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Lembro-me com carinho da minha infância, apesar de agora ver fugir de mim muitos detalhes. Coisas da vida!

Eu era um garoto de apenas 7 anos, que estava concluindo a Primeira Série do chamado “Curso Primário” e minha primeira professora, D. Marina Otero Fioravante, fez a gentileza de me presentear com o livro “A lagostinha encantada”, da escritora brasileira Virgínia Lefèvre.

Segundo ela, o presente foi um “prêmio por tirar ótimas notas”, conforme dedicatória que ela me fez, no livro que guardo comigo até hoje (ver imagem). Pelo que sei, fui o único da classe a ser presenteado por ela naquele ano. Talvez nunca ela tenha sabido da real importância e significado daquilo pra mim. O primeiro livro que ganhei na vida; sem dúvida, uma conquista e tanto!

À partir daí, passei a frequentar a Biblioteca Infantil, que ficava numa sala anexa à Biblioteca Municipal de Piracicaba. Lá eu me cadastrei e, com alguma frequência, passei a levar um ou outro livro para casa e não somente os lia, mas me encantava com eles. Não consigo recordar nem quantos e nem quais eu cheguei a ler. Só sei que li.

Aos 13 anos, movido pela necessidade que a vida impunha, comecei a trabalhar durante o dia e estudar no período noturno. Na entidade a que eu pertencia, a chamada “Guarda Mirim”, que era a responsável por direcionar os menores aprendizes para empresas, havia um Centro Cívico e um jornalzinho interno, onde eu já escrevia algumas poesias, de conteúdo simples, é claro. É uma pena que esse material perdeu-se com o tempo.

Durante a minha juventude, o trabalho em outra cidade me afastou um pouco da leitura. Quando regressei à terra natal, atividades também de ordem profissional forçaram-me a esquecer um pouco dos livros. Afinal, existia um horário para entrar na empresa, mas não tinha hora para sair.

No entanto, o fascínio exercido por esse objeto mágico chamado livro, mais cedo ou mais tarde trataria de me impulsionar ao encontro de textos de vários autores e diversos estilos literários. Foi então que me dei conta de que, muito mais do que ler cada linha, senti que também passei a me ver nelas, o que despertou em mim a necessidade de me arriscar a escrever.

Mais tarde, com o surgimento da internet e das Redes Sociais, tornou-se possível a divulgação de minhas poesias e demais textos, o que possibilitou a grata satisfação de contato virtual com muitas pessoas, não somente de outras cidades, mas também de outros estados, países e continentes.

E é justamente nesse ponto, outros países e continentes, que eu volto ao início deste texto. Recentemente, no mês de setembro, tive a grata surpresa de tornar a ser presenteado por um livro, dessa vez enviado e autografado pela própria autora. Cerca de 50 anos depois, mais uma obra de valor muito significativo para mim.

Trata-se do livro intitulado “Melodia nos Versos de (A)mar”, de Carla Félix, poetisa e escritora residente na cidade de Praia de Vitória, Terceira, Açores, Portugal, com quem passei a manter contato recentemente, através de Ana Príncipe, uma amiga também portuguesa, que tive a satisfação de conhecer pelo Facebook, graças à “magia” das palavras.

O livro em questão é composto de poesias de muita sensibilidade, que falam sobre a paixão que desperta o (a)mar, em especial para quem tem o privilégio de viver num arquipélago cercado de muita beleza, que, pela imagem retratada na capa (ver na internet), já dá ideia de que não falta à autora motivos para suas inspirações.

Somente mesmo o talento é capaz de explicar como é possível a ela versar essencialmente sobre um tema, de diversas maneiras, sem ser repetitiva e cativando o leitor a cada texto, devido à flagrante habilidade pessoal expressada nos versos.

De comum, esses dois livros mencionados têm como tema o mar e também, e principalmente, a coincidência do adjetivo atribuído à “Lagostinha”, naquele presente que ganhei aos 7 anos. Na obra recebida agora, porém, o encanto não fica restrito somente à capa, mas espalha-se pelas palavras das páginas internas, que navegam movidas pela sensibilidade.

Quero deixar aqui registrada a minha gratidão à Carla Félix, por essa gentileza. Para mim, receber um livro de quem admiro pelo trabalho literário, enviado diretamente pela autora, de outro país, com uma dedicatória e devidamente autografado, vai além de belo “presente”. É algo para ser lembrado também no futuro, onde mora a palavra “sempre”. Mais do que isso, é uma especial bênção, com sabor da água desse imenso mar que une brasileiros e portugueses!

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Obs: Imagem enviada pelo autor:
– FOTO: Paulo Cesar Paschoalini

– LINK DA IMAGEM E DO TEXTO PUBLICADO:

http://revistavicejar.blogspot.com/2019/11/um-livro-de-presente.html

(PUBLICADO NO BLOG DA REVISTA VICEJAR EM 08.11.2019)

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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