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Não tenho dúvida de que a pior hora era a de acordar. Mas ele ia religiosamente às 5 da manhã caminhar na praia. Entre o sono e a vontade de compartilhar com ele essas horas eu sempre escolhia ir, mesmo caindo de sono.

Então quando ouvia aquela bendita musiquinha do rádio: “vambora, vambora, olha a hora, vambora, vambora…” algo em mim pedia para me entocar debaixo do edredon e fazer que não ouvia. Mas ele batia na porta e dizia que estava indo. Era tipo, levanta se quiser ir. Eu ia.

A preguiça até pisar na areia da praia era mortal. Mas quando chegava e sentia a água lambendo meus pés já começava a despertar.

Caminhávamos de Piedade até Boa Viagem. Conversa leve, sol gostoso, alongamentos e corridinhas. Na volta o mergulho, lavando a alma para o dia que se iniciava.

Já em casa, banho, farda e café da manhã. O dia se iniciava leve e o corpo pronto para as atividades.

Sempre fui do mar, do sol e do despojamento. Ele adorava também, principalmente os banhos de mar. Dizia que se fosse pago as filas eram enormes. Eu concordava.

Eu gostava de ficar horas mergulhando, nadando ou simplesmente fitando o horizonte. Não sei se foi responsável por parte dessa minha ligação com a praia, mas sempre lembro dele ao fazer as caminhadas.

Hoje sem suas pegadas em paralelo, sem sem riso nem a sombra do seu boné que me confortava, sinto saudades e com isso revivo.

Seu porte atlético, seu bronzeado, seu jeito comedido ao comer, me faziam jurar que o teria por um bom tempo da minha vida. Mas ele se foi bem mais cedo do que eu esperava.

Isso doeu porque muito além de um pai, perdi um grande amigo. Não digo que parte de mim se foi. Não, não foi. Ele inteiro que ficou comigo!

Obs: A autora é poeta, administradora e editora da Revista Perto de Casa.
http://pertodecasa.rec.br/
Imagem enviada pela autora.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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