Rômulo Vieira 1 de setembro de 2018

Independência? Independência ou morte bradou D. Pedro I às margens do rio Ipiranga. E aí o que foi que aconteceu, ou melhor, o que está acontecendo após esta frase história, retumbante, briosa que encheu de orgulho aquele povo que sonhava, desejava, buscava incessantemente a independência. Foi um ato de bravura ou já um prenúncio de tantos acordos espúrios que a nação brasileira aprendeu e persiste em praticar? Já ouvi alguns historiadores questionarem este fato heróico de D. Pedro I. Não entrarei em detalhes nesses questionamentos, mas com certeza alguns dos senhores leitores também já ouviram outras explicações para a parada do nosso imperador às margens do rio Ipiranga. Não quero e não posso discutir este ato que em toda minha juventude me encheu de orgulho de ser brasileiro, com certeza presente eu estivesse neste Grito do Ipiranga empunharia uma espada, ou talvez uma simples enxada, uma foice, ou mesmo um pedaço de pau, como os nossos heróis da batalha do Jenipapo, mas certamente vivenciaria o Independência ou Morte.

Quão importante para o país foram aqueles momentos de rara grandeza nacional. Como poderíamos deixar que aquele imponente, verossímil, quadro do Grito do Ipiranga, de Pedro Américo que embora retrate, apenas, a sua imaginação sobre o fato histórico, não alimentasse o nosso ideal de liberdade a beleza do amor pátrio, a inspiradora grandiosidade de um home que respeitava o seu povo e honrava a nossa nação. Não, não podemos deixar aquele quadro apagar-se da nossa memória e temos a obrigação de estimulá-lo na memória dos mais jovens para que o ideal de liberdade não extinga jamais.

Nos dias de hoje o que fazer para gritarmos por nossa liberdade? Os nossos jovens, os verdadeiros revolucionários, já deram o seu grito. Não os baderneiros, os que não têm coragem nem de mostrar a cara, pois é preciso ter coragem para mostrar a cara quando se protesta pela busca de um ideal. Daí a minha alegria quando o Papa Francisco expressou sua admiração pelos jovens responsáveis, que protestam que reivindicam, chegando a mencionar que jovens que não protestam não lhe agradavam. É bem possível que o nosso eminente Papa Francisco, tenha assumido o que o adágio popular expressa há muito tempo: “a voz do povo é a voz de Deus”. Ele como legítimo representante do nosso Deus aqui no nosso mundo, não poderia deixar de assumir e proclamar a vontade do seu povo, quando este grita por justiça, saúde, não violência, fraternidade, amor e paz, não a corrupção. Foram vários Gritos do Ipiranga que ecoaram em todo o país. E naquele momento em franca exposição não poderíamos deixar de não relembrar o quadro de Pedro Américo. Embora somente 66 anos após o Grito do Ipiranga é que aquele quadro tenha sido pintado.

Embora, provavelmente, muitos de nós não nos deleitaremos com um quadro, talvez de um grafiteiro que também daqui a 66 anos, retrate o ocorrido naqueles dias que mudaram os rumos de nosso país, mas certamente haverá registros para uma nova geração, assim como foi registrado, o Grito do Ipiranga, mesmo sob a fértil imaginação do pintor, não havendo retidão com o fato ocorrido.

Os políticos mesmo tentando tirar proveito do movimento acordaram, saíram da toca, esconderam mais ainda o “rabo preso”, mas começaram a procurar demonstrar que entendiam o Grito das Ruas, a demonstração de indignação de nosso povo que já suportava mais tanta corrupção, tanta sem-vergonhice política, tanto descaso com as necessidades e direitos de um povo que sempre foi honrado, sempre foi digno em sua essência, como mostra a nossa história. Os desvios, os atropelos, os arroubos, foram quase sempre de gestores, desconheço registro de falta de ética do nosso bom povo brasileiro, à parte os baderneiros, os usurpadores do direito alheio.

E nós especificamente do Piauí, eu me sinto assim, embora minha origem me conduza à terra dos altos coqueiros, à terra da nova Roma, dos bravos guerreiros, do Pernambuco imortal! Imortal! o que nos falta para o nosso Grito de Independência? Temos quatro margens de rios para o encantamento deste Grito, já estamos convictos que a nossa bandeira não é um couro de bode, como muitos diziam no passado, já entramos no cenário nacional, não só como piada, mas como estado de notável educação e saber, ganhando prêmios nacionais, em português, em matemática, em química, em física, em judô (medalha olímpica – viva a Sara!) em badminton, em atletismo. Possuímos a rara beleza de um delta a céu aberto. Somos notáveis em arqueologia (salve o museu do homem americano), mas não tivemos ainda um D. Pedro I para nos libertar da escravidão, não só do país, mas até mesmo de alguns estados da federação, o que nos falta? Independência ou morte?

Obs: O autor, Prof. Dr. Rômulo José Vieira é Acadêmico da Academia de Ciências do Piauí; Acadêmico da Academia de Medicina Veterinária do Piauí; Acadêmico correspondente da Academia de Medicina Veterinária do Ceará; Acadêmico correspondente da Academia Pernambucana de Medicina Veterinária.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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