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Fiquei sabendo que o Circo Internacional Tihany estava no Brasil, e que ele iria se apresentar perto da minha cidade. A primeira coisa que pensei foi em levar meu primo para assistir, que na época estava com 5 anos. Eu e minha esposa arrumamos dinheiro para comprar os ingressos na certeza de que seria o dia mais “feliz” da vida dele. Acho que não foi. Ele se assustou com a enorme plateia, com a maioria das performances dos artistas, com os gritos das pessoas e, é claro, com os palhaços.

Nunca vou me esquecer das palavras do meu primo no momento em que o mágico estava pronto para desaparecer um helicóptero na nossa frente: “Dênis, vamos lá fora na barraquinha comprar aquela espadinha que acende”?

Naquele momento entendi que o desejo de estar no circo era mais meu do que dele. O que eu sentia e tanto ansiava não era o mesmo que ele sentia.

A todo o momento, corremos o risco de pensarmos que a nossa perspectiva de ver o mundo é a única. Erramos mesmo quando escolhemos por amor. Julgamos os outros por chorarem ou sofrerem por coisas tão “bobas” (pelo olhar da nossa lente), sem conhecer sua história de vida. Achamos que só o nosso jeito de educar os filhos é que funciona (repare na palavra funcionar, como se nossas crianças fossem um eletrodoméstico). Achamos que nossa maneira de se divertir é bem mais interessante que a maneira do resto do mundo. Temos que entender que somos seres complexos, com digitais únicas e histórias diferentes. Ouvi esses dias esse dito popular “modificado” e gostei: “Cada um é cada um”.

Dizem que Shakespeare nunca fez faculdade. E há os que acreditam que é por isso mesmo que ele foi um gênio, pois ninguém o “domesticou” intelectualmente. Também li que o filósofo Kant pouco saiu da sua cidade natal e nunca pôs os pés fora do seu país, mas seus escritos (principalmente o livro Crítica da Razão Pura) é lido até hoje por vários países e culturas que ele nunca conheceu.

Conheço gente que, se for discordada ao debater qualquer tipo de assunto, te olha feio, pode até parar de falar com você. Se não concorda comigo, não pode ser meu amigo. Querem pessoas que reflitam o desejo delas em outros rostos. São Narcisas e Narcisos.

Nessa geração tão egocêntrica, quem é diferente de mim, deve ficar longe, manter distância, e não adianta tentar chegar perto remando em barquinhos, pois morrerão na praia tentando.

Dizer o que pensamos pode ser bom, mas se não aprendermos a respeitarmos o desejo do outro sem impor o nosso a todo custo, nossa convivência será intolerável (se já não estiver ficando).

Agradeço ao meu priminho por me ensinar essa lição que a maioria dos adultos levam a vida toda para aprender: que “cada um é cada um”.

Obs: O autor é Psicólogo, palestrante, terapeuta de família casal.
Imagem enviada pelo autor.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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