Frei Betto 15 de outubro de 2019

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Nos últimos 50 anos, a Amazônia brasileira perdeu área equivalente aos estados de Minas Gerais e Paraná. A floresta já sofreu desmatamento de 17% de sua extensão. Segundo a ONU, o limite são 20%. Além disso, o equilíbrio ecológico entra em colapso e a floresta fica condenada a se transformar em savana estéril.

Cortar uma árvore de 20 metros de altura com máquinas automotrizes demanda apenas um minuto. Reflorestar, leva anos, e sem resgate da qualidade originária. As florestas primárias absorvem muito mais monóxido de carbono que as secundárias, as replantadas.

Nove países englobam a Amazônia: Brasil, Guiana Francesa, Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia.  Mas 60% de sua área ficam dentro do Brasil. A Amazônia representa 40% das florestas tropicais do mundo e abriga 15% da biodiversidade do planeta.

O brasileiro não demonstra apreço pela Amazônia. Se possui recursos, prefere conhecer santuários ecológicos do exterior. Nem sequer o Brasil explora a potencialidade turística da região, como faz a Costa Rica, a ponto de o turismo ecológico neste país superar, como fator de aumento do PIB, a exportação de frutas e café. O que nossas escolas ensinam a respeito da história dessa floresta gigantesca e dos povos indígenas que a habitam e conservam?

Trata-se também de uma floresta pluvial, pois gera metade da chuva que assegura a sua conservação. A umidade que sopra do Atlântico na direção dos Andes produz precipitações retidas pelas árvores, que a reciclam, já que a umidade sobe da raiz à copa para, em seguida, cair como chuva. Esse resfriamento alivia o aquecimento global.

Segundo o  System of Environmental Economic Accounting (SEEA), órgão da ONU que analisa a relação da economia com o meio ambiente, o desmatamento nos países tropicais gera um prejuízo anual de US$ 5 trilhões, valor superior ao PIB do Japão e vinte vezes o faturamento da Amazon. Em resumo, os gastos com os efeitos da destruição ambiental são muito superiores ao que se exige para preservar a biodiversidade.

A natureza viveu bilhões de anos sem a incômoda presença do ser humano. E pode voltar a fazê-lo em breve. A menos que os responsáveis pelas decisões passem a entender a gravidade da situação. A região abriga cerca de 2,5 milhões de espécies de insetos, e mais de 2 mil aves e mamíferos. Até hoje foram classificadas cientificamente na região pelo menos 40 mil espécies de plantas, 3 mil de peixes, 1.294 aves, 427 mamíferos, 428 anfíbios e 378 répteis. Um de cada cinco pássaros no mundo vive nas florestas tropicais da Amazônia. Os cientistas já descreveram entre 96.660 e 128.843 espécies de invertebrados só no Brasil.

A diversidade de espécies de plantas é a mais rica da Terra, sendo que alguns especialistas estimam que um quilômetro quadrado amazônico pode conter mais de mil tipos de árvores. De acordo com um estudo de 2001, um quarto de quilômetro quadrado de floresta equatoriana suporta mais de 1.100 espécies de árvores. Um quilômetro quadrado de floresta amazônica pode conter cerca de 90.790 toneladas métricas de plantas vivas. Até o momento, cerca de 438 mil espécies de plantas de interesse econômico e social têm sido registradas na região, e muitas mais ainda a serem descobertas ou catalogadas.

O Sínodo da Amazônia, convocado pelo papa Francisco, e que se realizará em Roma de 6 a 27 de outubro, servirá para alertar o mundo quanto à urgência de se pôr fim às queimadas e ao desmatamento da floresta amazônica, bem como fortalecer a defesa dos direitos de seus habitantes, principalmente os povos indígenas.

Artigo originalmente publicado no jornal O Globo.

Obs: Frei Betto é escritor, autor de “A obra do artista – uma visão holística do Universo” (José Olympio), entre outros livros.

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