Apesar dos esforços realizados por diferentes setores da sociedade e por inúmeros educadores (ao longo dos dois últimos séculos), somos todos sabedores que o atual nível educacional brasileiro é insuficiente para que o país consiga superar os desafios impostos pela Era do Conhecimento, da Ciência, da Tecnologia, da Inovação, da Criatividade, da Inteligência Coletiva e dos Múltiplos Talentos (e também para tornar-se uma nação mais justa, desenvolvida e soberana). Portanto, é alvissareiro que o novo Plano Nacional de Educação (PNE) tenha sido aprovado e sancionado e, sem dúvida, se suas 20 metas conseguirem ser implementadas nos próximos anos, haverá um substancial avanço. Entretanto, no contexto da nossa atual defasagem na área da educação (e da urgência em superá-la), a meta de ampliar, até 2020, a oferta de educação infantil de forma a atender a 50% da população de até 3 anos, é insuficiente e deve ser revista, pelo menos quando das implementações dos novos Planos Estaduais de Educação. O processo ensino-aprendizagem é complexo e dependente de inúmeras variáveis, mas sem o desenvolvimento do potencial cognitivo que existe em  cada um de nós, tudo fica muito mais difícil, inclusive o essencial “ler, escrever e fazer as quatro operações matemáticas básicas”. Apesar de ser sempre possível (em qualquer idade) haver um aumento das habilidades cognitivas, a primeira infância (incluindo o período intra-útero) é decisiva para o desenvolvimento do potencial intelectual de um indivíduo. Em decorrência de vários fatores, os 100 bilhões de células cerebrais de uma criança de 3-4 anos podem ou não desenvolver quatrilhões de ligações sinápticas (quantitativo maior do que a média existente num adulto), valendo destacar a importância da qualidade da nutrição, da qualidade e da quantidade de estímulos (sensoriais e emocionais), do acolhimento e das vivências emocionais (familiares e sociais), do leite materno/amamentação e dos cuidados com a saúde física, emocional e social da criança. Apesar da relevância de todas as metas do PNE (e de tantos outros fatores que envolvem a atividade de aprender e ensinar), não podemos “nos acomodar” aos números expressos na primeira, pois nenhum brasileiro deve correr o risco de não desenvolver/realizar seu potencial cognitivo máximo. Temos que ter consciência que a universalização de creches e da educação infantil deve ser a prioridade número um da agenda nacional educacional e da qual todas as outras metas do PNE são dependentes. E esta tarefa não é apenas dos educadores, dos sistemas formais de educação e dos governantes. É responsabilidade de todos, sem exceção.

Publicado no Jornal do Commercio em 11 de julho de 2014, pág. 12, Opinião

Dados do BID afirmam, disse ela, que para cada dólar investido na 1ª infância outros 17 são economizados em educação corretiva.

Obs: O autor, Prof. Dr. Aurélio Molina, Ph.D pela University of Leeds (Inglaterra) é membro das Academias Pernambucanas de Ciências e de Medicina, professor da UPE, Coordenador do Programa Ganhe o Mundo



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