Djanira Silva 1 de junho de 2019

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Todo e qualquer dom, nasce com o homem. Não aprendemos como ser ou deixar de ser artista. Portanto, não oria disparate dizer que a arte nasce com o homem. Já a moral nos é ensinada, imposta, exigida, cobrada. Não podem nunca, as duas andarem de mãos dada. Jamais se poderão equilibrar o valor estético e o valor moral de uma obra. Teria sido apenas em nome da moral que a justiça francesa perseguia Flaubert, Zola e Baudelaire? Ou teriam sido motivos puramente de ordem político-social, embutidos sob um amoralismo que apenas fez com que caíssem no ridículo, os seus perseguidores?

Segundo Kant a arte é uma finalidade sem fim. Desde que o dom da arte nasce com o homem não há porque se preocupar com estabelecer a influência deste ou daquele artista sobre a obra de um outro. Acreditamos que assim como existem os grupos sociais, com características semelhantes, pessoas com o mesmo tipo de sangue, raças com caracteres também repetidos, poderiam existir, como de fato existem, grupos de poetas com as mesmas características – não as mesmas idéias – como também romancistas, cantores, músicos, pintores, seguindo os passos de determinados grupos sem que se precisasse perguntar qual ou de quem a influência.

Alguém tem sempre que dar início a alguma coisa, mesmo desafiando o Eclesiastes, que diz nada de novo existir embaixo do sol. A coisa criada tem que existir, morrer, ou, antes de morrer se multiplicar. Algumas não deixam lembranças embora em algum lugar da natureza deva permanecer os resquícios daquilo que foi criado, uma vez que na natureza tudo é renovação.

Seria justo perguntar a uma pessoa que se submete a um exame de sangue: de quem você sofreu influência para ter este tipo de sangue?

 Assim como um poeta aparentemente influenciado por outro, perguntaríamos, e o outro de quem sofreu influência. E, daí por diante, e quem de quem?

 Se levássemos em consideração as repetições, só teríamos lido a Biblia e nada mais. Lá está dito tudo quanto já se disse, está feito tudo quanto se fez ou se fará. Tira-se assim, a ilusão de qualquer um quando nos pergunta o Eclesiastes: O que é que foi? É o mesmo que há de ser, é o que se fez: O mesmo que se há de fazer. Não há nada de novo debaixo do sol e ninguém poderá dizer: eis aqui, está uma coisa nova, porque ela já existiu muito antes de ser.

Obs: Texto retirado do livro da autora – Doido é quem tem juízo

A autora é poetisa, escritora contista, cronista, ensaísta brasileira.

Faz parte da Academia de Artes e Letras de Pernambuco, Academia de Letras e Artes do Nordeste, Academia Recifense de Letras, Academia de Artes, Letras e Ciências de Olinda, Academia Pesqueirense de Letras e Artes , União Brasileira de Escritores – UBE – Seção Pernambuco
Autora dos livros: Em ponto morto (1980); A magia da serra (1996); Maldição do serviço doméstico e outras maldições (1998); A grande saga audaliana (1998); Olho do girassol (1999); Reescrevendo contos de fadas (2001); Memórias do vento (2003); Pecados de areia (2005); Deixe de ser besta (2006); A morte cega (2009). Saudade presa (2014)
Recebeu vários prêmios, entre os quais:

Prêmio Gervasio Fioravanti, da Academia Pernambucana de Letras, 1979
Prêmio Leda Carvalho, da Academia Pernambucana de Letras, 1981
Menção honrosa da Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1990
Prêmio Antônio de Brito Alves da Academia Pernambucana de Letras, 1998 e 1999 
Prêmio Vânia Souto de Carvalho da Academia Pernambucana de Letras, 2000
Prêmio Vânia Souto de Carvalho da Academia Pernambucana de Letras, 2010
Prêmio Edmir Domingues da Academia Pernambucana de Letras, 2014



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