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Seus amigos, familiares e colegas de trabalho te acham o verdadeiro “gente boa”. Quando precisam de ajuda, você é a primeiro nome que surge em suas mentes devido a tamanha bondade e prestatividade. Das 381 mil palavras contidas na língua portuguesa, existe uma bem simples e com três letras que você não consegue verbalizar: Não. Dizer o “não” pode ser muito difícil para algumas pessoas.

Mesmo entendendo que “todo ponto de vista é a vista de um ponto” penso em alguns motivos que podem levar alguém a temer o não. Existem indivíduos que carregam dentro de si, devido a sua história de vida, uma enorme carência existencial ao ponto não suportarem que alguém não goste deles. Tentam agradar de todas as formas mesmo que isso lhes faça mal e atrapalhe seus relacionamentos diários.

Outros, inconscientemente, tentam sustentar uma imagem onipotente de si e que, muitas vezes, nada tem a ver com a ideia ou a inclinação de ajudar o outro. Eles querem na verdade, se ajudar e se mostrar poderoso, aparecer para o mundo. Geralmente, quem deseja muito mostrar poder, esconde dentro de si um menino acuado e perdido, aguardando o olhar de alguém que o salve dele mesmo.

Há ainda, os que carregam a síndrome do Messias, muitas vezes estimulado pelos pais, onde o mesmo teria o propósito de vir ao mundo para salvar o relacionamento caótico dos seus genitores e, então, a sua ajuda se estende para toda a terra.

Historicamente, principalmente nós, homens, fomos educados com a ideia de que deveríamos ser servidos (quase sempre pelas mulheres) a qualquer hora e momento. Então, desenvolvemos essa dificuldade de ouvir o não passando essa prática para outras gerações. Quem não tem a maturidade de conseguir ouvir essa palavra, passa a oprimir as pessoas, a forçar suas ideias e a não criar diálogos e sim monólogos.

Já sabemos que toda neurose têm ganhos secundários. É por isso que é um ciclo vicioso. Eu ajudo todo mundo sem medida e, como retorno, recebo elogios, me sinto poderoso, sou reconhecido e todos se sentem agradecidos. Mas muitas vezes, essas pessoas que receberam a ajuda desse indivíduo que nunca diz não, se esquecem que esse mesmo, tem casa, família, compromissos próprios e uma vida própria. E esses favores intermináveis aos quais ele se submete, prejudica-o muito, faz com que se sinta cansado, doente e ainda por cima, magoa as pessoas que ele mais gosta. Ele magoa pois o dia tem “apenas” 24 horas e alguém vai ficar sem seus serviços, muitas vezes, sobrando para os mais próximos a ele.

É claro que não defendo a ideia egoísta de cada um por si. Existem muitos dias que temos que flexibilizar nossos horários em favor dos outros. Mas temos que refletir sobre quem ajudar e como ajudar. Tem muita gente por aí mal intencionada que tenta se aproveitar desse jeito permissivo de algumas pessoas, e para esses, quando você parar de ajudá-los, se voltarão contra você.

Eles não se sentem gratos e mesmo com a sua boa intenção, o que acaba acontecendo é: você, indiretamente, contribuiu com essa vida viciosa que eles levam, tornando-os indivíduos piores e cada vez mais aproveitadores.

Dizer sim a todo mundo nunca fez as pessoas gostarem mais da gente. Pelo contrário: são poucos os que gostam dos servos, pois aprendemos (erradamente) que servos e empregados foram feitos para obedecer e não para serem amados, respeitados. Na maioria das vezes, nossos pais são os que mais amamos e são eles os que mais nos dizem não.

Se você não consegue e tem muita dificuldade em dar limite ao outro e isso está te matando aos poucos, a terapia feita com um profissional sério poderá te ajudar muito. Eu mesmo sou prova viva desse benefício.

Quem gosta de você de verdade, poderá, às vezes, não concordar com suas escolhas e respostas dadas, mas, ficarão ao seu lado e conseguirão respeitar os “nãos” e os “sins” que saem da sua boca. É esse tipo de gente que desejo perto de mim. E você?

Obs: O autor é Psicólogo, palestrante, terapeuta de família casal.
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