BENDITO SEJA DEUS QUE NOS REUNIU
NO AMOR DE CRISTO!

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A liturgia é a forma mais sublime de nossa oração pela qual nos unimos ao louvor da Igreja, glorificando a Cristo e, por Ele, o Pai. Pelo poder do Espírito Santo, intercedemos com Cristo junto ao Pai, por toda a humanidade. A Liturgia é a fonte da qual brota a nossa força” (Constit. III,2). Na verdade, participamos de celebrações litúrgicas cinco vezes ao dia: Laudes, Eucaristia, Hora Média, Vésperas e Completas.

Não importa o local; o que não pode faltar é a reunião. Pouco importa o tamanho da assembleia, se somos muitas ou poucas: somos povo de Deus, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo. Em cada uma de nós Cristo nos acolhe. Seu Espírito vai tecendo os laços que nos unem a Ele, ao Pai e entre nós. “Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!”. Somos diferentes, temos dificuldades de relacionamento, há tensões e às vezes até brigas na comunidade, mas o momento da reunião litúrgica é um imperativo: é Deus quem está convocando para a comunhão. É momento de reconciliação nele. Ao aclamar a Deus, ao invocar o nome de Jesus, ao entoar nossos louvores e fazer subir ao Senhor nossas súplicas, estamos expressando e afirmando: Deus é o centro de nossa vida, o objeto de nosso desejo mais profundo, a finalidade de nossa busca. E é o próprio Senhor que fez nascer e crescer em nosso coração esta busca, este desejo do encontro com Ele. E, ao mesmo tempo, Ele se faz presente e enche nosso coração e reconhecimento: “Ele está no meio de nós!”. De fato, Cristo está presente quando a comunidade ora e salmodia (cf SC 7), pois Ele disse: “onde dois ou três estão reunidos em meu nome, Eu estou ali com eles” (Mt 18,20).

Várias pessoas servem durante a celebração ou ajudaram já antes para que a celebração acontecesse dignamente: a leitora, a salmista, a escolha dos cantos, a participação nos cantos… A (o) que preside à celebração em nome de Cristo.

No fim de um dia de trabalho, de correria, de dificuldades, de preocupações, encontramos na celebração da comunidade, a convite de Jesus, um momento de descanso, de alegria, de consolo, de discernimento, de profissão de fé na vida que vence a morte. Especialmente a celebração eucarística dominical é um momento de retomada do sonho do Reino, de renovação do compromisso batismal. É tempo de Ressurreição, de Pentecostes.

Em uma sociedade caracterizada por competição, dominação, exclusões, luta por poder, nossa assembleia é chamada a ser como uma parábola e um ensaio do tipo de convivência que queremos, que buscamos, que sonhamos para toda a sociedade: no diálogo, na convivência igualitária, no reconhecimento mútuo. Somos convidadas a ouvir e interpretar juntas as leituras bíblicas, a discernir o pensamento do Senhor para a nossa realidade, a cantar e orar a uma só voz, a nos abraçar no amor de Cristo, a partilhar fraternalmente o pão e o vinho.

A reunião litúrgica, principalmente a celebração do domingo, Dia do Senhor, deveria ser um marco na vida e na missão da comunidade, uma Páscoa semanal, fazendo memória da Páscoa de Jesus e celebrando nele a nossa própria Páscoa, nossa passagem da morte para a vida: “Páscoa de Cristo na Páscoa da gente. Páscoa da gente na Páscoa de Cristo”.1 É o encontro da comunidade com seu Amado, seu Noivo, seu Esposo, o Cristo Ressuscitado.

O primeiro espaço a ser cuidado, o espaço por excelência, são as pessoas: somos templos do Espírito Santo. Por isso, o local onde celebramos acaba impregnado da mesma mística do povo santo e sacerdotal que aí se reúne. Por mais simples e despojado que seja, é antecipação da Cidade Santa, da Jerusalém Celeste, pronta como uma esposa que se enfeitou para o marido. É a tenda de Deus com a humanidade; Ele enxugará toda lágrima de seus olhos, pois nunca mais haverá luto, nem grito, nem dor, porque Ele declarou: “Eis que faço novas todas as coisas!” (cf Ap 21,2-5). O carinho com o qual organizamos, limpamos, decoramos nossas igrejas, capelas e oratórios é uma expressão de fé e amor pelo Senhor e pela comunidade que Ele vem visitar.

Para refletir
1. Por que é importante reunir-nos em comunidade para celebrar o Ofício Divino e a eucaristia, especialmente aos domingos?
2. Quem nos reúne? Por quê? Para quê?
3. As nossas celebrações comunitárias nos ajudam a adentrar no Mistério celebrado? O que poderia melhorar?
4. Vamos pensar no significado profundo da saudação inicial da missa: “Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo”.

Antífona: Bendito seja Deus que nos escolheu por amor em Cristo Jesus (Ef 1,3.4.)

Para meditar: Fl 2,1-5

Se algum apelo existe em Cristo, se existe alguma consolação de amor, se existe alguma ternura e compaixão, completem a minha alegria: tenham o mesmo sentimento e o mesmo amor, em harmonia, com um só pensamento. Não façam nada por competição ou pelo desejo de receber elogios, mas com humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo. Que ninguém busque apenas seu próprio interesse, mas também o interesse dos outros. Tenham em vocês os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus.

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CNBB. Animação da vida litúrgica no Brasil. São Paulo, Paulinas, 1989 (Documento 43), n. 300.é n

Obs: O texto acima foi uma proposta de reflexão realizado em um retiro bíblico-litúrgico para Irmãs beneditinas missionárias.

Imagem enviada pela autora.

Este texto expressa exclusivamente a opinião do autor e foi publicado da forma como foi recebido, sem alterações pela equipe do Entrelaços.


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