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Estamos vivendo uma época tão ruim, que um pensador polonês chama de mundo líquido, sociedade líquida. Quer dizer, uma sociedade comparada com um barco lotado de passageiros, num grande temporal com ventos e raios, no meio do amazonas. Os pilotos estão bêbados e não conseguem conduzir o barco numa direção segura. E nessa sociedade líquida, os viajantes não reagem, apenas choram e se põem a rezar.

As desigualdades sociais no Brasil aumentam cada dia. Tornam-se comuns as tragédias, destruições de famílias, invasões de terras por grileiros, sem que as autoridades tomem providência. Aumenta o número dos doentes que os hospitais não conseguem atender dignamente, inclusive aumenta o índice de câncer em nossa região provocado pelo uso sem controle dos agrotóxicos.

As situações de sofrimento se multiplicam e os que tem algum recurso vão se acostumando a não sentir peso de consciência, ou quando muito, fazem umas obras de caridade que aliviam seus corações. Já os políticos, esses não se preocupam de encarar essa desigualdade social. Estão nos seus cargos bem remunerados, já pensam em buscar votos para se reelegerem; os gestores públicos sabem das tragédias sociais de seus eleitores, mas não buscam solução. Assim estão os municípios de Monte Alegre, Alenquer, Curuá, Mojuí dos Campos, Belterra, e entre os mais agravados está o município de Santarém. Se alguém perguntar quanto do orçamento de cada um desses municípios é gasto com salários de funcionários, custos de secretarias e dos secretários, descobrirá que ali está grande volume dos impostos recebidos e dos fundos de participação.

Esta reflexão é apenas um exemplo da desigualdade social nos municípios, imagine no Estado e na nação. Quem está usufruindo das rendas, dos impostos e das riquezas da região? Quem recebe os grandes financiamentos do Banco da Amazônia e Banco do Brasil? Algum plantador de feijão? De batata? Você entende porque estamos vivendo numa sociedade líquida, como falou o filósofo polonês? Líquida, como água de um rio em temporal, ninguém se preocupa com os passageiros, cada um cuida de si.

Mas então chega uma questão pra nós que não concordamos com essa tragédia municipal e nacional: tem que ser assim? Vamos deixar as tragédias continuarem, até nossos filhos e netos não terem mais esperança de viver 25 anos? Vamos esperar por um messias como os judeus no tempo de Jesus? O mestre galileu na época não iludiu seus seguidores, avisou que nós somos os messias, a salvação está em nossas mãos. Então, se essas tragédias estão atingindo todos nós, somos nós que temos que enfrentar e mudar a história, antes que seja tarde.

Alguém que esteja acompanhando nosso programa pode perguntar – mas como enfrentar esses poderosos e esses bêbados pilotos do barco? Essa resposta não pode ser resumida em cinco minutos de programa de rádio. Esse é o desafio a ser discutido no sindicato, na colônia de pescadores, na associação de moradores, nas CEBs, nas células, nas orientações de crisma, nas doutrinas das congregações evangélicas, nos movimentos sociais. Este assunto de ver como vamos salvar os passageiros do barco naufragando nas águas da sociedade líquida. Por que temos que esperar que Deus venha nos salvar se Jesus já veio, e disse aos seguidores de todas as Igrejas, de todos os sindicatos, todos batizados e crismados, vão e façam o barco tomar rumo.

Em outubro próximo centenas de candidatos chegarão até você pedindo seu voto. De candidato a presidente da república, a governador do Estado, deputados e senadores. Procure se informar quais foram os que ajudaram a destruir as leis trabalhistas e apoiam a mudança da lei das aposentadorias. Esses você manda em frente e jure nunca mais votar nesses inimigos. Mas não só os federais, também os estaduais e municipais agora se apresentando a deputado estadual. Se em quatro anos nada defenderam em benefício da educação, da saúde da moradia dos pobres. Esses também devem ser riscados de sua lista de voto. É hora de mostrar que temos sangue nas veias e respeito pela dignidade. Vamos enfrentar essa sociedade líquida. Mais uma pista pra negar seu voto: 14 dos 17 deputados federais do Pará e dois dos três senadores venderam seus votos Michel Temer, para destruir as leis trabalhistas e a previdência social, Votar nesses, nem pensar.

Obs: O autor é membro da organização da Caravana 2016
Coordenador da Comissão Justiça e Paz da Diocese de Santarém (PA) e membro do Movimento Tapajós Vivo.
Autor dos livros: Amazônia: o que será amanhã? (Vol I e II) e Uma revolução que ainda não aconteceu.



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