D. Edvaldo G. Amaral 1 de dezembro de 2018

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Graças a uma gentileza da Obra de Maria, das Novas Comunidades, pude visitar pela terceira vez o continente africano.

A primeira vez que estive em Angola foi em dezembro de 1983. Vinha de Roma, onde fizera breve curso de Direito Canônico, que a Universidade Gregoriana promovera em latim para bispos do mundo inteiro, por ocasião da promulgação do novo Código de Direito Canônico.

Com visto consular, fornecido pelo “camarada” embaixador (como chamava a mocinha que me atendeu na portaria da embaixada), viajei para Angola num velho jato russo que vinha de Moscou para Luanda, pousando em Roma. A bela capital, ás margens do Atlântico Sul, no mesmo meridiano de Maceió, estava sendo devastada pela louca guerra civil, deflagrada pelos dois principais partidos políticos, no mesmo dia da proclamação da independência. O país sofrera a escravidão, sofrera o domínio português e então, sofria a guerra entre irmãos – dizia-me entre lágrimas o arcebispo de Luanda, Dom Eduardo Muaca, já falecido. Luanda, na época, teria cerca de um milhão de habitantes. Havia sido invadida pelos nativos, que vieram do campo, e se apossaram dos edifícios vazios, sem saber utilizá-los, sobretudo no trato com o lixo. Os monumentos que adornavam as praças eram todos, absolutamente todos, de heróis portugueses, que o Governo nativo mandou destruir e substituir com tanques e armas bélicas. Angola nunca foi comunista. Aquele título de “República Popular” era na verdade o único modo de obter apoio da já decadente, àquela época, União Soviética. Cuba enviava seus jovens para morrer naquela guerra inglória. A Rússia mandava excelentes médicos, engenheiros e arquitetos para reconstruir o país, que a guerra ia devastando. O Brasil e os Estados Unidos, para não melindrar Portugal, negaram a ajuda que lhes cabia por agradecimento pela escravidão.

Hoje, Luanda é uma bela metrópole em pleno desenvolvimento, com seis milhões e meio de habitantes, uma febre de construções por toda a parte, com um tráfego infernal, pior do que o do Recife. Famílias numerosas enchem de crianças as muitas escolas da metrópole.

Os Salesianos marcam presença expressiva, com missionários vindos da Itália, da Argentina e do Brasil. Encontrei-me com Pe. Luiz De Liberali, que foi da Inspetoria do Nordeste e hoje faz belo trabalho missionário na distante Luena. Já aparecem muitas vocações sacerdotais e religiosas.

Há esperança, sim, de um futuro promissor para a nova Angola…

Obs: O autor é arcebispo emérito de Maceió.



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