mas, camaradas, vençamos toda a paúra
Pois quem luta sempre alcança!!

Em cada acampamento e assentamento
Cada lutador em todo movimento
Vamos lá, construamos o poder popular
Com agroecologia e educação do campo
De um jeito novo, com jeito de bem viver
Pois faz, escuro mas eu canto.

Cerremos nosso punho, levantemos nossa voz
Não toleremos esse silêncio atroz
É hora, sempre é tempo de lutar
Pois lutar não é defeito
É nosso jeito, o único jeito
Pois uma parte de nós é tolerância, a outra são nossos direitos!
(Dirceu Benincá)

Obs: O autor é Doutor em Sociologia, pós-doutor em Educação e professor da Universidade Federal do Sul da Bahia

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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