(rochaedilson@yahoo.com.br)

A história de Naamã, o sírio (cfr. 2Reis 5, 9-14), primeira leitura na liturgia da Palavra do sexto domingo do tempo comum, no calendário litúrgico católico, faz a gente pensar. Tudo deve fazer a gente pensar, pois este é um atributo humano, que infelizmente nem sempre os humanos desenvolvem adequadamente ou pelo menos ao máximo de suas potencialidades. Existe muita preguiça de pensar. Existe também a irracionalidade racional: o pensar torto, o oposto do que seria desejável para os seres humanos. Existem também as deficiências… infelizmente. Voltando à história do Naamã, o sírio, um áulico bem graduado na corte de seu país. Ele se vê acometido da mais terrível moléstia que uma pessoa poderia sofrer naqueles tempos em que a medicina ainda estava a anos-luz dos progressos da Modernidade, que descobriu os remédios para todos os males dos humanos e até dos outros seres vivos!

Naamã, como todos nós, ao sentir o peso insuportável de tal terrível mal, desejou ardentemente obter a cura e sonhou com o dia de sua transformação em homem novo, pelo milagre divino da restituição de sua saúde. Nada fragiliza e deprime mais o ser humano, por mais forte, poderoso e rico que seja, do que a dor de uma doença grave e considerada incurável. Mas o último bem que não podemos nem devemos perder é a fé. É o que nos resta quando tivermos perdido tudo, se realmente a temos. Mas em geral, todos têm alguma fezinha, mesmo que seja minúscula como um grãozinho de mostarda. E, se Naamã a perdeu, enraivecido pela aparente indiferença do profeta a sua eminente pessoa, os seus servos a conservaram e convenceram seu amo a voltar atrás em sua arrogante decisão de tomar banho nos rios siríacos, melhores ou menos poluídos do que o Jordão (a poluição talvez não seja coisa típica dos nossos tempos mais conscientes e civilizados do que todas as épocas tenebrosas, anteriores aos nossos tempos áureos!). Alguém vai me dizer que a guerra na Síria, o terrorismo, o Estado Islâmico, os mais de sessenta milhões de refugiados atuais, etc. são coisas do tempo tenebroso da Idade Média. Nada mais estúpido…

Saiamos destes meandros e entremos no assunto de novo: a cura de Naamã, o sírio.  Algumas perguntas me vieram à mente ao ler esta história, hoje: que sentido tem esta história para nós hoje? Hoje, a hanseníase tem cura ou pode ser paralisada em seu curso destruidor, apesar de ainda não ter sido extinta totalmente, especialmente em zonas mais pobres deste pobre planeta. Mas, o que pode curar uma pessoa de sua lepra interior, espiritual ou moral, como queiramos chamá-la? Se existem remédios para praticamente todos os males da pele humana, o que pode devolver a pureza e a saúde da alma e devolver à pessoa a beleza de sua infância? O que tem o poder de rejuvenescer uma pessoa a tal ponto de voltar a ter a pele sadia e macia de uma criancinha? Pois é o que aconteceu com Naamã, depois de vencer sua arrogância, perceber sua insignificância, ser vencido pela fé e humildade de seus servos, e mergulhar sete vezes no Rio Jordão, como lhe recomendara o profeta Eliseu.

A criancinha nos evoca a imagem da inocência, da pureza de coração, da transparência da alma.

 Relendo este texto, me pergunto, sinceramente, se fui eu mesmo que o escrevi! Surpreendo-me e experimento um certo estranhamento comigo mesmo ao ver estas expressões. Alguém me pediu para tecer uma reflexão sobre o texto da cura de Naamã, o sírio, e exarei este breve texto, assim, com fragmentos que acabam formando um quadro não de todo sem sentido.

 O que seria rejuvenescer radicalmente senão experimentar uma renovação radical exterior e interiormente? Mas certamente, o rejuvenescimento mais importante é o do espírito. Ou, se alguém quiser usar outro termo, o da interioridade humana.

Óbidos, Pará, em 10 de abril de 2019



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