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O diálogo entre o Senhor e o seu povo acontece em clima de profunda oração. A comunidade reunida, nós que somos essa comunidade devemos poder dizer honestamente: “O nosso coração está em Deus!” Há orações, salmos, hinos e cânticos transmitidos e saboreados de geração em geração., como um tesouro precioso para expressar e transmitir a fé. Pensemos no Pai nosso, os invitatórios, Ó Jesus Cristo, alegria e luz, o Glória, o Santo…, Cordeiro de Deus… Contudo, não podemos cantá-los ou recitá-los distraidamente; devem brotar de dentro do coração, encher nossa alma de gozo e fervor. Nosso coração e nossa mente devem acompanhar aquilo que nossa boca proclama. Nesse sentido, a oração comunitária é ao mesmo tempo uma oração profundamente pessoal. Além disso, ao longo de toda a celebração há momentos de silêncio para uma oração face a face a com Deus, “personalizando” a oração comunitária; por exemplo: antes do ato penitencial, após cada “oremos”, após as leituras, a homilia, a comunhão eucarística, após cada salmo do Ofício Divino…

A oração perpassa toda a celebração litúrgica; é a atitude de fundo com a qual entramos na igreja, cumprimentamos as pessoas, fazemos os gestos de oração, ouvimos a Palavra, comemos o pão e bebemos o vinho da eucaristia…mas convém ressaltar sua dependência da escuta da Palavra. Na tradição cristã, assim como na tradição judaica, a proclamação e interpretação das leituras bíblicas são o chão de onde brota a oração. Os salmos são as duas coisas ao mesmo tempo: são Palavra de Deus e palavra de nossa oração! Felizmente, hoje estamos redescobrindo o valor destas poesias cantadas, tanto para a oração pessoal como, principalmente, para a celebração comunitária. Pouco a pouco, o salmo tem sido valorizado na celebração eucarística, na Palavra, na celebração dos sacramentos… Estamos mais familiarizadas com as expressões milenares que alimentaram a fé de gerações de judeus e cristãos, nos momentos alegres e, principalmente, nos momentos de dificuldade da vida: doença, perseguição, traição, injustiça, inimizade…

Aprendemos com a tradição litúrgica a cantar os salmos unidas a Cristo. É Ele o primeiro cantor dos salmos. Expressa diante do Pai sua fidelidade, mas também sua angústia e sua dor. Nós unimos nossa voz à dele. Deixamos que seu Espírito faça vibrar as cordas de nosso coração e de nossa mente. Percorrendo cada verso com atenção amorosa, cantamos a partir de nossa experiência de vida, na qual reconhecemos traços da experiência de Jesus Cristo. Expressamos a dor e o sofrimento de toda a humanidade; e levamos a Deus também o desejo e a alegria, as experiências de comunhão e de transformação que acontecem no mundo inteiro.

Geralmente cantamos os salmos, pois seu próprio nome indica isso: “salmo” vem de “saltério”, um instrumento musical de cordas que acompanhava essas poesias orantes, que brotaram da relação de confiança e fidelidade entre Deus e seu povo. Em toda a liturgia, aliás, a música cantada ou tocada nos instrumentos é uma ajuda preciosa para a oração comunitária a pessoal. Daí a importância de escolher cantos adequados a cada momento da celebração e cantar e tocar de tal modo que ajude toda a comunidade a se unir mais estreitamente à ação litúrgica que está acontecendo. É preciso cantar no Espírito. A música na liturgia não serve como enfeite ou diversão: é expressão da ação pascal de Cristo em nossa vida, possibilitando, assim, a nossa participação nessa ação.

Para refletir:
1. Sabemos que para orar de verdade não basta recitar ou cantar fórmulas de oração. O que é preciso para que haja uma oração litúrgica de verdade?
2. Como podemos cantar os salmos unidas a Cristo?
3. Os cantos, em nossa comunidade, são escolhidos de acordo com cada momento da celebração e com o tempo litúrgico? Ajudam-nos a viver espiritualmente cada um desses momentos e tempos?

Para meditar e viver:

Cada pessoa tem seu(s) salmo(s) preferido(s). escolha um desses salmos e leia (ou cante), prestando atenção a cada palavra, fazendo delas a sua própria oração, dirigida de coração a Deus.

Depois, faça silêncio para uma oração pessoal.

Retome (ou comente brevemente) um verso do salmo que mais a tocou.

Tente concluir com uma oração sálmica, ligando o salmo com a vida.

Obs: O texto acima foi uma proposta de reflexão realizado em um retiro bíblico-litúrgico para Irmãs beneditinas missionárias.

Imagem enviada pela autora.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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