Djanira Silva 1 de setembro de 2019

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Os sonhos se fazem nas prisões do tempo, o tempo que existe em tudo e em todas as coisas e no homem se perpetua, se renova, se consome. Entre o chegar e o ser, vem com muitas faces e por muitos caminhos. Transmuta-se nos que não se curvam aos seus enganos e não reconhecem a morte na senilidade do corpo nem nas cores desbotadas dos cabelos, nem nas nuvens embaçadas da visão, dos que enxergam nos caminhos das rugas o itinerário da sabedoria.
Dotado do poder de sonhar, o homem tem, ainda, o poder de perpetuar estes sonhos ao prendê-los nas cores de uma tela, na essência de um perfume, nos acordes de uma melodia, na correnteza de um rio, no brilho da luz, na insídia da serpente ou na imortalidade da alma.
Anjos e demônios tiveram seu tempo, aquele que saiu da palavra: tempo de amar, de criar, de plantar, de nascer, de viver. Tempo onde não existe a morte porque nele se gravam informações que preparam corpo e alma para a eternidade.
Não é ele quem seca os rios, nem apaga as estrelas ou acende o sol. Não é ele quem trás e leva, leva e trás a vida e a morte. A ansiedade de matar o tempo dá ao homem uma sensação de eternidade. Presas no imaginário, cada etapa é diferente para cada ser, quando, então se dá a espera da impaciência humana. num caminho que começa e termina, quando aprisionado pela criação, pela arte, ou dividido em meses, dias, anos, séculos emprestando ao mundo cheiros cores e sabores. . Ao dizer, faça-se a luz, façam-se as águas, os animais, as árvores e os ventos, percebeu o Senhor que o mundo nada seria se não houvesse alguém para vê-lo interpretá-lo e senti-lo, criou, então, o homem.
Nas tábuas da vida cada um escreve seu próprio tempo.

Obs: A autora é poetisa, escritora contista, cronista, ensaísta brasileira.

Faz parte da Academia de Artes e Letras de Pernambuco, Academia de Letras e Artes do Nordeste, Academia Recifense de Letras, Academia de Artes, Letras e Ciências de Olinda, Academia Pesqueirense de Letras e Artes , União Brasileira de Escritores – UBE – Seção Pernambuco
Autora dos livros: Em ponto morto (1980); A magia da serra (1996); Maldição do serviço doméstico e outras maldições (1998); A grande saga audaliana (1998); Olho do girassol (1999); Reescrevendo contos de fadas (2001); Memórias do vento (2003); Pecados de areia (2005); Deixe de ser besta (2006); A morte cega (2009). Saudade presa (2014)
Recebeu vários prêmios, entre os quais:

Prêmio Gervasio Fioravanti, da Academia Pernambucana de Letras, 1979
Prêmio Leda Carvalho, da Academia Pernambucana de Letras, 1981
Menção honrosa da Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1990
Prêmio Antônio de Brito Alves da Academia Pernambucana de Letras, 1998 e 1999 
Prêmio Vânia Souto de Carvalho da Academia Pernambucana de Letras, 2000
Prêmio Vânia Souto de Carvalho da Academia Pernambucana de Letras, 2010
Prêmio Edmir Domingues da Academia Pernambucana de Letras, 2014



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