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Quanto maior a desigualdade social de um país, maior pode ser a comparação entre as pessoas, sobre como são suas vidas, seus carros, seus filhos e sua grama. Tem pouca gente com muito e muita gente com pouco. É uma realidade difícil mesmo, pois todo mundo quer ter uma vida melhor e a oportunidade não é igual para todos.

E, por enquanto, só temos esse planeta para vivermos. Por mais que algumas poucas pessoas tenham aparelho de ar condicionado em casa, o sol queima a cabeça de todo mundo e o impacto ambiental afeta a todos.

O que nos esquecemos é que desde pequenos, só nos reconhecemos como pessoa através do olhar do outro. Isto é, quem me olha pode me ajudar a entender inclusive quem eu sou. É claro que algumas pessoas levam isso tão a sério ao ponto de viverem apenas de olhar do outro: são as que não conseguem se divertir nem sair sozinhas, não conseguem ficar bem sem ter alguém por perto para aprovar ou desaprovar suas ações.

Mas, se você chegar bem perto da cerca para ver a grama do vizinho, talvez poderá perceber que a tão idealizada grama, isto é, vida do outro, tem imperfeições, buracos, e nem é tão verde assim como se pensava. Geralmente fazemos uma comparação injusta e falsa entre a “perfeita” vida do outro e a “porcaria” de vida que tenho. Mas, na verdade, somos feitos da mesma matéria. Gente é gente. Gente sorri mas também tem crise, tristeza, problema relacional, existencial e de saúde.

É claro que nessa mesma panela tem gente especialista em fingir que tudo está sempre “bem, obrigado”. Mas, mesmo assim, todo esse fingimento não muda nada em relação à dura realidade na qual estamos inseridos. Aliás, nossa mente e corpo cobra muito caro por essa dívida da imagem ideal. Não raramente, eles adoecem.

Estamos aprendendo e sendo treinados todo dia e sem descanso a sermos individualistas extremos. Estamos cheios de “meu” e quase nada de “nosso”. Meu emprego, meu projeto e não “nosso país melhor para mais pessoas, para mais crianças e para mais necessitados incluindo nossa família e amigos”.

Victor Frankl escreveu “encontrei o significado da minha vida, ajudando os outros a encontrarem o sentido das suas vidas”. Então estamos juntos nessa, por mais que muitas pessoas não queiram aceitar. O outro pode inspirar, transformar e me ensinar.

Acho que de vez em quando devemos quebrar a cerca para trocarmos experiências e assim tentarmos nos ajudar mutuamente. Os “partidos políticos”, os fundamentalismos e toda essa polarização que nosso país está vivendo, estão construindo muros de concreto que futuramente teremos muita dificuldade de quebrar. Andando pelas ruas vemos muitos corações partidos.

Quando abandonamos a inveja que cega e o individualismo ferrenho, enxergamos melhor, inclusive nossa própria grama que nem é tão feia assim.

Obs: O autor é Psicólogo, palestrante, terapeuta de família casal.
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