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Tiveram grande repercussão as palavras do Papa, no encontro com os párocos de Roma, no início desta quaresma, referentes à questão da mulher na Igreja.
Um deles, o Pe. Marco Valentini, perguntou ao Papa «por que não fazer que a mulher também participe no governo da Igreja? De fato, seu ponto de vista nas decisões a tomar é diferente do masculino». A partir deste questionamento, o Papa foi discorrendo sobre vários ângulos desta complexa questão.
Podemos tomar a observação final que o Papa fez, como ponto de partida de nossa reflexão. De acordo com a Sala de Imprensa do Vaticano, Bento 16 reconheceu que “é justo perguntar-se também se no serviço ministerial…. é possível oferecer mais espaço, mais posições de responsabilidade às mulheres”.
Se é justo, vamos em frente!  O contexto parece propício para uma serena percepção dos passos a dar, para a superação de preconceitos eclesiais que aos poucos já não encontram mais suporte na sociedade,  que neste campo já avançou com mais desembaraço.
Estamos em plena Campanha da Fraternidade, que se constitui em laboratório precioso de superação de velhos preconceitos à luz do Evangelho, como acontece neste ano com a questão das pessoas com deficiência.  Tivemos nesta semana o Dia Internacional da Mulher, que sempre reitera a proposta de rever nossa mentalidade a propósito das mulheres. E tivemos o diálogo providencial do Papa com os Párocos de Roma sobre a presença da mulher na Igreja.
Como diriam os astrólogos, formou-se uma constelação favorável para captarmos a energia positiva derivada da harmonia maior que preside o universo, reflexo da sabedoria divina,  que nem sempre percebemos quando nos debruçamos sobre nossos problemas cotidianos.
A intervenção do Pe. Marco Valentini, além de eventual afinidade onomástica, conta inegavelmente com a crescente adesão da grande maioria das pessoas, que se perguntam por que a Igreja não reconhece às mulheres um espaço eclesial semelhante ao espaço já conquistado por elas na sociedade.
Assim também faz o Papa, ao reconhecer que “a Igreja tem uma grande dívida de agradecimento às mulheres”. Para justificar esta afirmação, discorre pela história, dizendo que “em certas ocasiões, se fez muito visível a contribuição das mulheres, como quando Santa Hildegarda critica os bispos, ou  Santa Brígida e Santa Catarina de Sena admoestam e conseguem que os Papas regressem a Roma”.
Mas a questão ainda permanece amarrada quando se trata do sacerdócio. Diz o Papa que “a Igreja não tem de modo algum a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres”.
Para justificar esta posição, alega que “o ministério sacerdotal está reservado pelo Senhor, como sabemos, aos homens, pois o ministério sacerdotal é governo no sentido profundo”.
Estas palavras nos são relatadas pela Sala de Imprensa do Vaticano. Ora, convenhamos, se a razão for esta, de que o ministério sacerdotal “é governo no sentido profundo”,  nada impede que seja exercido também pelas mulheres, que a começar por Maria já comprovaram mais do que o suficiente que são capazes de assumir com muita profundidade as coisas de Deus!
Mas o Papa nos oferece uma outra consideração importante.  Diz ele que “o ponto decisivo da questão é este: não é o homem que faz algo… pois mediante o Sacramento é Cristo mesmo quem governa, seja por meio da Eucaristia, seja nos demais sacramentos, de modo que é sempre Cristo quem preside”.  Daqui, sim, podem fluir conseqüências coerentes, tranqüilas e bem fundamentadas.
Aí está, portanto,  o ponto central. Agora, depende das conclusões que dele tiramos.  E podem ser surpreendentes, como sempre surpreende quando “cai a ficha”, quando percebemos a armadilha que o preconceito criou em nós, quando deixamos a luz do Evangelho penetrar em nossa mente, e lá  dissolver as amarras tradicionais, tanto mais sutis quanto mais revestidas de motivações culturais e religiosas.
Pois bem, quanto mais fazemos valer esta verdade central afirmada pelo Papa, de que “mediante o Sacramento é sempre o Cristo mesmo quem governa”,  tanto mais fica relativizado quem é que em nome de Cristo administra o Sacramento, seja ele homem ou mulher. O que importa é que deixe transparecer o Cristo como protagonista principal e indispensável.
Portanto, estamos bem próximos de chegar a um surpreendente consenso nesta questão legítima de “deixar mais responsabilidades à mulher na Igreja Católica”, como afirma Bento 16.

Fonte: CNBB

Obs: O autor é Bispo Emérito de Jales. 



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