Djanira Silva 1 de julho de 2018

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Depois do almoço enquanto eu arrumava a cozinha e as crianças, na sala, faziam o dever de casa, ouvi a gritaria: ladrão! Pega ladrão!

Sai da cozinha feito uma louca pensando que ele já estivesse dentro de casa. Larguei os pratos dentro da pia, deixei o refrigerador aberto, a torneira da pia escorrendo e uma panela com água no fogo.

Minha filha Marina, de nove anos, segurando nas grades da janela gritava: ladrão, pega ladrão! A de dois anos sentada no sofá choramingava: quero minha mãe.

A mais velha, medrosa, enfiou-se embaixo da mesa, bateu o rosto na quina da cadeira e começou a chorar.

Meu pai, que estava ao lado levantou-se com dificuldade – tenha medo não filhinha vovô tá aqui.

A esta altura o cachorro latia, a pequenina chorava, meu coração pulava feito uma bola de ping pong. A casa mais parecia um hospício. Marina, continuava pendurada nas grades da janela repetindo sem parar: – O cara levou o carro de painho.

Fiquei estatelada no meio da sala. Meu marido por detrás das grades do portão gritava alucinado: pega o ladrão, pega o ladrão. Enquanto o larápio fugia livremente com o nosso carro, nós, atrás das grades não parávamos de gritar- pega o ladrão, pega o ladrão.

Obs: Texto retirado do livro da autora – Doido é quem tem juízo

A autora é poetisa, escritora contista, cronista, ensaísta brasileira.

Faz parte da Academia de Artes e Letras de Pernambuco, Academia de Letras e Artes do Nordeste, Academia Recifense de Letras, Academia de Artes, Letras e Ciências de Olinda, Academia Pesqueirense de Letras e Artes , União Brasileira de Escritores – UBE – Seção Pernambuco
Autora dos livros: Em ponto morto (1980); A magia da serra (1996); Maldição do serviço doméstico e outras maldições (1998); A grande saga audaliana (1998); Olho do girassol (1999); Reescrevendo contos de fadas (2001); Memórias do vento (2003); Pecados de areia (2005); Deixe de ser besta (2006); A morte cega (2009). Doido é quem tem Juízo (2012); Saudade presa (2014); O Sorriso da Borboleta (2018)
Recebeu vários prêmios, entre os quais:

Prêmio Gervasio Fioravanti, da Academia Pernambucana de Letras, 1979
Prêmio Leda Carvalho, da Academia Pernambucana de Letras, 1981
Menção honrosa da Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1990
Prêmio Antônio de Brito Alves da Academia Pernambucana de Letras, 1998 e 1999
Prêmio Vânia Souto de Carvalho da Academia Pernambucana de Letras, 2000
Prêmio Vânia Souto de Carvalho da Academia Pernambucana de Letras, 2010
Prêmio Edmir Domingues da Academia Pernambucana de Letras, 2014



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