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Escolhi Atena como nome para chamar minha amada Rottweiler. Na mitologia grega, Atena é conhecida como a deusa da sabedoria, das artes, da inteligência, da estratégia de guerra e da justiça. A minha Atena era apenas guerra.

Lembro-me que, desde pequena, minha cachorra não suportava muito bem a inércia, a paz e, quando eu e meus amigos brincávamos de “estátua” na frente dela, o pandemônio estava armado. Atena, com a delicadeza e sensibilidade de um rinoceronte, precisava no máximo de 30 segundos pra derrubar ou, pelo menos, tirar todo mundo do lugar. Me recordo de um aforismo do bigodudo Nietzsche: “Em tempo de paz, o homem bélico luta consigo mesmo”.

O mundo está cheio de indivíduos que não sabem lidar muito bem com a paz e com a calmaria. Mas como poderia ser de outro jeito? Famílias inteiras que moram em áreas de risco sem poder dormir em paz, refugiados que fogem de sua terra na tentativa de evitar serem, literalmente, explodidos a qualquer momento, ou ainda (e mais grave) quando a miséria é de ordem afetiva, onde nos relacionamentos mais próximos imperam o desrespeito, o desamor e a perversidade extrema. Essas vivências são verdadeiros atentados diários uns contra os outros no qual nos matamos aos poucos.

Quando se vive muito tempo no olho do furacão, podemos, sem perceber, pensar que essa é a única forma de ser e existir no mundo. E ao começarmos de alguma forma a experimentar uma realidade diferente, (momentos de paz, alegria, calmaria), boicotamos esses sentimentos tentando, inconscientemente, voltar para o caos. Estranhamente, nos pegamos preferindo um caos conhecido a uma paz desconhecida, assim como ocorre com minha amiga canina. Todos já presenciamos pessoas que arrumam confusão sem motivo com qualquer um que vir pela frente ou conhecemos aquelas que criam brigas quando o relacionamento anda “bom demais para ser verdade”.

Com o passar dos anos apresentamos uma certa “normatização” dessa doença e se não percebermos a tempo (ou falecermos psiquicamente antes) tenderemos a passar nossa existência toda repetindo as mesmas dores, dificuldades e tristezas sem um dia de paz e saúde mental.

A boa notícia é que, circunstancialmente, encontramos em nossa jornada alguns seres especiais que nos viram do avesso e, esperançosamente, não desistem de mostrar-nos que a forma que estamos vivendo está nos destruindo. Eles nos ensinam que somos mais do que a doença que carregamos e que, mesmo em meio as turbulências da vida, podemos encontrar outra forma de ser no mundo.

Mesmo sabendo que, por experiência própria, o caos quando elaborado dentro da gente pode virar arte, hoje tenho que concordar com Platão: “A paz do coração é o paraíso dos homens”.

Obs: O autor é Psicólogo, palestrante, terapeuta de família casal.
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